Please, stop the drama!

Alguns chamam de envelhecimento ou de chatice, mas eu chamo de amadurecimento: o tempo passa e me falta a paciência para determinadas situações e pessoas. Quero fora do meu convívio gente que reclama, mas é incapaz de solucionar seus problemas e, ainda, pessoas que mandam recados ao invés de olhar nos olhos e tentar solver diferenças. No meu egocentrismo, não consigo mais aceitar pessoas que em seu individualismo, só conseguem enxergar um lado da situação – eu gosto mais de mim do que sou capaz de suportar quem só pensa em si.

Tenho a primazia pelos poucos e bons, tenho preferido a qualidade em lugar da quantidade, seja num rodízio de pizzas ou na hora de escolher com quem e de que forma vou passar minhas preciosas horas livres no final de semana. No meu mundo chato e maduro, eu tenho a paz de estar acompanhada de pessoas que estão mais preocupadas comigo e em encontrar coisas em comum, do que atualizar álbuns de fotos no facebook e digo mais: nesse meu universo paralelo, resolvo minhas próprias pendências e tento, ao máximo, encontrar saídas antes de me lamentar.

Não quero repetir os mesmos erros sempre, brigar pelas mesmas causas, lutar pelos mesmos sonhos. Quero conhecer lugares diferentes, pessoas distintas e descobrir o quanto disso tudo me faz bem ou mal. Quero um mundo onde se faça menos drama e se corra mais atrás dos sonhos! Um mundo se faça mais amor, e menos a guerra; qualquer forma de amor e qualquer forma de guerra..! Quero um mundo onde a própria evolução leve as pessoas a reconhecerem seu próprio valor e a dimensão de seus atos e erros. Um mundo mais meu, e com os meus… Decifra-me ou devoro-te, porque eu não tenho tempo, idade e nem paciência pra quem me suga e não me enriquece!

*Post agendado, blog em recesso.

Com outros interesses, outras ambições… ♪

O tempo passa e eu ainda continuo sendo os mesmos discos, os mesmos ídolos, as mesmas reflexões. Com um olhar mais atento, realista e maduro, também crio novos planos e desenvolvo ambições mais reais. E tudo me leva a pensar sobre a coragem… Que ela nunca falte, pois ficaria muito fácil desistir! Serão alguns meses sem ver muito os amigos, sem usar muito o computador, andar de patins e sem postar muito aqui no blog, então os vejo em breve!

Outro ciclo em diferentes fases
Vivendo de outra forma,
Com outros interesses,
Outras ambições mais fortes,
Somadas com as anteriores
Mudança de prioridades,
Mudança de direção ♪

*Todos os posts a partir de hoje serão agendados!

 

A Moça Do Tempo

Acho que todo mundo tem o costume de prestar atenção na previsão do tempo. A moça da TV acaba sendo responsável por sairmos de casa carregando casacos ou usando roupas de calor, e no caso dos paulistas, responsável por sairmos de casa preparados para enfrentar as quatro estações do ano em um só dia. Porém, a moça do tempo não nos fala sobre todos os aspectos do tempo, principalmente daqueles que só aprendemos com a chegada de uma certa dose de amadurecimento.

O tempo, além daquele que falamos quando não temos algum assunto mais interessante para puxar conversa, também é o fator representado pelos relógios, capaz de nos situar na dimensão em que vivemos, de apaziguar algumas de nossas dores e, ainda, de nos levar a compreender algumas situações mais complexas. Talvez, a maior de todas as dores – e a melhor também – seja compreender que o tempo passa e que nós passamos junto com ele. Nós e as oportunidades, os amores, as dores e as pessoas que nós deixamos que se vão ou que inevitavelmente acabam indo. Impossível não pensar na magia que o tempo carrega consigo.

Porém, perde-se muito tempo, sobretudo com coisas desnecessárias. Perdemos tempo estando de mau-humor e reclamando da vida que poderíamos mudar se agíssemos. Perdemos tempo formando opiniões calcadas sobre preconceitos e pré-julgamentos e assim, deixamos de formar novas e melhores ideias e conhecer pessoas diferentes que possam agregar de alguma maneira. E eu perco tempo, especialmente, pensando no tempo que estou perdendo, pensando em todas as coisas que fazem com que eu sempre fique com a sensação de nunca viver a vida ao máximo.

Agora estou otimizando o meu tempo. Estou eliminando da minha vida tudo o que me suga e me entristece, estou querendo bem às pessoas, mormente àquelas que me querem bem e me fazem bem. Estou me afastando dos que perdem tempo criticando os demais e se esquecem de si, me afastando do veneno e da fúria sem causa. Estou contemplando o tempo tentando ver algo de bom até onde não tem. Tenho tentado achar respostas e ver graça nas coisas simples. Assim como a moça do tempo nos ajuda a escolher que casaco levar na bolsa, o tempo do relógio nos ajuda a separar o joio do trigo. “Tempo, tempo, tempo, tempo… Compositor de destinos…”.

O ônus e o bônus da popularização de certas coisas

Primeiro devo começar dizendo que sou totalmente avessa a essa modinha “hipster” de só gostar das coisas ditas cult e/ou impopulares. Realmente penso que as coisas realmente boas precisam ser difundidas e conhecidas por mais pessoas, mas antes que minha introdução deixe alguma ideia de contradição às pessoas que se interessaram pelo título desse texto, devo dizer que não gosto é da banalização das coisas. E me parece que em tempos de compartilhamentos no Facebook, popularidade e banalização caminham juntas.

Há uma onda de pessoas compartilhando frases de Clarice Lispector, Caio Fernando Abreu, Martha Medeiros, Arnaldo Jabor, isso citando só os brasileiros; os mais ingênuos poderiam até achar que isso é sinônimo de que o brasileiro anda lendo mais e adquirindo mais cultura – ledo engano! Quantas dessas pessoas já leram um único livro desses autores? O que ocorre é que a popularização – ou eu deveria dizer ‘banalização’? – desses autores apenas leva a frases fora do contexto sendo propagadas como prova de uma suposta intelectualidade e isso chega a níveis alarmantes! E digo alarmantes porque temos odiadores e amantes de obras e personas que mal conhecem!

Antes fossem apenas o número crescente de apaixonados pela Clarice Lispector! O que mais me espanta, na realidade, é a quantidade de protestos infundados gerados por um simples botão chamado “compartilhar”. As pessoas compartilham, mas muitas vezes, não refletem sobre seus protestos. Chega a ser engraçado, por que às vezes as pessoas reclamam da alta criminalidade, do tráfico de drogas, mas se negam a refletir sobre as possibilidades da descriminalização da maconha e outras substâncias. Compartilham fotos de um bebê jogado no lixo e se encarregam de xingar a mãe, mas se negam a discutir a descriminalização do aborto, e questões tão profundas quando orientação sexual nas escolas. Criticam a marcha das vadias, dizendo que as moças ali presentem protestavam pelo direito à libertinagem, mas não param para refletir no quanto elas se envergonham do próprio corpo e temem um estupro quando precisam sair sozinhas à noite!

A popularização da cultura e de pensamentos interessantes é muito positiva, leva as pessoas a saírem do senso-comum e refletirem questões importantes para  seu desenvolvimento pessoal e social. Já a banalização apenas torna as pessoas mais suscetíveis à manipulação, as priva de pensarem por si mesmas. É o que acontece com o Facebook: o botão “compartilhar” já não obriga ninguém mais a pensar.

Outros artistas interpretam: The Beatles

The Beatles é uma daquelas bandas eternas, não é? Criada em 1960, em Livepool, até hoje permanece atual e conquista fãs por todo o mundo, servindo ainda de influência para muitas bandas que se inspiram não só em seu estilo, mas em suas mensagens e em suas capas de disco, propagando’ sua essência por aí! A importância dos Beatles é tamanha, que Dave Grohl, vocalista do Foo Fighters, escreveu uma carta a respeito do lançamento de uma coletânea de canções dos garotos de Liverpool dizendo o seguinte: “Se não fosse pelos Beatles, eu não teria sido um músico. Simples assim. Desde muito jovem, fiquei fascinado com suas músicas. Com o passar dos anos, mergulhei no catálogo. O groove e a fanfarronice. A graça e a beleza. A escuridão e a luz. Eles pareciam ser capazes de tudo. Não havia barreiras. Essa liberdade parecia definir o que conhecemos hoje como Rock and Roll.”.

Então foi pensando nisso que resolvi fazer algo diferente aqui no blog e dividir com vocêsalguns covers de músicas dos Beatles tocadas por outros artistas famosos! As músicas não estão em ordem de qualidade/gosto.

  • Para começar, uma versão do Oasis para Strawberry Fields Forever, já que o vocalista da Noel Gallagher foi tão influenciado pela banda que é famoso por já ter dito a seguinte frase: “John Lennon tinha um problema: ele achava que era Deus. O meu problema? Eu acho que sou John Lennon.” 
  • Fiona Apple também fez uma versão incrível para a música Across The Universe! Ficou simplesmente espetacular e não dá vontade de parar de ouvir! 
  • Temos também Elton John cantando Lucy in the Sky with Diamonds, que é tão sensacional quanto a música original!
  • Também tocada por uma banda britânica, Florence and the Machine, minha dica é uma versão de Oh! Darling. A música ganhou um tom mais indie rock, e foi uma das coisas que levaram à minha paixão pela voz de Florence Welch, uma das grandes revelações da música britânica dos últimos anos! 
  • Outra cantora que fez um cover da música Oh! Darling foi Sara Bareilles
  • Ozzy Osbourne, apesar de ser considerado pai do heavy metal, é um grande fã dos beatles, e se orgulha por se chamar John (Ozzy é só um apelido) assim como seu maior ídolo John Lennon! E aí fica sua versão de In my Life, uma bela homenagem! 
  • Uma das minhas preferidas é do Eddie Vedder, vocalista da banda Pearl Jam, cantando You’ve Got to Hide Your Love Away. Genial!
  • Colbie Caillat cantando Here Comes the Sun!
  • Feito por mais uma mulher da música, a também inglesa Amy Winehouse, uma versão que pouca gente ouviu da música All my Lovin’, que deixou a música mais voltada ao blues e ainda assim linda. Saudades de Amy Winehouse! 
  • A banda Arctic Monkeys tocou a música Come Together nas Olimpíadas de Londres.

E aí, qual foi a versão que vocês mais gostaram?

Em passos largos ao sul de lugar nenhum…

O tempo anda tão depressa que é comum olharmos para o calendário e já estarmos no meio do mês. É contando sempre a chegada do final da sexta-feira que levamos nossas vidas, com pressa o tempo inteiro. Pressa para chegar logo no trabalho, pressa para o expediente acabar e, por fim, a pressa para voltar para casa . Talvez nossa pressa seja apenas uma ideia ilusória de que chegaremos mais rápido ao sossego. Vamos seguindo, dia após dia, na esperança de um fim de tarde sem nada na cabeça, um tempo livre para podermos gastar com a família ou nossos amigos; quem sabe aquele passeio no parque, aquele barzinho para jogar conversa fora, ler um livro ou assistir aquela comédia bestinha, só para gastar o tempo. Mas, de todo modo, vivemos na era da urgência! Tudo é urgente! É urgente chegarmos ao trabalho, e termos mais dinheiro para as férias, e quando estamos de férias, sem nada para fazer, é urgente que encontremos uma ocupação abrupta para escaparmos do tédio que é conviver apenas com nossos pensamentos.

E como se não bastasse o caráter de urgência das grandes cidades, há ainda a poluição sonora e a tecnologia nos assombrando a cada passo que damos. Quando estamos em casa é o carro da pamonha passando na rua e nos impedindo de ouvir o telefone ou à televisão. Quando estamos no metrô são os celulares de sujeitos sem educação que, como se não bastasse tocarem música alta, tocam música ruim. No trânsito são as buzinas e os palavrões dos apressadinhos, e o pouco que sobra da fé na humanidade indo pelo ralo quando vemos um sujeito despejar pela janela um maço de cigarros já vazio. A tecnologia que nos prometeram que viria para ajudar, apenas está nos engolindo com sua velocidade.

Os celulares nasceram com a promessa de quem não dependeríamos mais dos telefones fixos para nos comunicar e, sem que notássemos, nos fizeram perder aquele momento em que sentávamos ao sofá e  atualizávamos os amigos sobre os acontecimentos da nossa vida. Aos poucos as vozes que ouvíamos do outro lado da linha passaram a ser substituídas por mensagens de texto e as coisas que passávamos minutos contando no telefone, podem ser lidas em instantes no mural de qualquer Facebook. Pensamentos cada vez mais fragmentos em 140 carácteres. E os carros que nos vendem com a promessa de status e conforto só nos garantem a comodidade de ficarmos presos no trânsito.

