Então você quer dizer que machismo é ruim e feminismo é bom?

Desde Felipe Neto e PC Siqueira, os vlogs viraram uma mania no youtube. Até eu gostaria de ter um, e penso muito nisso, mas minha câmera não é tão boa e eu morro de preguiça de editar filmagens, então vou continuar com meu blog! Hoje assisti a dois vídeos, um do canal do Clarion De Laffalot, e outro no canal do Felipe Buarque, ambos fazendo críticas ao feminismo, o que me deixa muito satisfeita, na verdade, porque acho legal ver homens que se declaram não machistas tentando levantar argumentos e enriquecendo as discussões.

Os pontos que mais achei legais para levantar discussões, foram os seguintes colocados:

  • “O feminismo tem sido tratado como uma religião. As feministas o tornaram um assunto blindado, acham que ele é imune à críticas (…) o feminismo tem deixado de lado a ideia de lutar por igualdade e vem lutando por privilégios.”
  • “As leis brasileiras sempre discriminam em função da mulher: aposentadoria, proteção ao mercado de trabalho da mulher, separação, guarda dos filhos, licença maternidade.”
  • “As mulheres, em média, são condenadas a penas 40% menores do que os homens, quando cometem o mesmo crime que eles.”
  • “Com as conquistas já garantidas nas leis, as mulheres não precisam de novas leis feministas, e criar novas leis seria conceder privilégios a elas. Porém ainda são válidas mudanças promovidas na base da educação e na conscientização das pessoas.”
  • “As feministas não reivindicam o fim do alistamento obrigatório para os homens nem a igualdade na aposentadoria por tempo de contribuição (30 mulher e 35 homem) ou idade (60 mulher e 65 homem).”
  • “As mulheres vivem mais do que os homens, em média 7 anos: contribuem menos e vivem mais, desfrutando do INSS mais do que eles, que tem menos tempo livre para desfrutar de seu esforço.”
  • “As feministas são chatas que gostam de ficar discutindo etimologia, ou seja, acham que tudo é uma forma de discriminação.”
  • “As feministas gostam de patrulhar as roupas das mulheres, fazendo agora o papel que antes era dos homens, ou seja, estão apenas trocando o opressor e mantendo a opressão. Acham que se a mulher está usando roupas curtas demais, é um absurdo pois está se rendendo à sociedade sexistas e acham outro absurdo mulheres com roupas demais, pois dizem que estão sendo oprimidas pela sociedade machista.”

Esses foram alguns argumentos, que reuni resumidamente e que você pode entender melhor o contexto assistindo aos vídeos, e achei mais interessantes para desfazer algumas confusões acerca do assunto.

Acho muito engraçado que em grande parte desses vídeos fazendo críticas ao feminismo, os autores tentam provar por a mais b que os homens são tão ou mais discriminados que as mulheres, buscando colocar em xeque a importância do feminismo e invalidar sua luta porque eles acreditam que tudo não passa de ociosidade de mulher que não tem louça na pia para lavar. E, curiosamente, esses rapazes não se consideram machistas, são apenas bons homens esclarecidos, cof cof! Para eles, machismo é só quando uma mulher apanha do marido, sofre um estupro e é chamada de puta. O resto, é uma invenção do feminismo para acabar com a significância masculina.

Primeiramente, o que a maioria das pessoas não entende é que a luta contra o patriarcado beneficia a todos, tanto homens quanto mulheres. Ela é a base do feminismo, o que leva as pessoas a definirem, por isso, que ele é uma ideologia em favor da igualdade e não quer ostentar nenhum privilégio. Como eu já disse no meu texto de ontem, a extinção do patriarcado conseqüentemente levaria à queda dos papéis de gênero que promovem a desigualdade entre homens e mulheres.

