Descriminalizar o Aborto ou dar Amparo às mães?

Assunto ampla e calorosamente discutido por leigos, feministas e religiosos, a descriminalização do aborto ainda é um tema que carrega consigo muitos pontos polêmicos, que, por vezes, dificultam o seu entendimento e conversas no mínimo civilizadas sobre o assunto. Do ponto de vista de alguns especialistas e feministas, a sua descriminalização nada mais é do que regulamentar o direito que a mulher deve ter de tomar decisões que digam respeito a seu próprio corpo, levando em consideração os parâmetros científicos que afirmam que a vida inicia-se após a  oitava semana de gestação. Já para os religiosos, não há meio termo, sendo o aborto para eles um desrespeito à vida.

Muito discute-se acerca dessas questões, porém pouco fala-se a respeito de que medidas poderiam ser tomadas com maior eficácia para evitar que mulheres engravidem sem desejar e para garantir o apoio àquelas que optam por ter seus filhos. Já é batido falar da educação sexual, do planejamento familiar, mas e quando as duas coisas falham e a mulher opta por ter a criança?

A nova piada do país é o auxílio pré-natal, no qual o governo disponibiliza uma quantia de míseros R$50,00 –  pagos em duas parcelas! – para que as gestantes que fazem acompanhamento pelo SUS possam se deslocar até os hospitais. Melhor do que nada, mas será que essa contribuição ainda não é muito pequena se comparada à contribuição que uma mãe dá a sociedade? E mais: e quanto ao amparo que deveria ser dado às mesmas após o nascimento, que é onde o desafio começa de fato?

Por questões de mudanças na estrutura das famílias, hoje, a tarefa de ser mãe se tornou muito mais complicada e exige muito mais da mulher, que, no momento em que se torna mãe, apenas sofre um acúmulo de tarefas: trabalha, é dona-de-casa, estuda e ainda precisa tomar conta de seus rebentos. É justo que o governo dê amparo a essas mulheres, prolongando o período de licença maternidade, criando mais e melhores creches e berçários, mantendo hospitais capazes de dar auxílio às mães nos primeiros meses de vida da criança, melhorando a educação das escolas públicas e, principalmente, não tratando a mulher como se suas dificuldades fossem iguais as dos homens, porque não são.

Se questões culturais e burocráticas ainda nos impedem de descriminalizar o aborto, por que não trabalhar para evitar que este se faça necessário?

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