Perdemos alguns hábitos que davam um sabor mais gostoso para a vida. Não temos mais tempo para nos sentar e ler um livro. Lemos em pé nos ônibus e nos metrôs mesmo, para passar o tempo mais depressa. Já não reservamos um espaço durante o dia para ouvir os discos que gostamos; a comodidade de fazer o download de discos inteiros em menos tempo do que gastaríamos caso fôssemos a uma loja, nos fez deixar de apreciar as fotos dos encartes, o ritual de ligar o som e colocar um CD para tocar. A regra é que ocupemos o nosso tempo de alguma forma e a ociosidade tão necessária, nos vem carregada de culpa.

A Era da Urgência é também a Era da Ilusão, onde somos comprados por tudo e por nada. Somos comprados por promessas de um futuro e uma paz que nunca chegam. Somos comprados pela ideia de um presente que não mais vivemos já que estamos ávidos pelo futuro. E somos consumidos pela ideia de um passado que nos enche de nostalgias. E esse, é um texto sem conclusão, talvez porque a grande claustrofobia dessa nossa era, é não conseguirmos enxergar saídas e nem meios de nos livrarmos dos nossos hábitos que só consomem nossa juventude, nossa saúde e nos fazem viver e morrer por nada. Talvez para enchermos os cofres dos bancos, quem sabe, e usufruirmos muito pouco dos nossos esforços…

Onde estão os imperfeitos?

Nos esforçamos para não comer muito e nos mantermos magros e criamos cada vez mais obsessões com nosso peso e nossas formas. Submetemos nossos corpos à torturas: cirúrgias plásticas com finalidades puramente estéticas, métodos de depilação cada vez mais eficientes e não menos doloridos, e cuidados com nossa aparência que levam a psicopatologias modernas e amplamente aceitas.

Paralelamente, passamos metade dos nossos dias nos privando de nossas próprias opiniões, com um alerta ligado nos dizendo que precisamos ser “do bem” o tempo todo. Não somos sinceros porque uma simples opinião pode ser sinônimo de ofensa. Então acreditamos que somos desprovidos de preconceitos, que nossa moral está acima de qualquer prova e vivemos nesse ambiente simplista e ilusório. Sequer temos coragem de perceber que embora nosso alerta de ações politicamente-corretas-ou-não esteja sempre ligado, ele não nos impede de sermos hipócritas, arrogantes e prepotentes. Nosso ego nos faz crer que nossas verdades são sempre as mais sábias e inquestionáveis. Não odiamos os gordos, mas cometemos loucuras para permanecermos magros, assim como xingamos infratores de “baianos” no trânsito, mas não temos nada conta o nordeste e sua gente que tem “sotaque feio e vem tumultuar o metrô de São Paulo”.

Além disso, embora não acreditemos, nos achamos tão superiores uns aos outros que perdemos a noção do bom-senso e do respeito em nome de modismos questionáveis. Desrespeitamos a fé alheia em nome do nosso direito de não crer em nada. Desrespeitamos a vida alheia pelo nosso direito de viver à nossa maneira. Desrespeitamos o direito do outro de ter livre expressão em nome do nosso direito de expressão!

Não acredito que tenhamos todos que mostrar atitudes exemplares (quando muito as pessoas ainda servem de exemplo para seus filhos), e então, não faz nenhum sentido vivermos como se tivéssemos a obrigação de sermos incríveis e boa gente o tempo todo, isso só leva a maiores confusões! Deveríamos, de uma vez por todas, assumir que somos hipócritas, paradoxais, contraditórios, presas de nossa própria vaidade, sem excessões! Nada mais rejuvenescedor e construtivo do que poder mudar de opinião quantas vezes quiser, mas estamos limitando o nosso direito de ter opiniões, confundindo liberdade com a escravidão gerada pelas próprias regras que criamos e alimentamos.

Se julgassemos menos, talvez tivessemos mais amigos e amássemos mais. Se refletíssemos mais, talvez conseguíssemos enxergar outros pontos de vista melhores. Se parássemos de desperdiçar nosso tempo com pessoas, tarefas e pensamentos que nos sugam e nos cansam, talvez tivéssemos mais tempo para nós e para os nossos e soubéssemos aproveitar mais… Se assumíssemos nossa condição, talvez sobrasse mais tempo para entender que sim, podemos ter opiniões, criticar e odiar o que ou quem quisermos, desde que tenhamos fundamentos para tanto, e que isso não é nenhuma falha de caráter. Creio, inclusive, que parar de fingir as coisas seja uma possível solução para a diminuição dos índices de câncer.

“O mundo está ao contrário e ninguém reparou…”

Às vezes me pergunto se eu sou modernete demais ou se as pessoas é que são caretas e chatas, e sempre tenho a sensação de que está tudo ao contrário. Vivemos num país onde a vida de sub-celebridades e reality shows ganham mais destaque do que os casos recorrentes de corrupção, falhas na saúde, educação, segurança pública, etc… Sofremos de uma patologia que é o apreço por cuidar da vida alheia e nos intrometer onde não devemos.

E tudo isso pra falar que eu fiquei horrorizada quando entrei hoje na internet e vi as pessoas chocadas com uma entrevista da Pitty na qual ela assumiu já ter ficado com mulheres. A pergunta que fica é: E DAÍ?

Não sei se é por conta de ter muitos amigos e a amigas homossexuais, mas até agora eu nunca tinha me dado conta do quanto ainda é polêmico o que as pessoas fazem em sua intimidade, como se isso determinasse o seu caráter ou índole. É um assunto trivial. E mais me impressiona o fato que ao assumirem se relacionar ou ter se relacionado com pessoas do mesmo sexo, metade do universo esquece das qualidades e contribuições positivas que essas pessoas deram!

E aí, quantas pessoas já lavaram a louça hoje?

Blog dos 15, venham conhecer!

É nessa noite fria, do dia 1º de Agosto, que está estreando o novo blog do qual participarei: o promissor Blog dos 15!

Já imaginaram 15 cabeças, com carta branca para escreverem sobre qualquer assunto, juntas em um blog com a intenção de inovar e trazer mais cultura às pessoas? Então, essa é a ideia do Blog dos 15! Temos escritores de diversos gêneros e idades, e em comum, talvez a única coisa que tenhamos é nossa vocação para escrever!

Terei duas colunas no blog. A primeira, que irá ao ar todo dia 4 de cada mês, se chama Crônicas do Cotidiano e será o meu espaço para fazer reflexões sobre assuntos um pouco inusitados; A segunda, publicada todo dia 19, terá dicas de Inglês e se chama English Tips! É isso!

Confiram o nosso primeiro post acessando o blog e conheça um pouco mais sobre nós! Curta a nossa fã page no Facebook! Em breve teremos mais novidades!

O que ele viu em mim?

Você gosta daquele seu jeans que faz com que você pareça mais magra e detesta ó vestido com uma fenda nas costas que ele te deu de aniversário. Você se ama naqueles dias em que o seu cabelo amanhece como se tivesse acabado de sair do salão, mas ele gosta quando você acorda com preguiça de penteá-los, faz um daqueles coques meio mal-feitos, e passa o dia com ele. Ele gosta das caras que você faz enquanto lê um livro engraçado, e fica com aquele sorriso no canto dos lábios. Você nem percebe, mas ele gosta mais de quando você age naturalmente do que quando você se prende a inseguranças e age como se seguisse um roteiro ensaiado de caras, bocas, cabelos e maquiagem.

Ele parece gostar de você exatamente pelos motivos opostos aos quais você preza a si mesma. Você se sente mais segura com aquele novo corte que te deixa com cara de moderninha, mas ele prefere o cabelo antigo, que te deixa com cara de você mesma. E ele te deixa com a impressão de que as características que você e ele detestam em si mesmos são completamente diferentes. Os relacionamentos têm dessas, a gente nunca é amado ou odiado pelas coisas que a gente acredita que é! Ele odeia aquele colete que você o obriga a usar por cima da camisa nos dias de frio; ele diz que fica com cara de nerd, mas você acha que combina com a barba dele e o deixa mais charmoso.

Vocês custam a acreditar um no outro, mas no fundo sabem que esse é um dos pontos mais incríveis de estar ao lado de alguém: sempre dá para descobrir coisas sobre nós mesmos através e com a ajuda do outro. Estar ao lado dele te faz parecer mais real, se sentir mais mulher, mais livre, com mais vontade de ser quem você é e se livrar a cada dia de qualquer insegurança ou vergonha que isso te traga. Te faz acreditar que não só você ou ele, mas que toda pessoa é muito maior do que parece ser e muito mais do que cabe em si. É até esquisito, mas quando ele diz que ama aquela sua marca de nascença que você sempre acreditou que estragava suas pernas, ele te faz perceber que, mesmo com todos os altos e baixos da relação de vocês, um ponto muito crucial ainda está presente para segurar tudo: ele atura as coisas que você julga mais irritantes em si mesma e isso o torna diferente de todos os outros.

Agridoce, 5 indicações ao VMB e um dos discos inesquecíveis do ano

Capa do disco do Agridoce indicada ao prêmio de Melhor Capa para o VMB.

Há tempos venho pensando que o disco do Agridoce é uma espécie de álbum de cabeceira para os hedonistas de plantão em busca de auto-conhecimento e boas reflexões. E não há nada que combine mais com auto-conhecimento do que liberdade. Dito isso, é válido lembrar que Pitty, desde seus trabalhos anteriores com sua banda de rock, sempre abordou esse tema. A diferença agora, além de um outro modelo, com canções tocadas em uma base de piano e violão, e instrumentos experimentais, é a maturidade, uma palavra que inclusive combina muito com o disco.

Como já foi explicado em diversas entrevistas do duo, o Agridoce surgiu de maneira nada intencional, sem compromisso algum de agradar o público, e realmente parece ter sido fruto de reflexões, conversas e raciocínios internos de Pitty e Martin, que em momento algum seriam divididos. Conversas de dois amigos, na sala de casa, que confessam coisas e encontram cumplicidade entre si. É o que percebemos ao ouvir a primeira música do CD: o som vazado e os barulhos do ambiente nos fazem entrar no universo onde foi gravado o disco e mergulhar nessa viagem que fala de busca, insatisfações, desejos, paixões, temores, liberdade e mais uma porção de outras coisas. E a mensagem na primeira música é clara, “Once in hell, embrace the devil!”, uma música que fala de mentiras boas e necessárias, e que convida o ouvinte a escutar o CD e tirar suas próprias conclusões, quase que propositalmente.

O disco do Agridoce conquista e o faz por falar de uma forma convincente, inovadora e poética de coisas que todas as pessoas já viveram, em maior ou menor proporção. Quem nunca se sentiu insatisfeito com a vida e com a humanidade, sem fé, sem conseguir enxergar graça em muitas coisas e se fechou em um mundo particular, acreditando que a vida só vale a pena se pudermos estar nos divertindo com nossos amigos e ao lado de pessoas que nos compreendem e as quais amamos? Dançando fala sobre isso, de uma maneira bonita e hedonista.

Continuando com o álbum, “Say” transforma tudo em um filme, nos fazendo recordar aquelas cenas já que além de saudade trazem cheiros, sabores e as cores de uma câmera Super 8. “Romeu”, a quarta faixa do CD, tem um tom de declaração de amor, de “música doce para pessoas amargas”, como já brincaram Pitty e Martin ao explicar o batismo de seu projeto paralelo. “20 passos” traz  Martin cantando, em uma música que, além de um dedilhado incrível, abre as portas do disco para questões um pouco mais existencialistas, trazendo a questão do auto-conhecimento e da busca presentes nas músicas que vêm mais adiante. “Ne parle pas”, a única faixa em francês do disco, é mais uma música que tem tom de declaração de amor, mas dá espaço a brincadeiras e dizeres nas entrelinhas.

“Upside Down”, é uma das melhores músicas, ganhando bastante destaque nos shows é mais uma música carregada de temas existenciais. Em “Epílogos e Finais” o tema é muito claro, como a Pitty já disse uma vez em seu blog, a injustiça que é viver e começar a envelhecer quando se está no auge da vida. “Rainy” e seu piano preparado, em contrapartida com “Epílogos e Finais”, é mais otimista, com um refrão inspirado, candidata da hit. Em “130 anos”, minha música preferida não só do disco, mas de todos os trabalhos da Pitty, é uma música que fala sobre busca, coragem de seguir sonhos e ser o que se é independente do que outros esperam que sejamos. Uma injeção de inspiração, tanto da letra quanto da melodia, que é espetacular e um dos pontos altos do show! “O Porto” fala de insatisfações, de querer sempre ser mais e melhor, outra dose de inspiração.

O disco termina com uma versão da música do The Smiths “Please, please, please, let me get what I want”, que mais parece uma prece e encerra o CD nos deixando com vontade de sentir tudo o que o disco proporciona mais uma vez. É, sem dúvida, um disco que entrou para a lista das melhores surpresas do ano e que faz jus às 5 indicações que recebeu no VMB. Espero que o trabalho renda ainda bons frutos e que coexista com a Banda Pitty, que também desejo que venha com um disco o qual eu ouça e elogie com prazer assim como o Agridoce!

Para ouvir o disco, clique aqui.

