Quando sair da teoria funciona

Vivemos na era da informação, e esta chega por todos os cantos: está nas esquinas, nos outdoors, entupindo nossos boeiros, os sites de notícias, livros e revistas, e enfim, tumultuando nossos pensamentos e confundindo nossas cabeças. Vamos acumulando dados e mais teorias, que vão ocupando espaço no nosso hd interno e parecem só servir para nos fazer perder o melhor da vida. Enquanto estamos atordoados estudando, defendendo nossas teorias e teses de mestrado, monografias, fazendo nosso trabalho, temos a sensação de estarmos distantes de tudo o que nos proporciona prazer, apenas cumprindo com nossas obrigações com a busca pela ascensão social ou status.

Nos obrigamos a manter essa relação massante com as informações e o conhecimento, descartando-os depois que efetivaram suas funções, nos levando aos lugares aonde pretendíamos chegar. Pior do que isso, porém, é que sem sequer nos darmos conta, infligimos esse mesmo modelo às crianças e aos adolescentes, que assim como muitos de nós, passam anos de sua vida decorando informações – as quais apenas algumas frações se converterão verdadeiramente em conhecimento – que jamais saberão qual a função na vida real. É claro que toda generalização é um erro, e nem todas as pessoas acham massante aprender; nesse caso o aprendizado não é um meio de alcançar um objetivo, mas é o próprio objetivo.

Esse seria um problema apenas pessoal, já que em tese cada um escolhe com o que gasta seu tempo, porém acaba afetando o todo. Apesar de pertencermos a uma era informacional, as pessoas pensam cada vez menos e compram suas ideias assim como chicletes em mercearias, provocando mal-entendidos, debates infundados e uma grave falha de comunicação. Ficou muito mais fácil manipular e o senso-crítico tem estado em falta.
Para quê então tantas notícias, tanta valorização dos diplomas e tempo gasto com uma educação que desmotiva e reprova o pensamento próprio, a reflexão e a busca pelo entendimento do universo através do conhecimento científico?

Informação nenhuma têm sentido se não levar a um pensamento superior, além da decoreba de fórmulas e classificações taxonômicas que não têm função alguma na vida prática, e deveríamos fazer diferente. De nada adianta ensinar a um aluno sobre a Guerra Fria se ele não entender as consequências que a mesma trouxe para o mundo contemporâneo, assim como não há porquê insistir em fazer alguém decorar nomes de vermes se não for para entender as doenças que estes podem causar e aprender a prevenir os tais males.

Enquanto continuarmos nivelando por baixo, apresentando aos nossos estudantes conteúdos vazios e imensos, iremos manter a desigualdade social e a “bundamolice” que assola esse país, com o perdão do termo.

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