Do Estereótipo ao Preconceito

Vivemos em uma sociedade habituada a criar rótulos e estereótipos para enquadrar as pessoas em determinados âmbitos, sejam culturais, sociais, econômicos, emocionais, sexuais, e que constrói esses modelos através de julgamentos excludentes e baseados na negativização. Sendo assim, é necessário que para a existência de pessoas boas, corretas, corajosas ou bonitas, existam antes as pessoas ruins, que agem de forma incorreta, são covardes ou são feias. É um exemplo simples, mas que serve para entendermos quais são as implicações desse tipo de  construção.

O termo “estereótipo” era usado desde 1798 para se referir a uma chapa de metal utilizada para produzir cópias repetidas do mesmo texto na tipografia, significando algo rígido e fixo. Posteriormente, Walter Lippman lançou mão do termo para designar imagens mentais que eram criadas a partir de determinados grupos sociais, com os quais temos pouco ou nenhum contato. Lippman descreveu a criação de  estereótipos como um processo ‘normal’ e ‘inevitável’, inerente à forma como processamos a informação, fazendo assim, uma interposição entre o objeto estereotipado e a realidade.

Apesar dos estereótipos serem ‘normais’ e ‘inevitáveis’, como defende Lippman, a rotulação de indivíduos possui muitos aspectos negativos, dentre eles a viabilização de preconceitos e a limitação de indivíduos. Ao criarmos um rótulo negativo para determinado indivíduo, deixamos de conhecê-lo profundamente, para então formularmos uma representação visual coerente e verdadeira. Desse modo, é importante e necessário observar que todo indivíduo é constituído de diversas ‘faces e, à partir dessa observação, concluir que toda forma de rotulação é falha pois não considera todas as suas peculiaridades; com isso, acabamos utilizando os estereótipos para justificar atitudes de intolerância e exclusão, e nos deixamos levar por determinadas imagens mentais e modelos que se propõem a explicar a realidade, mas diferem da realidade em si. Erramos em tentar reduzir a complexidade humana a imagens simples. Como citou David Hume, em “Investigação Acerca do Entendimento Humano”:

"(...)Todas as cores da poesia, apesar de
esplêndidas, nunca podem pintar os objetos naturais de tal modo que se tome a 
descrição pela paisagem real. O pensamento mais vivo é sempre inferior à
sensação mais embaçada."
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10 comentários

  1. Man, é uma coisa interessante isso.
    O jeito de cada um deveria ser respeitado.
    Acho que até mesmo as pessoas que desrespeitam, desejam respeito e por algum disturbio mental desconhecido pela mente humana, não o fazem com os outros.
    Mas é assim… Um dia da caça e outro do caçador.
    Beijos Veh *-*

    @Detachez

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  2. Hoje em dia, a gente não pode fazer praticamente nada sem que a gente seja rotulado ou mal visto. A cabeça das pessoas já está condicionada a julgar uns aos outros.

    Talvez as pessoas se sintam bem rotulando de maneira ofensiva às outras pessoas. Eu, sinceramente, não vejo graça nenhuma e nem encontro um significado nisso.

    Abraços!
    =))

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