Para votar no VMB, clique aqui.

Clipe Oficial. Direção de Ricardo Spencer. 

Para quem quiser ler a crítica do clipe e ficar um pouco mais por dentro, clique aqui.

O desprendimento e os pensamentos soltos da minha cabeça

O efeito de começar um novo ano solar não poderia ser outro: o desejo de me desprender de tudo o que eu sou e já fui, e me reinventar. Acho que é natural e saudável, por que, no final das contas, a gente acaba sempre se cansando de ter sempre as mesmas opiniões e certezas. E eu tenho buscado ser mais leve, estar ao lado de pessoas leves e ajudar quem queira a levar a vida com mais leveza. Faz um bem danado para o coração e para as rugas.

Me livrei de algumas inseguranças bobas que me impediam de caminhar para frente, me despi de algumas verdades encravadas que eu tinha, me aproximei novamente de pessoas com as quais e me sinto bem e quero o bem, e me afastei de pessoas que me prendiam a pensamentos e rotinas que não tinham mais a ver com quem eu sou agora e quero ser. Não é possível que tenhamos todos que ficar abraçados com nossos problemas e frustrações. Quando a gente pensa pra frente é que se caminha para frente. Quem fica acorrentado ao passado é que permanece preso ao mesmo lugar.

Outro dia tomei coragem, fiz coisas incríveis que eu jamais teria feito a algum tempo atrás. Nada demais e nada de errado nisso também. Só sair, dar boas risadas, assistir a um filminho mais ou menos… Outro dia desci a rua Augusta me sentindo livre, dona de mim e das minhas escolhas.  Passei mais um aniversário desejando coisas boas pra mim e para todas as pessoas. Que a gente tenha fé e sabedoria, que a gente não tenha medo e acredite na nossa capacidade interna. Que a gente veja luz onde não tem e não deixe que nos digam que somos incapazes de realizar e ser o que quisermos ser. Que a gente possa ter calma e sempre aquele restinho de força que a gente percebe quando parece que não há mais saída para os nossos problemas. Que a gente, acima de tudo, reconheça o nosso valor e não se deixe balançar por problemas menores que a gente.

Outro dia também li uma frase, acho que era do Caio Fernando Abreu ou da Clarice Lispector e dizia: “ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber um pouco de amor também”, algo assim. Genial. Então, que a gente ame, mas as pessoas que merecem o nosso amor, porque não nascemos para sermos feitos de idiotas, e que a gente se livre dos medos e se permita se sentir amado. Que a gente nunca desista de nós, mas que tenhamos amor-próprio pra desistir de tudo o que for demais para suportar. Que cada um descubra a vida, e a si mesmo, em seu próprio tempo…

“Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância.” Simone de Beauvoir

Com essa vida que se leva “não sobra nada pra morrer”…

Ninguém gosta de falar sobre a morte. É mórbido, assusta, é estranho pensar no mundo girando sem a gente pra fazer parte dos fatos. E, devido a essa nossa dificuldade de pensar sobre o assunto, acabamos vivendo como se tivéssemos mais sete vidas pela frente, mas não temos. Sempre me faço uma pergunta: “Se eu morresse hoje, eu estaria satisfeita com a vida que eu levei?”, e é claro, a resposta é sempre “não”! A gente idealiza uma vida, mas é sempre impossível colocar tudo em prática e aí ficamos com aquela sensação de que podíamos ter feito mais, mudado uma atitude aqui e outra ali, que podíamos ter tido mais coragem, etc… Sempre me pergunto também como eu viveria se soubesse que só tenho mais um ano de vida e chego à conclusão de que eu me importaria menos com as coisas que tiram o meu sono de noite, que eu teria menos preguiça de me levantar da cama, seria mais próximas das pessoas que eu amo e relevaria mais algumas atitudes para evitar brigas, teria mais coragem de ir atrás do que eu quero e me importaria menos com a opinião alheia, entre outras coisas.

Fazendo todas essas perguntas, eu sempre me surpreendo negativamente com a quantidade de gente que vive amarrado à convicções que não importam porcaria nenhuma, obcecados com a ideia de que é preciso ser normal. Em um mundo capitalista o que é ser normal? É viver em busca de status, dinheiro, ter uma casa bonita e um quadro digno de “família de comercial de margarina” na parede da sala enquanto os problemas se acumulam debaixo do tapete? Enquanto a sede por dinheiro não paga a conta de uma vida gasta tentando se adequar á última moda? Isso é o oposto do normal, nada mais é do que nós humanos aplaudindo a escravidão a que o sistema nos submete.

Estamos nos tornando seres previsíveis e pateticamente parecidos, enquanto deveríamos valorizar as diferenças em nome de um mundo com mais graça, mais cor, mais contrastes e mais humanidade antes de qualquer coisa! Soa revolucionário e romântico, mas não é! Estamos cercados de medo, como se a nossa liberdade fosse um peso maior do que o prazer que ela pode proporcionar. Na verdade nós temos medo e não sabemos nem de quê e o medo é a principal arma do sistema para nos escravizar! Nós somos escravos das instituições religiosas que fazem  de tudo para moldar nossas leis e nos obrigar a agir de acordo com suas epifanias doentes! Somos escravos do trânsito que nos faz perder horas e horas a fio em congestionamentos. Somos escravos da moda, dos padrões de comportamento e de beleza, e estamos deixando que ponham as mãos em nossa bunda e nos digam que ela é grande demais para caber na calça cool da semana de moda! O modo como vivemos é uma espécie de não-vida.

Será que se tivéssemos realmente a consciência de que vamos morrer algum dia, nos importaríamos com qualquer bobagem e teríamos tanto medo de andar fora do rebanho? É simplesmente ilusória a ideia de que um novo sistema mudaria as coisas, que uma revolução adiantaria alguma coisa! Seria o mesmo que fantasiar uma pessoa de árvore, ela continuaria uma pessoa! Temos que começar por nós, viver como se não tivéssemos muito tempo, e começar a agir de acordo com nossa consciência e fazendo as nossas próprias escolhas sem nos importar muito com o que esperam de nós! Embarcar numa viagem de auto-conhecimento e evolução pessoal e só então, poderíamos conquistar todo o resto! Viver não só com nossos corpos e nossas contas bancárias, mas com nossa alma, por inteiro, sendo senhores de nossas vidas e das mudanças que queremos ver!

“Não há nada a lamentar sobre a morte, assim como não há nada a lamentar sobre o crescimento de uma flor. O que é terrível não é a morte, mas as vidas que as pessoas levam ou não levam até a sua morte. Não reverenciam suas próprias vidas, mijam em suas vidas. As pessoas as cagam. Idiotas fodidos. Concentram-se demais em foder, cinema, dinheiro, família, foder. Suas mentes estão cheias de algodão. Engolem Deus sem pensar, engolem o país sem pensar. Esquecem logo como pensar, deixam que os outros pensem por elas. Seus cérebros estão entupidos de algodão. São feios, falam feio, caminham feio. Toque para elas a maior música de todos os tempos e elas não conseguem ouví-la. A maioria das mortes das pessoas é uma empulhação. Não sobra nada para morrer.” Charles Bukowski

E você, morreria feliz? O que faria se tivesse apenas mais um ano de vida?

Eu sou criança grande sabe, e eu quero sair e pular nas poças ♪

Viver é uma aventura muito mais profunda e desesperadora do que parece ser… É ter certezas e mesmo assim estar perdido na estranheza de viver não se sabe como e morrer sem saber onde, quando e nem porquê. E eu chego aos 20 sem conseguir traçar um balanço sobre a minha própria vida, sem saber se algumas escolhas que fiz foram atos de coragem ou a mais pura babaquice mas, acolhedoramente, com a sensação de que eu prefiro fazer o que julgo certo do que ser levada pela corrente e não decidir sobre meus próprios caminhos.

É irônico até perceber que algumas verdades de 5 anos atrás não servem mais e que outras se fortaleceram, lembrar de amigos, rever memórias e notar que apenas o que é verdadeiro ficou. Sem culpa, sem “e se eu tivesse”, apenas com o conhecimento de que tudo passa e essa é uma lei da vida… Finalmente me sentindo uma adulta, meio pós-adolescente claro, mais mulher, mais responsável, mais pé na porta e mais forte. Aliás, que maravilha é criar o desafio de cumprir seus planos! 2.0, here I go!

*Título: trecho de Sigo o Coração que diz que não sabe, mas é segredo, do Dance of Days.

 

 

Um brinde ao domingo e aos filmes!

Depois de bastante tempo sem vir aqui pra falar de filmes, cá estou eu e espero que gostem das dicas de hoje! Para começar, quero citar dois filmes nacionais que eu amei!

Histórias de amor que duram apenas 90 minutos (2010 – Nacional) – Acredito que o filme seja para poucos e irá agradar quem goste de boas histórias com pitadas de ironia e mau-humor. O filme é todo narrado em primeira pessoa e contado sob a visão do protagonista Zeca, interpretado por Caio Blat. A fotografia é bonita, o cenário chama a atenção, os atores são excelentes e a trilha sonora é boa também.

Sinopse: Zeca (Caio Blat) é um escritor de 30 anos que, por não conseguir escrever, está no mais completo ócio. Ele é casado há cinco anos com Júlia (Maria Ribeiro), uma professora que sonha em fazer um curso em Paris. Um dia ele vê Júlia e uma amiga entrando em sua casa. Zeca consegue espioná-las através da janela e, ao vê-las apenas com roupas íntimas, passa a acreditar que Júlia o está traindo com uma mulher. A ideia não sai de sua cabeça, mas ele nada conta a ela. Quando Júlia se aproxima de uma de suas alunas, Carol (Luz Cipriota), Zeca passa a desconfiar que elas sejam amantes. Só que o ciúme aos poucos se transforma em desejo e Zeca se apaixona por Carol.

Desenrola (2011 – Nacional) – Sabem aqueles filmes que fazem a gente mergulhar na história e querer aplaudir o roteiro? É Desenrola. A história é simples e poderia ser mais um clichê de filmes que abordam temáticas adolescentes, mas na minha singela opinião, consegue ser mais do que isso adicionando à receita uma boa dose de poesia e sensibilidade. Me deixou com vontade de rever.

Sinopse: Priscila (Olívia Torres) tem 16 anos e se acha uma garota normal demais, principalmente, quando repara em suas amigas. Quando sua mãe viaja a trabalho e ela fica sozinha em casa, decide que vai dar um jeito na sua caretice e vai fundo nessa ideia. Entre as muitas mudanças que pretende promover na sua vida, a virgindade parece ser uma das prioridades, mas sera que a hora certa é agora? Embora esteja decidida em investir no mais galinha da turma (Kayky Brito) para viver sua primeira experiência sexual, um trabalho em grupo na escola e uma viagem com amigos, podem mudar para sempre as suas expectativas porque ela descobre que nem tudo é exatamente como dizem e a verdade pode ser bem diferente da realidade.

Lição de Amor (Perdona si te llamo amor – 2001 – Itália) – Assisti esse filme tem já algum tempo, mas não consigo tirá-lo da cabeça. Ele aborda um tema sempre polêmico: romances onde há uma grande diferença de idade entre os envolvidos. Porém, acredito que o que me encantou no filme foi a abordagem que procurou fugir dos lugares comuns a que normalmente se chega nesse assunto. Mais do que uma história de amor e diferenças de idade, o filme fala sobre qual o papel do amor, sobre coragem, sobre ser você mesmo e seguir o coração.

Sinopse: Nikki (Michela Quattrociocche) tem 18 anos e divide seu tempo entre os estudos no último ano do ensino médio e a ida em festas e clubes, juntamente com os amigos. Alex (Raoul Bova) tem 37 anos e uma carreira de sucesso como publicitário. Abandonado pela mulher que considerava ser seu “eterno amor”, a vida social de Alex agora se restringe aos antigos amigos. Um dia a vida deles se cruzam, quando acidentalmente Nikki bate sua moto no carro de Alex.

Desculpem, mas só achei o trailer em espanhol!

Vou assistir: Reflexões de um liquidificador, Donnie Darko, e logo mais conto o que achei deles! E valeu aos meus amigos lindos pelas dicas lindas de sempre!

Afinal, o que é o bom-senso?

Imaginem se o bom-senso fosse uma questão de idade. Ok, vocês podem pensar que as crianças e os adolescentes seriam muito pedantes, e isso é verdade, mas ao menos teríamos a certeza de que com a chegada da idade as pessoas usariam cada vez mais esse artifício que tem andado tão em falta ultimamente. Imaginem que alegria: quanto mais velha a pessoa, mais tolerante, cabeça aberta, mais leve e menos “cri-cri”. Porém, feliz ou infelizmente, não é o caso; o bom-senso não é uma questão de idade e têm feito falta. Além disso, convenhamos, para nós, têm bom-senso aqueles que concordam conosco e, para muitos de nós, todos os demais estão ocupando apenas mais espaço no mundo e dificultando nossas vidas. Afinal, o bom-senso é algo que só você tem, e não pertence a mais ninguém. É a lei daquele que está por cima, e quem está por baixo é que se dane!

