Wanderlust

Eu tenho gosto pelo desconhecido, por saber até onde ele pode me levar e quais sensações, boas ou más, ele pode me trazer. Me irritam fotografias que só mudam a paisagem, com as mesmas pessoas de sempre, a mesma linha de assuntos, todos sorrindo para a câmera por uma piada que já foi repetida diversas vezes. Depois de um tempo vivendo mais do mesmo, tudo perde o encanto. A alegria com a casa nova, a mudança de cidade, as manias fofas do namorado, quando tudo isso vira rotina, automaticamente perde a graça e não há nada de tão feliz, fofo ou romântico fora o fato de buscar renovar a paixão perdida todos os dias para que, no final, não sejamos engolidos pela melancolia do nosso tédio.

Tenho aos poucos me cansado de tudo, sentido que eu mudo a uma velocidade colossal enquanto tudo continua igual e eu não faço mais parte de nada, nem de mim mesma… Tudo o que é seguro, perfeito, constante demais, cansa. Há muito mais perspicácia em recolher cacos de vidro quebrados e tentar fixar todos eles, do que observar um objeto inteiro quando você sabe exatamente o que esperar dele. É por isso que eu quero certezas, mas não muitas. Eu quero tudo o que for inconstante, dúbio, incerto, por que me cercar dessas coisas faz com que na minha falta de verdades pra chamar de minhas, eu ainda possa ser eu mesma e muitas. Tudo ao mesmo tempo. Simplesmente não pode fazer sentido cercar-se de tantas convicções a ponto de se tornar as próprias convicções e então deixar de ser essência, pensamento e renovação.

Há beleza na desordem, há encontro no desencontro de ideias e enquanto houver vida, haverão também perguntas, e delas, as metamorfoses.

*Texto escrito com 130 ano, Agridoce, na cabeça.

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2 comentários

  1. LINDO e marcante.. bateu forte aqui pois estava refletindo isso tudo exatamente esses dias… tudo é tão igual parecido que me vejo numa repetição constante..delays e mais delays, deja vu’s sem chuva sabe? sei que to vivo e sei viver…mas cada vez mais parecemos voltar as piores qualidades e defeitos do passado criando presentes e futuros maçantes sem catarse, sem vontade…estar por estar..sem mudança..mudar por mudar tbm não me serve mas estagnar em preceitos e ideais escatológicos para sempre é morte em vida e isso não posso suportar.. metamorfose ambulante nunca me fez tanto sentido…
    se jogar se lançar se permitir seja com 130 anos ou com 22..só quero sentir o vento sob as asas e voar mesmo que o ar seja pesado e um dia eu posso cair ou ter que pousar..
    lindo texto Veh e que caiu como uma luva em mim hj! 🙂

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