“Ah, será que o tempo tem tempo pra amar?”

Hoje pensei demais, foram 5 horas e alguns tantos minutos resolvendo questões, e essas podiam definir o que se seguirá da minha vida do gabarito para o sempre. Tentei não pensar muito nisso, detesto pressão, obrigação, ansiedade, dor de estômago, e por isso acabei pensando numa série de outras coisas… Gosto de olhar as pessoas subindo e descendo pelas escadas rolantes do metrô, paradas esperando, sentadas nos assentos dos vagões que entro e nos que passam por mim; em meio ao stress, me acalma imaginar como algumas delas se chamam e como são suas vidas, tentar entender o que suas roupas, seus cabelos, seus sorrisos, dizem sobre o que elas são na realidade. Se são felizes ou tristes. E por que não, pensar o que tudo isso – cabelos, sapatos, feições – revela às pessoas sobre mim.

Sempre acho que a primeira impressão das pessoas a meu respeito não é muito positiva; não tenho cara de pessoa sociável e acredito que as pessoas me acham muito mais explosiva e problemática do que eu realmente sou. É culpa das influências antigas, do tempo, que passou e esqueceu de levar consigo coisas que não fazem mais parte de quem eu sou agora… Incrível como a cada ano a gente muda. Há dois anos eu podia jurar que hoje seria a mesma, e agora, acredito que em dois anos não mais me reconhecerei. Algumas vezes imagino minhas certezas de desmanchando bem na minha frente e eu sendo apenas um vazio tentando se preencher de ideias, cores e sentimentos novos. Parece tudo muito real.

Acredito ou não acredito em Deus? O que é que faço pra ser coerente e justa comigo mesma? Como é que me defendo do mundo e dos meus próprios tormentos sendo tão aberta e tão sincera comigo e com o mundo? Apesar de culpado por alguns bocados, o tempo me fez perceber que se responde a algumas perguntas praticando o difícil exercício de gostar de si mesmo e buscar em si o próprio conforto… É assim que vou me encontrando, me descobrindo em novos tons, timbres, sintomas. E é nessa simplicidade de ser complexo, que muitas vezes eu tento ser simples de fato, andar sempre pressa, ouvir poesia cantada, escrever bem simples, sorrir quando eu poderia não alterar minha expressão, mas como diria Clarice, “que ninguém se engane, só se consegue ser simples através de muito trabalho.”.

*Título extraído da música “O Tempo” – Móveis Coloniais de Acajú.

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