Mas será que não dá pra decidir de uma vez o critério para o tal do bom-senso sem levar em conta somente a nossa opinião? Não dá! Estamos afogados numa maré de indecisão coletiva, e o maior reflexo disso é a necessidade quase patológica de cuidar e dar opinão sobre a vida do outro, de cobrar atitudes politicamente corretas do mundo inteiro quando nós mesmos fazemos cagadas o tempo todo, e mais uma porção de coisas que eu passaria a vida enumerando. E então, o resultado de tudo isso é que não encontramos um consenso e ficamos nessa espécie de “lei do mais forte” ou “o inferno são os outros”, etc…

E, perdidos no meio dessa confusão e de gente trocando cobras e lagartos, o que sobra aos que tentam resgatar o bom-senso das gavetas é ficar de saco cheio disso tudo e viver da sua prória maneira, que não é necessariamente politicamente correta, mas também não prejudica ninguém. Talvez o bom-senso de verdade, que coitado, tem sido confundido com tantos outros adjetivos, seja o velho bordão do “viva e deixe viver”.

E aí, já pensou em escrever um livro?

Não sei se é tão comum entre os meus leitores, mas tenho vários amigos que adoram escrever contos e romances, e já até pensaram em sair do anonimato publicando suas estórias! De passatempo e hobby, escrever “profissionalmente” se tornou uma das minhas possibilidades de futuro e estou aqui hoje para compartilhar algumas dicas muito valiosas para quem escreve ou pensa em escrever romances!

A escritora Lycia Barros (site aqui) criou um canal de vídeos no youtube e dá dicas interessantíssimas para quem deseja escrever romances e livros de forma em geral. Como se livrar do bloqueio criativo, quais são erros mais comuns dos autores iniciantes, como escrever uma boa sinopse, como começar a escrever, como amarrar bem a história e não se perder durante o processo de criação do seu livro, ela ensina todas essas coisas e a gente termina os vídeos com aquela vontade de escrever retirada da gaveta! Quem se interessa e quer ir mais a fundo nos estudos, deseja aprimorar a técnica, ainda pode participar dos cursos que ela ministra presencialmente, ou optar por aulas particulares via skype!

No site, você pode ler algumas páginas dos livros que ela publicou, vale a pena! Conheci hoje e já fiquei com vontade de ler “A garota do outro lado da rua”. Assim que eu comprar e terminar minha leitura, conto aqui o que achei! Fica aí um vídeo com algumas dicas!

 

Linda, a dor não é tão glamourosa assim, afinal…

No final das contas, você descobre que não é tão cool assim contar pro mundo o quanto você é um sofredor pobre coitado que escreve coisas patéticas para chamar a atenção e ter uns minutos de fama. Cutucar feridas, falar de culpas, de corações  magoados e sobre aquelas coisas que deixam a gente deprimido não são coisas que fazemos como um simples ato de trocar de roupas. Não mesmo. Quem gosta de escrever sobre suas dores sabe que leva-se tempo, distanciamento e algum amadurecimento para colocar tudo para fora e com alguma comprovação de qualidade. No mais, escrever é sempre garantia de um pouco mais de auto-conhecimento e desabafos, publicados ou não…

Eu sou assim, escrevo por vício, por gosto, por terapia, por vontade de gritar sentimentos ao mundo e expulsar minhas dores, calar meus demônios e mostrar a mim mesma que, embora não pareça, também sou “alguém”; mas não escrevo por obrigação. Apesar de todo esse discurso chato pra caralho, não me sinto superior nem inferior à ninguém…

Sou só alguém em busca de um pouco a mais de auto-conhecimento, tentando entender como se faz para organizar uma cabeça que tende ao caos e está envolta de sonhos, mágoas e pensamentos soltos. Alguém tentando achar forças para perdoar, tentando ser mais positiva e encontrar disposição para levantar da cama todos os dias sem achar que é tudo o mesmo tédio, a mesma merda. Alguém tentando encontrar algum novo sentido para a vida (se é que existe) e algumas novas inspirações que façam o mundo girar mais bonito.

Então, desculpem-me o ar patético desses dias…

*Título é o nome de uma música do Dance of Days

Rascunhos de uma rabugice imensa que você, leitor, não precisa ler…

O peso que sai de cima dos ombros na véspera de um feriado em que vamos dormir até as tantas da tarde ou acordar cedo para viver as nossas vidas como se as pretensões alheias não importassem. O aperto que sai do coração quando decidimos não mais nos importar com aquilo que nos arranca a energia. A vida que vivemos aos finais de semana e a vida que empurramos com a barriga 80% dos dias.

É viver como se não houvesse amanhã e viver sem esquecer do amanhã. É viver a morte diária de levar uma vida ingrata todos os dias para poder viver dias de gratidão. É estar preso no trânsito quase infernal das avenidas e ouvir esperanças tocando no rádio, fazendo florescer imagens que mais se parecem com saudades do que estamos buscando tempo para viver.

É aguentar um mundo de machismo, sexismo, falta de senso de humor, misoginia e hipocrisia. É perceber que mulheres que falam abertamente de sexo são chamadas de vulgares, enquanto os homens que falam as mesmas coisas estão apenas tendo uma “conversa de homens”. É ver homossexuais ganhando uma etiqueta social de doentes e pedófilos, enquanto os mesmos “homens de Deus” que fazem sermões nas igrejas, e defensores da moral e bons costumes, promovem a discriminação e inflamam ignorantes com suas verdades estúpidas. É viver em um mundo dominado pela hipocrisia e pelas aparências, e esperar a hora de cagar para exercer o livre direito de ser você mesmo. É como não fazer parte do mundo, discordar de padrões doentios e valores completamente invertidos. É sentir nojo de mães que colocam seus filhos no mundo, os jogam nas latas de lixo, e córregos de esgotos, e ser obrigado a ouvir quem critique a necessidade da descriminalização do aborto. É querer cuspir no senso-comum, e atirar pedras na sociedade.

É viver alguns dias no inferno e esperar mais alguns para tomar uns porres e ter uma pequena dimensão do paraíso.

Eu não sei amar ninguém

Eu não sei amar ninguém. Meu amor, ou o que eu deveria chamar de outra coisa, não passa de um misto de anseios e inseguranças, sonhos novos e velhas frustrações, adicionados à necessidade de sanar um vazio com cheiro de perfume adocicado, cores suaves e estórias para crianças. Eu não sei amar ninguém. Não sei, senão, amar a mim mesma e criar amores platônicos de propósito, na esperança desesperada de me livrar da solidão de ter vários ao meu redor e nenhum dividindo coisas da alma, como se o amor fosse uma luz a se perseguir, que sempre se apaga quando a alcanço. Eu não sei amar ninguém, mas vejo filmes românticos suficientemente para achar que é bom ter alguém para ir ao cinema, discutir e passar as tardes sonolentas de domingo… Amores que crescem como frutos de árvores e apodrecem.

Usando-me!

Eu desisti de começar a escrever cartas falando de amor falando de nós. Desisti de esperar telefonemas e mensagens de texto suas e, também, de criar planos ou tentar me adequar ao que você gostaria que eu fosse. Essa não seria eu… Chutei o balde! Me despi dos truques e armaduras, passei a enxergar as coisas como eu deveria enxergá-las e não como eu gostaria.  Às vezes desperdiçamos um tempo enorme presos à amarras criadas por nós mesmos, trancados numa bolha de problemas, inseguranças e falta de amor-próprio, quando a saída para tudo está um pouco mais adiante e nem é tão difícil assim de enxergar, basta um pouco de coragem.

E escrevo na tentativa de expurgar essa minha vontade de você, de dizer a mim que eu cansei de me sentir não mais do que um apoio para quando suas ilusões se dissolvem, e nada mais. Você não tem mais o aval de uso do meu tempo.

Modo de usar-se

por Martha Medeiros

“Coitada, foi usada por aquele cafajeste”. Ouvi essa frase na beira da praia, num papo que rolava no guarda-sol ao lado. Pelo visto a coitada em questão financiou algum malandro, ou serviu de degrau para um alpinista social, sei lá, só sei que ela havia sido usada no pior sentido, deu pra perceber pelo tom do comentário. Mas não fiquei com pena da coitada, seja ela quem for.

Não costumo ir atrás desta história de “foi usada”. No que se refere a adultos, todo mundo sabe mais ou menos onde está se metendo, ninguém é totalmente inocente. Se nos usam, algum consentimento a gente deu, mesmo sem ter assinado procuração. E se estamos assim tão desfrutáveis para o uso alheio, seguramente é porque estamos nos usando pouco.

Se for este o caso, seguem sugestões para usar a si mesmo: comer, beber, dormir e transar, nossas quatro necessidades básicas, sempre com segurança, mas também sem esquecer que estamos aqui para nos divertir. Usar-se nada mais é do que reconhecer a si próprio como uma fonte de prazer.

Dançar sem medo de pagar mico, dizer o que pensa mesmo que isso contrarie as verdades estabelecidas, rir sem inibição – dane-se se aparecer a gengiva. Mas cuide da sua gengiva, cuide dos dentes, não se negligencie. Use seu médico, seu dentista, sua saúde.

Use-se para progredir na vida. Alguma coisa você já deve ter aprendido até aqui. Encoste-se na sua própria experiência e intuição, honre sua história de vida, seu currículo, e se ele não for tão atraente, incremente-o. Use sua voz: marque entrevistas.
Use sua simpatia: convença os outros. Use seus neurônios: pra todo o resto.

E este coração acomodado aí no peito? Use-o, ora bolas. Não fique protegendo-se de frustrações só porque seu grande amor da adolescência não deu certo. Ou porque seu casamento até-que-a-morte-os-separe durou “apenas” 13 anos. Não enviuve de si mesmo, ninguém morreu.

Use-se para conseguir uma passagem para a Patagônia, use-se para fazer amigos, use-se para evoluir. Use seus olhos para ler, chorar, reter cenas vistas e vividas – a memória e a emoção vêm muito do olho. Use os ouvidos para escutar boa música, estímulos e o silêncio mais completo. Use as pernas para pedalar, escalar, levantar da cama, ir aonde quiser. Seus dedos para pedir carona, escrever poemas, apontar distâncias. Sua boca pra sorrir, sua barriga para gerar filhos, seus seios para amamentar, seus braços para trabalhar, sua alma para preencher-se, seu cérebro para não morrer em vida.

Use-se. Se você não fizer, algum engraçadinho o fará. E você virará assunto de beira de praia.

“She’s always buzzing just like neon…” ♪

Nada melhor que o tempo para nos trazer clareza ao enxergar algumas situações. O tempo e suas incertezas, sua rapidez, seu alívio. O tempo para nos trazer respostas às questões que outrora eram dúvidas. Depois de passado um turbilhão de experiências as quais eu não sabia interpretar, de ter vivido momentos que eu nunca havia imaginado e de ter me decepcionado com as pessoas nas quais eu mais acreditava, cheguei a algumas conclusões e a principal delas é a seguinte: há uma espécie de mal inerente à raça humana, que tem o poder de destruir, corroer e é comandado pela vaidade do homem.

Estou me reerguendo depois de me livrar do egoísmo daqueles que, em nome de um cuidado patológico e obsessivo, nos condenam a uma espécie de não vida. Estou me livrando das garras daqueles que só se apoiam nos nossos ombros para lamentar e nos cospem quando não temos nenhuma outra utilidade. Eu sei, há algo de maligno em mim também e, para a frustração de alguns, tenho muito mais de Bukowski e maldita do que muitos, inclusive eu, gostariam!

E, para tanto, estou tentando viver… Viver como se não fosse haver outra aurora, como se novos momentos eternizados na memória tivessem o poder de me tornar mais forte e me fazer enxergar as coisas de outro modo, mais otimista e duro também. Mergulho em filmes, livros, conversas que duram madrugadas e que possam me dizer coisas que ainda não sei sobre mim mesma. Me perco em cinzas de fumaças e papéis, cartas, sonhos e lembranças queimadas. Me afogo em porres e mortes diárias, amnésias alcoólicas, na tentativa de deixar fluir meus lados de puta, de santa, de filosofa de botequim e dançarina de festas. É bom ser, sem máscaras.

E assim eu vou vivendo e matando todas as saudades das coisas que ainda não vivi. Vou morrendo e fazendo nascer novas faces minhas das minhas próprias cinzas. Vou me livrando de tudo que me sufoca, me entorpece e me suga, e me enchendo de tudo que me completa, me inspira e me dá gana de acordar para um novo dia e, quem sabe, novos planos, sonhos e conquistas. Eu não tenho medo do novo, mas tenho pavor de não sair do lugar. “Eu pescador de mim…”

*O título é um trecho da música Neon, de John Mayer.