Entretanto, é muito óbvio que o feminismo é dotado de imperfeições e discordâncias entre as próprias feministas, assim como acontece com todo e qualquer movimento de minorias políticas em que não há nenhuma centralização, ou seja, uma carteirinha e um conjunto de normas que incluam ou não pessoas em determinado âmbito político. Além disso, sabemos que houve muita confusão entre feminismo, igualdade e misandria. Algumas mulheres que se dizem feministas acreditam sim que devemos inverter a lógica da opressão e submeter os homens aos interesses femininos. Não preciso nem falar da desonestidade intelectual daqueles que afirmam que, porque existem loucas pregando o ódio, todas as feministas são loucas que pregam o ódio e fazem reivindicações furadas. Seria o mesmo que dizer que porque alguns homens estupram, todos os homens são estupradores em potencial.

Acho engraçado quando o Clarion diz que as leis favorecem as mulheres: me parece um tanto natural que em uma sociedade patriarcal onde as leis foram fundadas em cima de papéis de gênero muito bem estabelecidos, algumas leis pareçam beneficiar as mulheres, como por exemplo o fato de a mulher se aposentar mais cedo e com menor tempo de contribuição. Haja vista que na maioria dos casos as mulheres que trabalham enfrentam uma jornada dupla ou tripla de serviço, ao fazer a maior parte do serviço doméstico (foi aumentado em apenas 8 minutos o tempo que os homens dispensam fazendo essas tarefas), tenho a impressão que a redução no tempo de contribuição e idade para a mulher se aposentar seja a maneira que o legislador encontrou de criar alguma igualdade. Aprendi que isonomia no Direito significa “tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na medida de duas desigualdades”.

Porém, a suposta desigualdade na questão da aposentadoria tende a mudar ao passo em que o homem tenha a mesma responsabilidade que a mulher sobre as tarefas do lar, o cuidado com os filhos do casal e esta, desempenhe com mais facilidade o papel de chefe da família, assim como desigualdade a falácia do listamento militar obrigatório, que a Lola abordou muito bem nesse post.

E vou ainda mais fundo dizendo que são necessárias leis novas, mais eficientes e adequadas à realidade da mulher que se torna mãe hoje em dia. Precisamos sim de leis que aumentem o tempo de licença maternidade e ajudem a mulher a retornar ao mercado de trabalho após a maternidade, que façam força frente à cobrança desumana que a mulher que se torna mãe sofre da sociedade, que exige que ela seja bem sucedida, independente emocional e financeiramente, tenha tempo para estar impecável e eduque muito bem seus filhos.Não vivemos mais nos tempos de nossas mães e avós, onde leis mais eficientes não se faziam tão urgentes. Hoje, as mulheres que têm filhos não trocam, mas acumulam funções e papéis.

Além de proteção à maternidade, licença maternidade com maior duração, leis onde o Estado ampare a mulher que deseja ser mãe e facilite sua vida, também precisamos de leis que descriminalizem o aborto e cuidem do planejamento familiar para que as mulheres tenham como escolher se querem ou não ter filhos. E nada disso se trata de vitimização, de colocar a mulher em uma posição de fragilidade só quando nos convém, mas de lutar para que tenhamos um retorno do Estado proporcional à contribuição que nós mulheres damos, literalmente povoando o mundo com nossos úteros e amamentando a humanidade, afinal, todo mundo nasceu de alguma mulher e a sociedade precisa de pessoas para se manter.

O feminismo não é uma ideologia perfeita que está imune à críticas, pelo contrário, ainda precisa crescer muito e buscar soluções mais eficientes para os problemas que necessita enfrentar. Dito isso tudo acima, sugiro que os que tentam invalidar as importância do movimento, tentando mostrar o quanto a sociedade é injusta com homens, branços, héteros, cissexuais e de classe média, procurem entender melhor as questões que se dispõem a discutir e venham dotados de argumentos realmente válidos e não falácias e desonestidade intelectual.

Enquanto feminista, quero liberdade. Quero que as mulheres possam se vestir da forma que acharem melhor, dependendo unicamente de sua consciência e livre arbítrio, sem a influência de padrões machistas. Desejo que os homens eliminem os tabus, e passem a fazer exames preventivos e a cuidar melhor de sua saúde para que sua expectativa de vida aumente, além de torcer para que a violência entre os jovens, homens, negros e pobres, diminua que haja uma melhora na qualidade de vida masculina! A patrulha moralista pelas roupas, a violência, a falta de incentivo à saúde dos homens, são invenções do patriarcado, não nossas. Nós feministas, lutamos exatamente contra isso!

