Suicídio assistido

Durante essa semana muita polêmica foi levantada com a notícia de uma norte-americana de 29 anos que cometeu um suicídio assistido após descobrir um câncer no cérebro que a tornou uma doente terminal. O procedimento é liberado em alguns poucos estados americanos e foi a escolha da moça. Após colocar em prática sua lista de “Coisas para fazer antes de morrer”, ela morreu confortavelmente em sua cama, ouvindo suas músicas prediletas e ao lado das pessoas que mais estimava.

Por outro lado, há pessoas que não estão doentes, mas morrem lentamente em vida. Não arriscam, não quebram regras, não contradizem a si mesmos sem sofrer por dias com a culpa. Não viajam sem planejar por meses, não reciclam as ideias, se acuam diante do novo. Outras passam por cima da ética, da justiça e de si mesmas para não bater de frente, para manter a ordem e a conveniência. Gente que teme suas próprias emoções e é escrava de convicções baseadas em uma porção de regras inventadas. Gente que não subverte, não petisca, não muda nunca. Gente que se enfadonha de si mesma.

                          As melhores lembranças surgem das piores ideias.

Se regras e o controle são necessários, a loucura também o é e já sabiam disso os religiosos cristãos na Idade Média. A Festa dos Loucos, evento que fazia parte do calendário cristão, reunia três dias de loucura, vinho, e tudo mais “para que a insensatez, que é nossa segunda natureza, e inerente ao homem, pudesse se dissipar livremente pelo menos uma vez ao ano. Barris de vinho de tempos em tempos estouram se não os abrimos para entrar um pouco de ar.”. Sabia-se que a loucura era necessária para manter a ordem quando a ordem fosse essencial.

E voltando ao tópico do post, me soa paradoxal esses tantos julgamentos feitos a respeito da decisão tomada pela norte-americana de encerrar sua própria história, de ser condutora de sua própria jornada em rumo ao seu próprio destino ao invés de aguardar sua hora escrita nas estrelas. O suicídio em doses homeopáticas de apatia e conformismo diante da vida e de nós mesmos me soa ainda mais grave. Não estamos doentes, afinal.

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