Vício instantâneo: Florence and the Machine

Recheado de elementos que combinam perfeitamente entre si e letras que falam de liberdade e sentimentos, é o trabalho de Florence and the Machine, que eu descreveria como um sopro de qualidade na música atual. Não consigo parar de ouvir! Recentemente a banda, liderada por Florence Welch, lançou um MTV Unplugged, e ainda possui outros dois discos de estúdio Lungs (2009) e Cerimonials (2011).

Dona de um talento e voz incomparáveis, que parecem ter descoberto uma autenticidade muito própria, Florence, aos 25 anos, é aclamada pelo público e pela crítica, tendo sido, inclusive, considerada uma das mulheres mais bem vestidas da Inglaterra! Seu som é uma mistura de rock, indie, folk e soul.

Vale a pena conferir, então aí vai um show completo para vocês! Ao vivo no Royal Albert Hall, em Londres!

Dica de Livro do Dia #13 – Notas de Um Velho Safado, de Charles Bukowski.

É o livro que estou lendo no momento e achando um tanto curioso e, como sempre, genial! Deixe-me explicar: após o final da Guerra Fria, os EUA ascenderam economicamente utilizando uma combinação entre poderio militar e domínio através de ideias. Entre elas, está o famoso sonho americano! O “American Way Of Life”, aliado à “Política da Boa Vizinhança” e “Doutrina Truman”, se mostrou eficiente na missão de fazer com que nações do mundo inteiro adotem os EUA como o objeto de desejo. Os filmes nos fazem invejar os americanos, suas casas, seus estilos de vida. As propagandas de televisão nos fazem querer consumir o que eles consomem, McDonald’s, Burguer King, Coca-cola, e abominar os elementos de nossa própria cultura, como a música, a literatura, etc.

Por isso, ler Bukowski é tão importante, ele nos proporciona um salto no universo, nos abre os olhos para as mentiras embaladas que consumimos! Tendo vivido num cenário após a recessão de 1929, num ambiente de pobreza e desespero, ele nos uma realidade que não aparece nos filmes e seriados que adoramos assistir! E, muito embora seus livros tenham sido publicados há bastante tempo, ainda se fazem válidos em sua atualidade e lucidez, revelando as mazelas de uma sociedade onde exitem os pobres, os bêbados, os que são infelizes e menosprezados pela sociedade e sua hipocrisia!

Sinopse: Em Notas de um velho safado, a América tem uma cara de 50 anos, corpo de 18 e desfila de calcinha rosa claro e salto alto na madrugada corrosiva de Los Angeles. A América é um sapatão furioso com uma garra metálica no lugar da mão esquerda e não quer saber de transar com o Velho Safado. A América é uma deusa milionária com a qual ele se casa e da qual amargamente se separa. A América é uma prostituta, 150 quilos, um metro e meio de altura, que peida, uiva e destroça a cama quando goza. A América é também estudantes e revolucionários proferindo discursos inflamados em parques ensolarados de São Francisco no final da década de 60. A América é Neal Cassady dirigindo alucinadamente pelas ruas de Los Angeles, pouco tempo antes de morrer de overdose sobre os trilhos de uma ferrovia mexicana. A América é Jack Kerouac e Bukowski poetando na Veneza californiana. 

Notas de um velho safado forma um conjunto de histórias excepcionais saídas de uma vida violenta e depravada, horrível e santa. Não podemos lê-lo e seguir sendo os mesmos. 

Dica de Livro do Dia #12 – P.S. Eu te amo, de Cecelia Ahern

Minha dica de hoje será um pouco diferente do usual, uma ajudinha para quem deseja melhorar o inglês e se divertir ao mesmo tempo. Comprei esse livro há muito tempo, quando o filme nem havia sido lançado ainda, e comprei exatamente por achar a capa legal! Porém o livro estava em inglês e eu nunca havia lido 600 páginas de um pocket book em inglês! Oxford Dictionary em mãos e todos os dias, religiosamente, no horário da novela das 8 da Globo, eu me retirava para o quarto e começava a ler. Após 30 páginas consegui me familiarizar com a linguagem do livro e abandonar o dicionário.

Cecelia Ahern conta a história de Holly, uma moça que ficou viúva recentemente e recebe um pacote com dez cartas escritas por seu marido enquanto o mesmo terminava seus dias no hospital, uma para cada mês, que devem ajudá-la a levar a vida sem ele. É um livro que irá fazer chorar muito, mas também dar boas gargalhadas! Como a história de passa em Dublin, na Irlanda, o bom de lê-lo em inglês é aprender um pouco mais de inglês britânico, além de algumas gírias locais!

Sinopse: Holly e Gerry desejavam ficar juntos pelo resto de suas vidas, mas um tumor cerebral levou Gerry, aos 30 anos. Sentindo-se perdida e solitária, Holly finalmente encontra uma motivação para continuar vivendo quando recebe um pacote, que havia sido enviado por seu marido antes de morrer, intitulado – ´A Lista´. No pacote, várias cartas com instruções de como ela poderá sobreviver sem a presença dele, todas acompanhadas de um ´P.S. – eu te amo´.

Filme da Semana #2 – Para Sempre (The Vow – 2012)

A trama de Para Sempre (acho que poderiam ter escolhido um nome diferente para o filme, mas enfim!) nos parece familiar: conta a história de um casal que vive feliz, recém-casado, e que num acidente de carro, toma um rumo completamente inesperado: Page (Regina George Rachel McAdams) ,perde a memória e seu marido, Leo (Channing Tatum, de Querido John), se vê desesperado na tentativa de reconquistá-la novamente. Porém, o filme não se parece em nada com “Como se fosse a primeira vez”, com a Drew Barrymore e Adam Sandler.

Fotografia ótima, trilha sonora gostosa de se ouvir e sensibilidade.

Sinopse: Page (Rachel McAdams) e Leo (Channing Tatum) viviam uma linda história de amor, mas um grave acidente de carro provocou uma grande mudança em suas vidas. Afinal, mesmo estando casados, ela não consegue se recordar de nada e muito menos ter algum tipo de memória sobre o relacionamento deles. Agora, resta para Leo a missão de reconquistá-la novamente para que possam então viver o romance que sempre desejaram. Baseado em fatos reais.

Dica de Livro do Dia #11 – As Crônicas Vampirescas, de Anne Rice

A série a seguir está na minha wishlist há tempos! Assim que eu conseguir terminar os cinco livros que estou lendo ao mesmo tempo, começarei a ler estes! As Crônicas Vampirescas possuem três volumes: Entrevista com o Vampiro (sim, aquele mesmo do filme!), O Vampiro Lestat e Rainha dos Condenados (que foram filmados juntos para o filme Rainha dos Condenados, lançado em 2002).

Sinopse: Uma história que começa com a ousadia de um jovem repórter ao entrevistar Louis de Pointe du Lac, nascido em 1766 e transformado em vampiro pelo próprio Lestat, figura apaixonante que terminará, ao longo da série, arrebatando multidões como cantor de rock. Louis, esse vampiro que se recusa a livrar-se das características humanas e aceitar a crueldade e a frieza que marcam os vampiros, continua a contar a história desde o início. É um mundo de uma fantasia impressionante, um mundo gótico, romântico, esse criado por Anne Rice (…).

Sinopse: A história de Lestat, um aristocrata que resolve tornar-se ator na Idade Média, e torna-se vampiro ao acaso. Conheça sua vida ao longo dos séculos e como se transforma em um ídolo do rock na atualidade. Apesar do sucesso imediato atingido com o clássico Entrevista com o vampiro (1976), foi com a publicação de O vampiro Lestat (1985), o segundo volume das Crônicas Vampirescas, que a escritora Anne Rice transformou-se num fenômeno literário. Hoje a autora conta com uma extensa coleção de best-sellers e uma legião fiel de fãs em todo o mundo. E sua criatura mais famosa segue o exemplo. O vampiro Lestat é como um Michael Jordan da literatura gótica. Tem newsletter própria e os mais diversos produtos com a sua marca — de bonecos a vinhos nobres.

Sinopse: Em A rainha dos condenados, a escritora americana Anne Rice retoma os personagens que a tornaram famosa e faz o livro de maior suspense e densidade de suas Crônicas Vampirescas. Aqui, há vampiros para todos os gostos. Jovens e delinqüentes, como Baby Jenk, da Gangue das Garra, românticos como Armand e Daniel, estudiosos como Jesse, que investiga para a organização conhecida como Talamasca, a história desses seres estranhos, imortais misturados entre mortais, para quem sangue, sexo e morte são elementos indissolúveis do dia-a-dia. Reunidos em torno de Lestat, eles respondem ao chamado de sua música quase hipnótica e correm, ao longo da narrativa de Anne Rice, um perigo difícil de evitar. É que o som de Lestat desperta Akasha, a mãe dos vampiros, a encarnação da força maléfica feminina, disposta a escolher os justos, entre os vampiros, através de um banho de sangue. Mestra da alquimia entre crueldade e poesia, Anne Rice prova em A rainha dos condenados saber fazer em literatura o que Lestat faz em música. Impossível não segui-la hipnoticamente até a última página.

*Curiosidade: escrito em 1976, a tradução de Entrevista com o Vampiro para português foi feita pela Clarice Lispector.

Dica de Livro do Dia #10 – Convite à Filosofia, de Marilena Chauí

A dica de hoje é um livro de uma das grandes filosofas e historiadoras do Brasil, Marilena Chauí. Durante todo o meu Ens. Médio senti que os professores de Filosofia pecavam em muitos aspectos, levando a maioria dos alunos ao desinteresse pela matéria. Apesar de fazer parte daquilo que as pessoas consideram pouco importante, acredito que a Filosofia tem um papel muito importante na formação das pessoas e é por isso que recomendo muito esse livro. Estou na metade e não consigo parar de grifar frases e anotar algumas definições.

Marilena Chauí, além de escritora, é professora da FFLCH – USP, escreveu diversos outros títulos e recebeu, em 1994, o Prêmio Jabuti por ‘Convite à Filosofia’. É apenas mais um prêmio dentre tantos.

Sinopse: Um exercício do pensamento, que fomenta a reflexão crítica e lança um facho de luz sobre questões do dia-a-dia, realçando seu caráter histórico e ampliando os horizontes do leitor – eis o alcance deste livro. Convite à Filosofia é uma obra que utiliza o próprio instrumental filosófico para atualizar conceitos e fazer uma releitura dialética do mundo por uma das mais consistentes intelectuais do país. De suas páginas emergem os grandes temas da discussão filosófica, como Razão, Verdade, Conhecimento, Ciência, Ética, Política, Arte, Técnica, Religião, Metafísica, História, Lógica. 

Dica de Livro do Dia #9 – A Garota Americana, de Meg Cabot

Fim de semana chegando novamente thanks God, e aqui vai aquela dica para descontrair e mergulhar num universo longe do stress semanal! A Garota Americana, de Meg Cabot, assim como a maioria dos livros da autora, é mais voltada a literatura infanto-juvenil. O livro conta a história de uma típica menina americana que vê sua vida mudando completamente de rumo quando, sem querer, salva o presidente dos EUA da morte! Bem fantasioso e uma delícia de ler! Ótimo também para presentear alguém!

O livro, na verdade, é uma série, que contem dois livros, sendo a continuação chamada “A Garota Americana – Quase Pronta.”.

Sinopse: A GAROTA AMERICANA acompanha o cotidiano de Samantha, uma típica garota americana, que leva uma vida muito parecida com a de tantas outras meninas de sua idade. Até que um dia resolve matar aula de arte e, por acaso, salva o presidente americano de uma tentativa de assassinato. Samantha logo vê sua vida virar de cabeça para baixo ao ser nomeada embaixadora da ONU, sem saber exatamente o que o cargo significa.

Dica de Livro do Dia #8 – Um Dia, de David Nicholls

Esse livro foi recentemente adicionado à minha lista de desejos! Assisti ao filme e chorei MUITO, e como muitos que passam por aqui já sabem, adoro um drama para chorar! “Um dia – 20 anos, duas pessoas, um dia”, que eu prefiro chamar de “One Day” por que é menos estranho,  é simplesmente lindo!

Sinopse: Dexter Mayhew e Emma Morley se conheceram em 1988. Ambos sabem que no dia seguinte, após a formatura na universidade, deverão trilhar caminhos diferentes. Mas, depois de apenas um dia juntos, não conseguem parar de pensar um no outro. Os anos se passam e Dex e Em levam vidas isoladas – vidas muito diferentes daquelas que eles sonhavam ter. Porém, incapazes de esquecer o sentimento muito especial que os arrebatou naquela primeira noite, surge uma extraordinária relação entre os dois. Ao longo dos vinte anos seguintes, flashes do relacionamento deles são narrados, um por ano, todos no mesmo dia: 15 de julho. Dexter e Emma enfrentam disputas e brigas, esperanças e oportunidades perdidas, risos e lágrimas. E, conforme o verdadeiro significado desse dia crucial é desvendado, eles precisam acertar contas com a essência do amor e da própria vida.