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18 comentários

  1. Quanto ao festival de assossiações equivocadas contido nos dois vídeos, concordo com você, Veronica.
    Quanto à forma, me chamou a atenção como o vídeo do Clarion já falha de saída com o tom condescendente. Um tanto contraditório, ou no mínimo estranho, para quem diz se colocar em plano de igualdade.

    No mais, assumindo o risco de estar desatualizado (posto que me alistei há muito, mas há muuuuuito tempo) acho que o post da Lola derrapa quando diz que na prática só serve no exército quem quer.
    Lembro-me que entre amigos e conhecidos na época, nem todos tiveram a sorte que eu tive de escapar por conta de excesso de contingente.
    Aliás, no mesmo dia e quartel em que me apresentei para a seleção, por coincidência também se apresentavam dois vizinhos que não queriam servir, mas se ferraram.
    Porém, mesmo com essa ressalva, concordo com as considerações dela em torno do tema.

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    1. Eu também achei que ela fez uma generalização perigosa afirmando que só serve quem quer. Mas acho que atualmente é a tendência mesmo. Nenhum dos meus amigos dos tempos de colégio e dar turmas que eu andava queriam servir e nenhum deles foi convocado (e eu ando com MUITOS homens). Um ex-namorado meu está seguindo carreira, mas foi por escolha e ele me conta que foi muito tranquilo no alistamento pros rapazes que não queriam servir, pois todos são questionados se querem ou não ficar e dão preferência aos que dizem sim.
      Obrigada pelo comentário (:

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  2. Nesse momento estou escrevendo este post no meu computador, (q foi inventado por homem) na internet, (inventada pelo homem) dentro de minha casa, (cada tijolo foi colocado por um homem), vivendo numa cidade planejada e construida por homens (brasilia), em um continente descoberto por homens, usufruindo de direito democrático e liberdades inventadas tb por homens. Amo ouvir blues e sei q foi criado por homens recem saidos da escravidao, assim como o jazz, enquanto q as mulheres muitas das quais com educaçao formal em musica classica nos seculos XVIII, XIX e XX nao criaram nada de interessante. Enfim… A luz de todos esses fatos vejo como o feminismo q era um movimento q antes buscava direito de oportunidades e igualdade, se presta hj somente como auto afirmaçao perante a falta de realizaçoes femininas ao longo da historia da humanidade e principalmnete no seculo XX onde conquistaram a tao sonhada “emancipaçao”.

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  3. Veronica seu texto foi ótimo até o seguinte trecho.

    “E nada disso se trata de vitimização, de colocar a mulher em uma posição de fragilidade só quando nos convém, mas de lutar para que tenhamos um retorno do Estado proporcional à contribuição que nós mulheres damos, literalmente povoando o mundo com nossos úteros e amamentando a humanidade, afinal, todo mundo nasceu de alguma mulher e a sociedade precisa de pessoas para se manter.”

    Me perdoe, mas você foi infeliz e sexista em sua colocação, pois do que eu sei mulheres não são seres assexuados. O retorno do Estado tem que ser sim proporcional à contribuição social e não biológica, se for assim acho que o estado deve muito ao homem pelo seu esperma. Atenha-se ao feminismo social, filosófico e político, será muito mais produtivos a todos.

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  4. O post que você indicou para contra argumentar o fato de ser discriminatório o fato de somente homens serem obrigados a se alistar no exército não me convenceu. A autora menospreza o fato, justificando que “apenas” 4,5% dos homens são obrigados a servir. Ora, esse percentual é absurdo, assim como seria absurdo dizer que “apenas” 4,5% das mulheres foram estupradas no último ano.

