Um brinde aos sincericídas

Luiz Fernando Guimarães interpretou para a televisão o “Super Sincero”.  Na série, o personagem faz rir dizendo o que todos nós pensamos, porém não temos coragem de dizer, sendo, assim, taxado de grosso. “Se você mente, então é chamado de mentiroso. Agora se você é sincero e fala a verdade, dizem que você é grosso”, afirma. O personagem é aquilo que eu costumo chamar de “sincericída”.

Há tempos penso no limite para a sinceridade, sempre fico com o meio termo. Obviamente existem as mentirinhas do bem, aquelas que usamos para não causar climas inconvenientes, e que não fazem nenhum grande mal a ninguém. Mentir que está tudo bem, quando você não quer falar por que motivo tudo anda mal. Dar um sorriso ao chefe para não atirá-lo escadaria abaixo, e manter o emprego do qual você necessita. Se calar no calor de uma briga e não falar tudo o que vem à cabeça para evitar o arrependimento depois. Viver sem essas pequenas fugas é inevitável, mas o tema de hoje nesse blog é o papo furado.

Imaginem o mundo se as pessoas dessem menos voltas para chegarem aonde querem. Talvez você tomasse um susto, claro, com alguém te dando uma má notícia sem se cercar de alguns eufemismos, mas talvez você agradecesse por aquele aprendiz de cafajeste não te iludir pra te levar para a cama. Talvez o tal do cara também fosse chamado de pervertido por algumas, mas aposto que economizando o tempo de ludibriar moças para conseguir algo mais, o resultado seria mais sexo em menos tempo. E a melhor parte? Você ter a chance de evitar se apaixonar pela ideia de um sujeito maravilhoso que vai deixar de existir após a segunda manhã de sexo, e ele ainda reduz as chances de ser chamado de canalha por alguma desavisada.

Um pouco mais de sinceridade talvez te trouxesse menos amigos, mas com toda certeza te livraria daquele colega chato que adora desperdiçar seu tempo contando vantagens e falando de assuntos que pouco te interessam. O fato é que ninguém merece papo furado. Papo furado do namorado, do amante, do ficante, do amigo, do político, do chefe, do advogado, do réu, da consciência.

A sinceridade não é apenas uma relação entre nós e os outros. É, primordialmente, uma relação entre nós e nós mesmos. Sinceridade é agirmos com a nossa alma, ainda que isso nos leve a agir de outro modo que não aquele que esperam de nós. Ser sincero consigo é eliminar pesos, é se afastar de pessoas e atitudes que não nos levam além, é deixar de acreditar nas mentiras que contamos a nós mesmos.

Um brinde aos sincericídas! A praticidade de um sincero pode te assustar, mas pelo menos te livra do blá blá blá.

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2 comentários

  1. “Nunca sabemos quando somos sinceros. Talvez nunca o sejamos. E mesmo que sejamos sinceros hoje, amanhã podemos sê-lo por coisa contrária”.
    (Fernando Pessoa)

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  2. Suas crônicas são ótimas linda. Por acaso as encontrei, não era bem o que estava procurando na net, mas como estou sem nada para fazer me lancei na leitura de algumas… não me arrependi nenhum pouco. Parabéns!

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