Personalidade da Semana #1: Kat Von D

Katherine Von Drachenberg, ou Kat Von D, nascida no México, com sobrenome alemão, e filha de pais argentinos, é uma tatuadora que ficou famosa por fazer parte do seriado Miami Ink e, posteriormente, ser protagonista do seriado L.A. Ink, que mostra o dia-a-dia de seu estúdio de tatuagens, High Voltage Tattoo, na cidade de Los Angeles. Além disso, a vida de Kat Von D se tornou pública após assumir seu namoro com o baixista da banda Mötley Crüe, Nikki Sixx, que durou de 2008 a 2010.

Mas, o que realmente importa é o trabalho de Kat Von D! Em uma profissão geralmente ocupada por homens, Kat começou a tatuar aos 14 anos e se destacou por fazer retratos de pessoas em preto e branco na pele de clientes que sonham em ter um desenho seu tatuado na pele. Entre alguns nomes que ela tatuou temos  Lemmy Kilmister do Motörhead, Jared Leto, Lady Gaga, Bam Magera e Steve-O, do Jackass, membros das bandas Green Day, Avenged Sevenfold, My Chemical Romance, Slayer, Nickelback, entre outros.

Em 2009, Kat Von D lançou seu primeiro livro, High Voltage Tattoo, onde apresenta fotos de suas melhores tatuagens e as histórias por trás das mesmas. O livro ficou em sexto na lista dos mais vendidos do New York Times. Em 2010, foi lançado seu segundo livro, The Tattoo Chronicles, um diário ilustrado de sua vida. Em 2008, Kat Von D criou uma linha de cosméticos da Sephora, com maquiagens e fragâncias.

Primeiro livro de Kat Von D, uma autobiografia que conta a trajetória de sua carreira, desde o gosto pela pintura herdado da avó, passa pelo seu primeiro trabalho feito aos 14 anos e conta histórias de suas tatuagens feitas em amigos famosos e grandes roqueiros!

Kat Von D e seu segundo livro, The Tattoo Chronicles.

Tributo de Nikki Sixx a seu companheiro de banda Mick Marks feito por Kat Von D

Elvis Presley, Kurt Cobain e Audrey Hepburn;

Dica de Livro do Dia #7 – Misto-Quente, Charles Bukowski

Um livro de Bukowski sempre deixa sua marca. É o que eu diria sobre Misto Quente. Recomendo esse livro para aqueles que gostam de uma literatura fora dos padrões românticos e ideais dos best-sellers americanos. A literatura de Bukowski é visceral, pesada, punk! Considerada um poeta maldito, Bukowski é escatológico, anti-literário, vulgar, politicamente incorreto, alcoolatra e dramático. Misto Quente conta a história de Henry Chinaski, um personagem inspirado na vida do próprio autor, que vive nos EUA na recessão após a crise de 1929. O livro tem a intenção de mostrar a humanidade como ela realmente o é: sem sentido, egoísta, discriminatória e hipócrita. Vale a pena ler se você tiver estômago. Eu gosto!

Sinopse: O que pode ser pior do que crescer nos Estados Unidos da recessão pós-1929? Ser pobre, de origem alemã, ter muitas espinhas, um pai autoritário beirando a psicopatia, uma mãe passiva e ignorante, nenhuma namorada e, pela frente, apenas a perspectiva de servir de mão-de-obra barata em um mundo cada vez menos propício às pessoas sensíveis e problemáticas. Esta é a história de Henry Chinaski, o protagonista deste romance que é sem dúvida uma das obras mais comoventes e mais lidas de Charles Bukowski (1920-1994). Verdadeiro romance de formação com toques autobiográficos, Misto-quente (publicado originalmente em 1982) cativa o leitor pela sinceridade e aparente simplicidade com que a história é contada. Estão presentes a ânsia pela dignidade, a busca vã pela verdade e pela liberdade, trabalhadas de tal forma que fazem deste livro um dos melhores romances norte-americanos da segunda metade do século 20. Apesar de ser o quarto romance dos seis que o autor escreveu e de ter sido lançado quando ele já contava mais de sessenta anos, Misto-quente ilumina toda a obra de Bukowski. Pode-se dizer: quem não leu Misto-quente, não leu Bukowski.

Dica de Livro do Dia #6 – O Meu Pé de Laranja Lima

Todo o meu amor pela literatura nasceu à partir desse livro, que até hoje é um dos que mais gosto. É uma obra de ficção que conta a história de Zezé, um menino de origem própria, que aprende sobre as mazelas da vida desde muito cedo, e divide sua vida com seu pequeno pé de laranja lima.

É um livro infanto-juvenil, ótimo para dar de presente para crianças à partir dos 11 anos de idade! Vale cada página!

Sinopse: Retrata a história de um menino de seis anos chamado Zezé, que pertencia a uma família muito pobre e muito numerosa. Zezé tinha muitos irmãos, a sua mãe trabalhava numa fábrica, o pai estava desempregado, e como tal passavam por muitas dificuldades, pelo que eram as irmãs mais velhas que tomavam conta dos mais novos; por sua vez, Zezé tomava conta do seu irmãozinho mais novo, Luís.

Zezé era um rapazinho muito interessado pela vida, adorava saber e aprender coisas novas, novas palavras, palavras difíceis… que o seu tio lhe ensinava. Contudo, passava a vida a fazer traquinices pela rua, a pregar partidas aos outros e muitas vezes acabava por ser castigado e repreendido pelos pais ou pelos irmãos, que passavam a vida a dizer que era um mau menino, sempre a fazer maldades. Todos estes fatores e o fato de não passar muito tempo com a mãe, visto que esta trabalhava muito, faziam com que Zezé, muitas vezes, não encontrasse na família o carinho e a ternura que qualquer criança precisa.

Ao mudarem de casa, Zezé encontra no quintal da sua nova moradia um pequeno pé de laranja lima, inicialmente a idéia de ter uma árvore tão pequena não lhe agrada muito, mas à medida que este vai convivendo com a pequena árvore e ao desabafar com esta, repara que ela fala e que é capaz de conversar consigo, tornando-se assim o seu grande amigo e confidente, aquele que lhe dava todo o carinho que Zezé não recebia em casa da sua família.

Ao longo da história vão acontecendo vários episódios na vida deste menino, uns mais alegres, outros mais tristes, que nos transmitem uma grande lição de vida e do modo como agir perante diversas situações, pois apesar de ter apenas cinco anos, Zezé já tinha atitudes que qualquer criança comum nunca teria, fazendo-nos então pensar um pouco à cerca de nós mesmos e das nossas atitudes perante determinadas situações.

Dica de Livro do Dia #5 – Vale Tudo: O Som e a Fúria de Tim Maia, de Nelson Motta

A biografia de Tim Maia é excelente, dá vontade de fazer barulho! Tim Maia era autêntico, irreverente, estava sempre insatisfeito, queria sempre mais e o melhor, e não tinha medo de dizer o que pensava. Sua biografia é um sopro de vontade de questionar e mudar as coisas!

Sinopse: Preto, gordo e cafajeste, formado em cornologia, sofrências e deficiências capilares. Era assim que Tim Maia o cantor que integrou o soul e o funk aos ritmos brasileiros se definia. A partir de uma pesquisa assombrosa e de uma intensa convivência com Tim Maia, o jornalista e produtor musical Nelson Motta conta, no ritmo irresistível do rei do samba-soul, a sua história de som, fúria e gargalhadas.

Filme da Semana #1 – A Hora do Pesadelo (1984)

Semana passada comecei a rever toda a filmografia de “A Hora do Pesadelo”, que havia visto há muito tempo, provavelmente antes dos 14 anos! Confesso que não sou muito fã de filmes de terror, eles não me metem medo, mas os filmes de Freddy Krueger são muito bons, um misto de fantasia e contos de Serial Killers!

A filmografia de ‘A Hora do Pesadelo’ contém 8 filmes, sendo dois deles recentes:

  • A Hora do Pesadelo (1984)
  • A Hora do Pesadelo 2: A Vingança de Freddy (1985).
  • A Hora do Pesadelo 3: Guerreiros dos Sonhos (1987).
  • A Hora do Pesadelo 4: Mestre dos Sonhos (1988).
  • A Hora do Pesadelo 5(1989).
  • Pesadelo Final: A Morte de Freddy (1991).
  • O Novo Pesadelo (1994).
  • Freddy vs. Jason (2003).
  • A Hora do Pesadelo – O Novo Pesadelo, O Retorno de Fredy Krueger (2010)
One, two, Freddy is coming for you.
Three, four, better lock your door.
Five, six, grab your crucifix.
Seven, eight, gonna stay up late.
Nine, ten, never sleep again.
*Curiosidade: esse foi o primeiro filme estrelado por Johnny Depp. Olha ele aí!

Dica de Livro #4 – Frida Kahlo, de Rauda Jamis

Frida Kahlo, o livro, conta a história da pintora mexicana que foi uma das grandes artistas do século passado. Dona de uma história de vida incrível, mulher, portadora de deficiências físicas, artista, bissexual, apaixonada por Diego Rivera, Frida Kahlo nos surpreende ao revelar uma mulher extremamente incomum para a época, com uma força e perseverança descomunais e, acima de tudo, humana! Frida usava sua arte como forma de expurgar alguns de seus demônios, e olha que eles não eram poucos!

É um livro que requer tempo e vontade de repensar algumas questões de vida. Li duas vezes e acredito que tenha feito um bem enorme à minha sanidade.

Sinopse: Baseada nas melhores fontes de documentação, escrita com entusiasmo e sensibilidade, esta biografia romanceada traça o retrato de uma mulher extraordinária, dilacerada por terríveis sofrimentos físicos e uma imensa força de criação. Apresenta além disso o quadro de uma época, do México revolucionário aos riquíssimos salões novaiorquinos, passando pelas galerias surrealistas de Pari dos anos 30. Conhecer a vida de Frida Kahlo significa conhecer também a vida de Diego Rivera, seu marido, além de facetas importantes de homens como Trotski, Picasso, Breton, Duchamp, Kandinsky e outros.

“Meu corpo é um marasmo. E eu não posso mais escapar dele. Como o animal que sente sua morte, sinto a minha tomar lugar na minha vida e com tanta força, que me tira qualquer possibilidade de combater. Não me acreditam, tanto me viram lutar. Não ouso mais acreditar que eu poderia estar enganada, esse tipo de relâmpago está se tornando raro … As noites são longas. Cada minuto me amedronta e eu sinto dores por toda parte, por toda parte. Os outros se preocupam e eu gostaria de poupá-los disso. Mas o que é que alguém pode evitar para os outros quando a si mesmo em nada conseguiu poupar da própria sina? A aurora está sempre distante demais. Já não sei se a desejo ou se o que eu quero mesmo é penetrar mais fundo dentro da noite. Sim, talvez seja melhor acabar com tudo.”

PS. Quem se interessar pela história, pode assistir também ao filme! É excelente e traz caracterizações, atuações, cenários e uma fotografia admiráveis.

Dica de Livro do Dia #3 – Eu sou Ozzy

Havia quem dissesse que Ozzy jamais escreveria um livro na vida, mas ele provou o contrário e acabou escrevendo um dos livros mestres de venda nos últimos tempos!

“Eu sou Ozzy” começa um tanto morno, mas ao poucos, já nas primeiras páginas, revela que grandes histórias estão por vir!

É um livro para quem gosta de rock e, acima de tudo, de boas histórias para rir. Ozzy tem várias delas! De escrita leve, cativante e fácil, a autobiografia nos mostra mais do que um roqueiro alucinado!

Sinopse: Ozzy Osbourne é um dos nomes mais importantes no rock. Ao formar a banda Black Sabbath, ele ajudou a moldar um estilo que, anos mais tarde, se tornaria conhecido no mundo todo e adorado por milhares de fãs. Além do impacto musical, sua personalidade carismática e desvairada foi responsável por sua popularidade. Nos anos loucos em que esteve à frente do Sabbath, Ozzy protagonizou episódios de exageros com drogas, os quais resultaram em sua saída do grupo. Iniciou uma carreira solo bem-sucedida, também permeada pelos excessos. Após a morte trágica do guitarrista de sua banda e grande amigo Randy Rhoads em um acidente de avião, Ozzy diminuiu o ritmo e a intensidade de seu comportamento, mas nunca o talento. Lançou discos excelentes que se tornaram clássicos e voltou a se reunir em algumas turnês com a antiga formação do Black Sabbath. Formou uma família tão feliz quanto insólita, o que lhes rendeu o convite para protagonizarem um reality show na MTV, “The Osbournes”. Nesta autobiografia, o “madman” conta em detalhes e com muito humor sua trajetória de sucesso, escândalos, amor e muito rock ‘n’ roll.

PS. Não leia em locais públicos! Você dará tantas risadas que será difícil não se passar por louco também!

Dica de Livro do Dia #2 – O Garoto da Casa ao Lado, Meg Cabot

A dica de hoje é para descontrair! O fim de semana se aproxima e como a previsão do tempo é de muita chuva e frio, se você estiver procurando por um livro para passar o tempo, se divertir e dar boas risadas, leia O Garoto da Casa ao Lado!

