“She’s always buzzing just like neon…” ♪

Nada melhor que o tempo para nos trazer clareza ao enxergar algumas situações. O tempo e suas incertezas, sua rapidez, seu alívio. O tempo para nos trazer respostas às questões que outrora eram dúvidas. Depois de passado um turbilhão de experiências as quais eu não sabia interpretar, de ter vivido momentos que eu nunca havia imaginado e de ter me decepcionado com as pessoas nas quais eu mais acreditava, cheguei a algumas conclusões e a principal delas é a seguinte: há uma espécie de mal inerente à raça humana, que tem o poder de destruir, corroer e é comandado pela vaidade do homem.

Estou me reerguendo depois de me livrar do egoísmo daqueles que, em nome de um cuidado patológico e obsessivo, nos condenam a uma espécie de não vida. Estou me livrando das garras daqueles que só se apoiam nos nossos ombros para lamentar e nos cospem quando não temos nenhuma outra utilidade. Eu sei, há algo de maligno em mim também e, para a frustração de alguns, tenho muito mais de Bukowski e maldita do que muitos, inclusive eu, gostariam!

E, para tanto, estou tentando viver… Viver como se não fosse haver outra aurora, como se novos momentos eternizados na memória tivessem o poder de me tornar mais forte e me fazer enxergar as coisas de outro modo, mais otimista e duro também. Mergulho em filmes, livros, conversas que duram madrugadas e que possam me dizer coisas que ainda não sei sobre mim mesma. Me perco em cinzas de fumaças e papéis, cartas, sonhos e lembranças queimadas. Me afogo em porres e mortes diárias, amnésias alcoólicas, na tentativa de deixar fluir meus lados de puta, de santa, de filosofa de botequim e dançarina de festas. É bom ser, sem máscaras.

E assim eu vou vivendo e matando todas as saudades das coisas que ainda não vivi. Vou morrendo e fazendo nascer novas faces minhas das minhas próprias cinzas. Vou me livrando de tudo que me sufoca, me entorpece e me suga, e me enchendo de tudo que me completa, me inspira e me dá gana de acordar para um novo dia e, quem sabe, novos planos, sonhos e conquistas. Eu não tenho medo do novo, mas tenho pavor de não sair do lugar. “Eu pescador de mim…”

*O título é um trecho da música Neon, de John Mayer.

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