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    1. Meu amigo ganha pra ficar parado,se tiver uma guerra eles vão,mmais quanto a isso,essa foi uma regra resultado do machismo e não do feminismo,feminismo prega a liberdade sobre o próprio corpo,tanto masculino quanto feminino,essa regra foi criada com base no”o homem e mais forte “então não nos culpe

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  5. Olá, Verônica. Provavelmente serei “linchada” pelo que falarei aqui. Bom, eu ainda era criança quando ouvi falar sobre o feminismo, e achei o máximo! Super apoiava as feministas e sonhava em ser uma. Podem falar o que for, mas a mulher foi (e em muitos casos ainda é) oprimida. É fato que a alguns tempos atrás, a mulher não tinha direito nenhum, enquanto os homens estavam cheios deles. Acontece que graças a luta das feministas (e as mudanças dos tempos) a mulher passou a conquistar muita coisa. E acho que devemos reconhecer que as lutas feministas foram muito importantes. O que está acontecendo agora, Verônica, é que algumas feministas estão parecendo machistas, com ideias extremistas, querendo reduzir o mundo masculino a pó, querendo ser, não iguais , mas sim superiores a eles . Nas redes sociais chega a ser um saco! Uma vez vi em um post, um garoto dizendo ser a favor das feministas e outras coisas mais, defendo a classe, e que as achava importante, eis que aparece uma menina (que se intitulava feminista) dizendo que ele deveria ficar quieto, porque aquela luta não era dele, ele não era mulher e não sabia as opressões que as mulheres viviam. Outra vez, em um post sobre o aborto, uma moça comentou que era contra e argumentou com as que eram a favor, uma delas pediu que ela “calasse os dedos”, antes de falar merda. Sem contar os rótulos: sua pró-vida, beata e etc. E é aí, que elas perdem o respeito! E me fizeram (por um bom tempo), pegar nojo da classe.
    Porque, na minha humilde opinião, o ideal feminista era por igualdade. E a teoria é ótima! Temos que levar em consideração, que as mulheres são tão importantes quanto os homens são, ambos tem o seu papel fundamental na sociedade . Ninguém é melhor ou pior que ninguém.
    Tenho um pai maravilhoso, que nunca duvidou de minha capacidade para fazer as coisas, nunca implicou com uma roupa curta que eu usasse, e sempre me apoiou em minhas decisões. Tenho um marido que me ajuda com os serviços domésticos, que limpava a casa e cuidava do nosso filho sozinho, enquanto eu fazia faculdade. E tenho um filho, que eu não gostaria que crescesse em um mundo, entre brigas feministas x machistas . Gostaria que ele crescesse e entendesse , que independente de cor, sexo, idade, todas as pessoas tem direitos iguais e que ninguém, pode tentar tirar isso delas. Eu temo que o feminismo, vire o machismo, de antigamente , sabe?
    De qualquer forma, desculpe pelo comentário enooorme. O seu texto ficou bom e você parece ser uma feminista legal. 😉

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  6. Feminismo legitimo é aplaudível .não existe motivo para a mulher receber menos fazendo o mesmo serviço . direitos iguais é básico .

    Mais o sentimento mudou o feminismo não é mais para direitos iguais em grande parte ,
    é sim para inversão dominação provavelmente lésbica e aniquilação dos homens . esse é parte do sentimento .

    Eu vejo uma geração de mulheres que tornou sexo banal . claro que a mulher pode fazer o que quer . mais isso vale para todos os lados . mais isso tem um preço .
    E de fato esse tipo de mulher acabou com casamento , sem hipocrisia .porque isso é viral .

    Nenhum homem quer casar com uma mulher que simplesmente diz: que experimentou todo tipo de pinto . e fala isso com todas as palavras .
    a mulher está grosseira , se rebaixando ao nível do homem . porque ela acredita que pode fazer o mesmo . porem nem todos homens são galinhas grosseiros de bar . pois é …
    Um amigo me disse essas palavras
    ”casar para que ? essa é uma instituição falida . essas mulheres que estão na rua é a geração beijo grego . não se namora com uma mina assim .”
    é uma por semana sem esforço algum . elas se atiram na minha cama sem eu pedir rs .”

    agora depois de 10 anos . existe uma fila de mulheres que cansaram da putaria .
    e encontrando dificuldades em arrumar um par .
    porque sera?

    sinceridade sem hipocrisia .

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