Vou logo avisando que é um livro infanto-juvenil, logo, não espere maravilhas filosóficas e sagazes dele. Vamos imaginá-lo como um bom substituto para a sessão da tarde!

O grande diferencial desse livro é que toda a sua trama é contada através de e-mails que os personagens trocam entre si! Foi uma ideia bastante criativa e um tanto quanto corajosa da autora, Meg Cabot, que, entretanto, funcionou super bem, imprimindo um ritmo impressionante à trama. É um livro de romance, aventura, investigações policiais e comédia. 397 páginas, devorado em 3 dias!

Sinopse: Escrito em forma de mensagens de e-mail, ‘O garoto da casa ao lado’ revela a história de Melissa Fuller, uma jornalista de celebridades que está prestes a perder o emprego. Numa certa manhã, Mel está 68 minutos atrasada para o trabalho, completando assim seu 37º atraso no ano. Um recorde. O departamento de Recursos Humanos já lhe mandou um memorando oficial sobre o assunto, seu chefe duvida seriamente do seu compromisso com o jornal e, além disso, até sua melhor amiga anda preocupada com seu bem-estar psicológico. Contudo, dessa vez, ela tem uma desculpa de verdade – estava socorrendo Helen Friedlander, sua vizinha de oitenta anos, que entrou em coma após levar um golpe na cabeça, em conseqüência de um misterioso atentado.

Dica de Livro do Dia #1 – Cartas, Caio Fernando Abreu

O livro que separei essa semana para falar aqui é o livro de cartas do Caio Fernando Abreu, compilado por Ítalo Moriconi. Ainda não terminei de ler, mas o que posso dizer é que esse é um daqueles livros para ler grifando! As cartas revelam quem era de fato Caio Fernando, contam algumas de suas histórias de vida, anseios e paixões, além de conter uma gama daquelas frases sobre a vida que a gente ama! É um livro sobre a vida e sobre um dos maiores escritores brasileiros, na minha modesta opinião! #Recomendo

Sinopse: Este volume reúne uma seleção de sua correspondência para familiares, amigos íntimos como Luciano Alabarse, Gilberto Gawronski, Marcos Breda, José Márcio Penido, Déa Martins, Luiz Arthur Nunes, Maria Lídia Magliani, Jacqueline Cantore e escritores e artistas queridos como Maria Adelaide Amaral, Adriana Calcanhoto, Regina Duarte, Bruna Lombardi, Mário Prata, Hilda Hilst e João Silvério Trevisan, entre outros.

Je dis tout ça en faisant la moue…

Eu tinha tantas coisas para falar que não sei nem bem por onde começar. Sabe, são essas cartas de Caio Fernando Abreu, essas músicas que ando ouvindo, e os trânsitos astrológicos, que têm me deixado assim. Não sei mais dos meus sentimentos, só sei que são tantas coisas para falar que seria até mais bonito se eu pudesse te explicar tudo em francês. Mas eu não falo francês.

Até pouco tempo, veja bem, eu tinha uma porção de coisas com quê me ocupar e olhe agora, eram todas passageiras… Até pouco, era mais fácil controlar o meu pulsar perto de você, o sorriso diante das tuas falas e a vontade de receber uma mensagem sua, assim, no meio do dia. Agora tem ficado mais difícil.

Ando mudada, sabe? Achei novas atividades que me alegram, e li um livro ótimo, que me fez repensar toda a vida. Ando querendo fazer alguma coisa de útil para o mundo, comprar um carro, sair de casa, ser alguém na vida. E nesse meio tempo, existe você. Que veio chegando aos poucos, ouvindo meus problemas, diminuindo os abismos que eu impunha sobre a nossa proximidade, e me arrebatou meio sem querer… E é aí que nasceram as minhas dúvidas, os meus problemas!

Tenho medo de chegar de repente e despejar meus anseios em cima de você, te tirar os espaços, te sufocar com a minha sede por entrega e intensidade. Fico também me perguntando por que só depois de tanto tempo me dei conta de que era você, e ninguém mais, que eu queria. Quando é que vamos parar com esse nosso vício de desperdiçar nosso amor com gente que não presta, até achar um amor pelo qual vale a pena lutar? Eu não sei. Como diria Caio Fernando, “sossega, sossega – o amor não é para o teu bico”, repito sempre.

*O título é parte da música Ne Parle Pas, do Agridoce, e significa “Digo tudo isso enquanto faço beicinho…”.

Cartas de Caio F., saudades e existencialismos rápidos.

Ler essas cartas de Caio Fernando e viver numa era de internet e interatividade digital (oi?) me deixam com vontade de viver numa época diferente, com outros valores e outros interesses. Numa outra esfera, onde os amigos fossem mantidos por perto e as conversas de longas distâncias tivessem cheiro de papel, envelope e correio, e não de computador. Onde músicas lembrassem encartes e não players de mp3.

Ao passo em que as novidades chegam para nos aproximar do mundo, parece que o mundo se distancia cada vez mais da gente. Ando querendo sentar, escrever algumas histórias minhas, colocar os pensamentos num papel, mas sinto como se as tecnologias que foram inventadas para facilitar e agilizar a vida, me obrigassem a fazer um monte de coisas em um pequeno espaço de tempo, então quando o dia termina, acabo dormindo pesado.

Se temos a internet, para quê tempo para desperdiçar a saliva com amigos e gente querida? A gente parece que pisca e o tempo passa! E parece que estamos sendo consumidos pelas nossas próprias invenções. Um papo meio “Eu, robô!” demais, mas é verdade! É impossível também evitar pensar naquele discurso de Chaplin no final de “O Grande Ditador”: “(…) Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.”

Pensar sobre essas coisas me faz sentir saudade de momentos que não vivi, só passei perto… É um tanto traumático pensar que assim como os celulares, os computadores e as TVs, tudo está ficando mais compacto, até as nossas relações. Falta amor, falta tempo, falta espaço, falta profundidade e, principalmente, tempo para existencialismos. Boa noite.

E Sócrates disse: “Só sei que nada sei”.

O tempo passa e muita coisa muda, principalmente dentro da gente. O que foi, de repente já não é mais. O que se sabia, de repente não se sabe mais. E tudo é assim: transitório. No mais, a gente acaba rindo de algumas atitudes, se arrependendo de outras, e ganhando bagagem para aprender com tudo. E entre algumas questões, acabo sempre me perguntando quando é que a gente sabe que está finalmente maduro. Filosofia demais pra pouca mesa de bar…

Mas, quando o assunto é maturidade, acabo sempre concluindo que maturidade demais às vezes se converte em maturidade de menos. Algumas pessoas têm a péssima mania de achar que sabem de todos os segredos da vida, e como agir em todas as situações e se esquecem que muitas vezes essa lógica não serve para os demais, tornando-se verdadeiras mestras na arte da chatice e da inconveniência. E o mundo está cheio desses chatos que acham que entendem muito da vida da gente mas não sabem de porra nenhuma, com o perdão da palavra!

Já dizia Sócrates que só começamos a entender de fato as coisas quando percebemos que não sabemos o que imaginávamos saber. E eu poderia parar por aqui, mas continuo e deixo meu protesto por relações mais humanas e menos exatas, afinal, um mesmo parâmetro nem sempre serve para duas regras.

 

 

Entrevista #1 – Homossexualidade em Foco

Pleno século XXI e a homossexualidade ainda é um grande tabu para a sociedade. De um lado há religiosos e conservadores afirmando que ser gay é uma opção, e do outro, há a comunidade LGBTT defendendo que orientação sexual não é uma escolha e lutando pelos direitos que são negados a essa minoria que diariamente sofre preconceito. Mesmo diante da visibilidade que a causa gay vem ganhando, a família brasileira não está preparada para ver um beijo gay na televisão, enquanto lê notícias de ataques de homofobia nos jornais. E nessa confusão de ideologias, crenças, gerações e opiniões, que muitas vezes não saem do senso-comum, quase sempre falta espaço para reflexões que nos ajudem a sair do escuro quando o assunto são nossos direitos sobre os direitos dos demais.

Para inovar aqui no blog, resolvi inaugurar uma seção de entrevistas e, para começar, convidei alguns amigos para mostrarem o que os gays pensam sobre todas essas polêmicas. Todo mês, uma nova entrevista!

Quando  e como você descobriu que era gay?  Houve dificuldade de aceitação?

Filliphe: Comecei a perceber isso desde pequeno. Sempre soube que eu era diferente da maioria dos meninos. Não que eu fosse um menino efeminado, mas eu sabia que algo em mim era diferente. Aos 12 para 13 anos, eu beijei meu primo, confesso que o primeiro beijo é mega estranho; não vi aquilo como um erro na época, mas sabia que não poderia sair contando. Com o passar dos anos, eu fui me relacionando com meninas, mas sempre tive aquele desejo de repetir um beijo em outro garoto; eu meio que sem querer comecei andar com outros garotos que também tinham esse desejo. Aos 16 anos eu beijei um desses ‘amigos’, foi dai que a coisa desandou de vez e eu comecei a frequentar lugares propícios a isso, foi nessa idade que eu percebi mesmo que era algo que me fazia muito bem e decidi continuar.

William: Acho que sempre se sabe, ou melhor, se desconfia… E creio que tenha sido mais claro o entender e aceitar a um ano atrás.

Como foi contar para a família e para os amigos? 

Filliphe: Eu sempre tive a sorte de ter amigos que tinham a mesma curiosidade ou vontade que eu, então foi muito fácil contar a eles. Um dia estava no ônibus com minha mãe, meio que contando a ela que tinha ido a um show emo, ela me perguntou na maior cara lisa, ‘E você também gosta de meninos?”, na hora eu falei, ‘Também!’, na hora da pergunta fiquei em choque, você não espera esse tipo de pergunta vindo da sua mãe, então acabei dizendo que eu era bi, mas com o tempo ela percebeu que eu não tinha interesse algum por meninas. Minhas irmãs descobriram um dia em que eu estava bêbado, ficaram me perguntando, daí virei e falei (risos). Meu pai  foi muito mais complicado, ele descobriu minha homossexualidade através de fotos que eu tinha tirado com um namorado que eu tinha na época, foi uma confusão que só, já até dar pra imaginar. Houve discussão, meu pai não aceitou assim logo de cara, pensou que que eu era prostituto a e tal, sai da casa do meu pai e vim morar com minha mãe depois do acontecido. Demorou praticamente um ano pra eu voltar a falar com o meu pai, mas hoje em dia temos um relacionamento maravilhoso, não só com ele, mas com minha mãe e toda a minha família. Ser assumido pra mim hoje, em uma família evangélica e ser respeitado, me deixa muito feliz, muito mesmo.

William: Não foi contado ainda.. Não acho que deva ser… A sexualidade sempre foi e deve ser algo pessoal, não há o porquê contar nada, é algo natural, não é uma condição, um dom, habilidade ou defeito particular que deva ser contado, uma escolha… É o que é. É natural.

Ser homossexual significa apenas transar com alguém do mesmo sexo?

Filliphe: Ser homossexual significa ter uma vida comum, se apaixonar, ter desejo sexuais, querer construir uma vida, namorar, beijar e todas outras coisas, com alguém do mesmo sexo. Pra mim ser homossexual é só um detalhe, apenas.

William: Não e sim. Homossexualidade já na palavra, denota sexualidade, preferência sexual, conduta sexual, por tanto sim, se o prazer carnal esta relacionado a alguem do mesmo sexo, sim a homossexualidade é ligada direta e unicamente ao ato da prática de sexo. Porém, a homoafetividade ou o gostar de uma pessoa do mesmo sexo que você vai alem de orgãos genitais ou orgasmos.

Você sente que é tratado de forma desigual? Te observam na rua ou você já sofreu algum tipo de preconceito ou presenciou algo do gênero acontecendo a amigos?

Filliphe: Não me sinto tratado de forma desigual, não sou muito do ‘estereotipo gay’, então muitas vezes passo desapercebido. Preconceito infelizmente vivemos todos os dias, direta ou indiretamente, porque me sinto altamente atingido com qualquer comentário homofóbico que façam a qualquer pessoa. Com os meus amigos, nunca teve nenhum caso assim que saiu do ‘controle’, quando eu digo esse controle, falo em olhadas, gracinhas e essas coisas.

William: Sim. Diferente sempre se é, do senso comum, da maioria. Então sempre me senti diferente, mas não excluído. Talvez discriminado por olhares, mas nunca ainda por atos. Já soube de amigos que apanharam ou sofreram outras violências psicológicas, físicas e ate emocionais por serem homossexuais sim. E eu só lamento.

Você se sente à vontade para beijar em público ou concorda que um gay não deve “dar bandeira” e precisa ter uma postura hétero-normativa para ser bem aceito? Alguns dizem que em um casal gay sempre haverá um parceiro mais masculino e outro mais feminino. Isso é real, ou uma forma sutilmente preconceituosa de fantasiar a relação como sendo um homem unido a uma mulher?

