“Medo que dá medo do medo que dá…”

Renato Russo colocou em palavras uma realidade do meu cotidiano: “Todos os dias antes de dormir, paro e penso como foi o dia.”. É nesse momento que penso nas minhas tantas incertezas, em minhas certezas tão mutáveis e pego no sono tentando responder as retóricas em minha cabeça. São tantas contradições e paradoxos, tantos medos e tantos atos de coragem, tantas cobranças e tanto descompromisso, que me faltam estruturas para organizar tudo em pensamentos coerentes. A coerência me foge o tempo inteiro.

Eu tentei ser coerente com as minhas escolhas, ser coerente nos meus amores, com a minha escrita, mas descobri que meu maior compromisso é com a vida. É ela que eu quero valorizar, é sobre ela que não quero ter a sensação de que deixei para trás. Eu posso carregar o peso de saber que fui incoerente e contraditória, mas não o peso de que fiz da vida algo que não gostaria. Eu aguentaria a culpa por magoar qualquer pessoa, menos o fracasso declarado por mim mesma me dominando a cabeça. Eu aguentaria me contradizer dia após dia em todas as crônicas e pensamentos que publiquei, mas não o peso de permanecer presa a uma ideia que não sou eu.

Vivo com essa necessidade constante de saber cada dia mais quem eu sou e o sentido de estar presa nesse universo, com a jocosidade de ser alguém entre outras bilhões de pessoas. Vivo achando que devo fazer algo de muito útil, de muito extraordinário, de muito inovador. Vivo pensando que talvez eu precise de respostas para as perguntas que ninguém faz, precise enxergar por ângulos que ninguém olha.

Afinal, “será que não temos tempo a perder” ou “temos todo o tempo do mundo”?, qual é o limite que separa a nossa coragem da covardia?.

E sei é que preciso aproveitar melhor o meu tempo, é que minha vida precisa parar de existir apenas depois que saio do trabalho e cumpro minhas obrigações. Minha vida deve começar no instante em que acordo e não ser vã no momento em que desligo. E sei que a coragem de viver minhas escolhas e colocar em prática as imagens que circulam em minha cabeça, não significam a ausência do medo. A ausência de medo é burrice. Negar o medo é negar a existência humana. Coragem talvez signifique que existem vontades, sentimentos, lugares a se conhecer, planos para concretizar, que são mais grandiosos que nossa gana por controle. Coragem é desapegar, ainda que doa. Coragem é se entregar, mesmo que sofra.  Coragem é saber que algo é maior que o nosso medo.

* Título faz parte de Medo, música de Lenine e Julieta Venegas.

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