Filliphe: Infelizmente vivemos em um mundo mal, então devemos nos policiar, mas não nos privar. Acho que tem alguns lugares em que me sinto a vontade e então beijo. Tem lugares que eu acho melhor evitar, não por medo ou por vergonha, sim pelo respeito, acho muito deselegante casais, homos ou héteros, se agarrando em ônibus, supermercados, metro, etc… Hoje em dia as pessoas não entendem o que significa ‘demonstração pública de afeto’ e exageram. Eu namorei 2 anos, andávamos muito nas ruas, quem nos visse percebia que eramos namorados, não porque estávamos nos agarrando e sim pelo fato de olhares, as vezes um carinho, um selinho, uma bronca, um sorriso, isso sim é ‘demonstração pública de afeto’.

William: Quanto à demonstração de afeto, creio que é uma face de dois gomos. Pois ao mesmo tempo em que eu entendo que culturalmente muitas pessoas de mais idade, com ideologias e costumes e ate educação diferentes de um tempo sem informações, não são obrigados a serem expostos a tais atos, eu tbm creio que é um direito. Porque eu, por exemplo, nunca me senti a vontade em estar perto de um casal heterossexual se beijando demonstrando afeto. Há incomodo, ainda mais se você não esta com seu parceiro (risos).Creio ser mito. Não há o porquê de haver um mais masculino e outro mais feminino. E isso se aplica a mulheres gays também: não há o porque se formar o conceito de que uma precisa ser mais masculinizada que a outra. É um esteriótipo até mesmo fundado nos próprios homossexuais de que deve ser assim.

No caso de gays “ativos” e “passivos”, o que você acha dos últimos serem considerados “mais gays” do que os primeiros?


William: 
Criou-se a fantasia de que o passivo é mais gay que o ativo. Isso não existe. Sim pode ser que o passivo expresse mais propensão a trejeitos femininos, que em parte vem da nossa educação cultural de que quem é penetrado é subornado e inferior ao que penetra, como no caso das mulheres. É o machismo que impregna em todos os gêneros. Creio que cada um deve ser como é. Não deve manter posturas para ser aceito, deve haver consensos. Não é preciso ser uma drag queen, por exemplo, o dia todo, só para chocar, dizer que é revolucionário.

Filliphe: Eu particularmente me desprendi desde rótulo, não acho legal falar esse tipo de coisa abertamente. Então, infelizmente muitos ‘de fora’ julgam dessa maneira, mas eu não acho que um homossexual passivo seja mais gay que um ativo, ambos gostam de homem, só muda a maneira de como preferem na cama e como eu já disse antes, não é algo legal de ficar divulgando aos quatros cantos.

Qual é seu posicionamento a respeito da união homoafetiva? Você acha que o casamento gay deveria ser aprovado?

Filliphe: Eu sou a favor do amor, aonde exista amor, carinho e respeito, deve ser visto perante a lei como uma união afetiva. O casamento gay é algo que deve sim ser aprovado, não só pelo fato do amor, mas pelo direitos e segurança que um casamento da a ambos parceiros. A luta LGBTT não é só pelo casamento cerimônia que é o que muito ignorantes pensam, o objetivo principal é assegurar os direitos concedidos através de um casamento civil, que só com uma União Homoafetiva não garante. O Brasil tem que se tornar um estado laico de fato, coisa que só é na teoria. Todos somos cidadãos e pagamos imposto e temos deveres junto com a sociedade, nada mais justo que assegurar o nosso direito de podermos nos casar com quem nós quisermos. 

William: o casamento é um direito constitucional. Não deveria haver nem a discussão sobre.

O que você pensa sobre adoção por casais homossexuais?

Filliphe: O mundo anda tão carente de amor… Eu sou a favor da adoção SIM! (risos) Existem tantas crianças sendo mal tratadas, nascendo em lares sem carinho e respeito, sou a favor da adoção para qualquer tipo de pessoa que tenha mente equilibrada, tenha responsabilidade, um casal hétero, homo, uma pessoa solteira, uma travesti. Acho a adoção umas das maneiras mais linda de demonstrar amor ao próximo, isso deveria ser incentivado pelo governo e não ser negado por ele.

William: A adoção tem como princípio lar, família, estabilidade (financeira, afetiva e social) em relação à criança. Não creio que isso deva ser imposto e discriminado de acordo com a sexualiadade ou o casal em questão. Até por que os poucos casis homossexuais que conseguiram essa vitoria, essa conquista, têm tido filhos que cresceram heterossexuais, mais informados e sem vestígios de comportamento violento ou discriminatório. Isso so prova que a discriminação e contuda, preferência sexual e afetiva se dão pela existência de cada um e não é algo comportamental, que se aprende ou se desenvolve segundo influências do meio em que se vive.

A religião acaba sempre fazendo parte dos debates mais calorosos acerca dos direitos homossexuais. Você tem religião? Como se sente diante dessas questões?

Filliphe: Não tenho religião, não sou a favor de doutrinas, seitas e afins, mas respeito todas, porém isso não significa que eu não acredito em DEUS. Hoje em dia as pessoas vem apresentando um ‘deus’ tão ruim, tão carrasco, que distorce e contraria tudo o que elas próprias pregam sobre ‘ele’. Eu acredito que DEUS seja todos os sentimentos puros, um sentimento de amor, um sentimento de justiça, um sentimento de felicidade, um sentimento de compaixão, a misericórdia… Por isso não acredito que um DEUS justo iria deixar eu nascer gay, pra que as pessoas que acreditassem nele fossem sem amor e compaixão comigo, me negando qualquer pedido de misericórdia e vivendo uma vida infeliz. A Bíblia, sim é um livro com histórias sensacionais, aonde podemos aprender lições de fé e vida, não um livro para servir de julgamento. De uma certa maneira ou de outra, nínguem segue a Ela ao pé da letra, nem mesmo esses bitolados e religiosos, que usam a Bíblia como desculpa para julgar as pessoas, achando que estão certas, esquecendo que em toda Ela, o principal mandamento é o amor ao próximo.

William: Me sinto agnóstico. Creio em algo além da minha compreeensão, e creio que não sou capaz ainda de compreender, mas aceito que há algo, só não sei o que. Quando preciso recorro à religião, aquela que me aproxime mais de meus objetivos e de paz interna, qume dê amparo, forma ou qualquer coisa que naquele momento que eu necessite. Creio que religião e fé sejam isso: crer em algo nem que seja em mim mesmo. É importante a religião na vida do ser humano… Mesmo os que se dizem ateus, tem fé sim em sua racionalidade, na ciência, ou si mesmos; de qualquer forma é crença, é fé. Desde sempre a religião, principalmente católica esteve envolvida em questões homo afetivas e não é tão espantoso assim, já que se segue a interpretação feita a milhares de anos da biblia, de uma forma em que devemos ser cordeiros, de obediencia extrema para ganhar entrada vip ao céu. Mas creio que hoje em dia, deve haver uma nova interpretação, porque não há como sustentar paradigmas sociais numa era globalizada, calcadas em escritos de 2 mil anos atras. O planeta mudou, a evolução humana mudou de la pra cá e seria idiotice, e ate mesmo uma falta de fé, não aceitar a possibilidade de que a interpretação humana para os dizeres DELE foram equivocadas e que devem ser sim relidas e refeitas a medida que os anos avançam.. afinal não dizem que os escritos são perfeitos?

Como você define a sua sexualidade? Ser chamado de gay te ofende de alguma forma? Você acha que o rótulo de homossexual pode limitar suas experiências?

Filliphe: Eu sou gay. Ser chamado de gay, homossexual eu não ligo, agora dependendo a situação e da pessoa eu detesto que me chamem de viado, baitola, bichinha, etc… Porque essas palavras tem uma conotação muito ruim. Eu me considero um gay convicto, eu amo homem, já tentei experiências com mulheres, não tive sucesso, por isso não cogito uma nova tentativa, mas o futuro não nos pertence, mas mesmo que eu venha ter algo com uma mulher ( Quase impossível, risos) continuarei me achando gay, porque eu me conheço.

William: Não gosto muito de me rotular e nem de fazer uma carteirinha de “Willian Augusto, 22 anos, cineasta gay..”, não acho necessário, ate porque não se exige isso a ninguém. Mas não vejo problema às vezes não: a pergunta sobre qual minha preferencia afetiva não me ofende, até porque ninguém tem como saber se eu me interesso por homens ou mulheres. É o mesmo que me perguntar se prefiro pessoas baixas, pessoas brancas, negras, olhos claros e etc., uma questão de gosto. O que não aceito é rotular caráter e persona com esse titulo, “lá vai o gay por exemplo”. NÃO há razão pra isso, isso é discriminação. Insito na discriminação, por que aceito qualquer pre conceito, todos tempos pre conceito, é normal. Seria idiota não aceitar que somos pre conceituosos, até pela capacidade de inteligencia e pensamento. Mas pre conceito e discriminação são diferentes. O que repudio é discriminação, no caso a homossexuais.

Sabemos que ainda há muito preconceito com os homossexuais. Você acha que algum dia haverá igualdade e o fim da discriminação? Seria cabível alguma política pública pra amparar os homossexuais?

Filliphe: Sempre haverá discriminação, infelizmente… Mas eu concordo que com o tempo esse preconceito vai diminuir, mas não ao ponto de ser erradicado. Infelizmente ainda vemos crimes de racismo, crime contra as mulheres, xenofobia, mas que sofreram uma queda após leis específicas. Creio que tem que ser feito algo de emergencial quanto a homofobia , pessoas estão sendo mortas por gostarem diferentes, por serem diferentes do que a sociedade prega como o ‘natural’. Uma lei que não abuse do direito e que sim pregue a igualdade entre todas as condições sexuais, nem dando direitos a mais pra uma classe, ou diminuindo os direitos de outra, todos merecem serem respeitados pelo que são, pelo que acreditam, pelo que nascem. O Brasil tem que deixar a teoria e se tornar um estado laico de fato, reconhecer que nós homossexuais somos motivos de piadas ainda infelizmente, sofremos preconceito em nossos ambientes de trabalho, podemos ser alvo de agressões gratuita na rua a qualquer momento por um simples gesto de carinho com o parceiro, e muitas outras formas de discriminação que existe.  A Justiça no Brasil tem que começar a dar gritos e pulos para acreditarmos que ela ainda vive, não adianta fazer apenas uma lei, tem que fazer ela valer, tem fazer ela acontecer, mas eu acredito que essa lei não vai demorar mas tanto assim para ser aprovada.

William: Igualdade não há nem a negros, a anões, as mulheres plenamente, a pessoas com deficiencias fisicas ou de intelecto. Creio que igualdade plena nunca haverá. Tendemos a excluir o que não compreendemos ou que julgamos ser diferente demais, e isso acontece na natureza, entre animais mesmo. Tudo e todo aquilo que é diferente do senso comum é discriminado. Mas o que tenho esperança é de que um dia haja respeito. Não precisa haver aceitação, somente respeito, da mesma maneira que vemos na musica:eu  não gosto de tal cantor, não o entendo, mas não tenho direito de xinga-lo, agredi-lo, zua-lo ou qualquer coisa do tipo. Devo respeitá-lo enquanto cidadão, aceitar estar em sociedade é isso. Enquanto minha faca não atingir o seu escuto, tudo fica bem.

Não sei se a política ajuda muito nisso, não. Ajuda em questões burocráticas como casamento, adoção, lei contra a discriminação… Mas quanto ao enraizamento desses esteriotipos, creio que so o tempo mesmo pode dizer. A 50 anos atrás, aceitar ver um politico gay ser eleito, um personagem gay na TV ou homem negro presidente da maior potência global, e etc., era impossível. Hoje ja é diferente: Há a tolerância mesmo que velada. Quem sabe daqui mais 50 anos.

Filliphe: Eu acho que sim, haverão mudanças positivas para nós gays com o tempo, mas todos nós temos que sair pra lutar, deixar de se encubar em casa e sermos mais unidos, sermos mais orgulhosos de nossa condição e fazer algo muito maior do que uma parada pela diversidade e sim um pela grito de liberdade que todos temos em nossos peitos, sem levarmos isso como uma oportunidade para pegarmos meio mundo e sim com a intenção de gritar pro mundo que nós merecemos respeito. Devemos deixar de associar eventos/protestos gays, como se fossem um carnaval e sim como nosso rugido ao mundo que nascemos assim e assim que queremos ser reconhecidos, assim que queremos ser respeitados e que somos humanos e merecemos sermos tratado com qualquer outro cidadão.

Espero que tenham gostado da entrevista! Gostaria de agradecer ao Filliphe Scott, que você pode encontrar no twitter, e ao Will Augusto, que além do twitter, escreve um blog!


Dia da Mulher: “Igualdade a gente conversa quando for de verdade”.

O Dia Internacional da Mulher teve início em 8 de março de 1917 na Rússia, com greves feitas por operárias das grandes fábricas têxteis contra as más condições de trabalho, a fome, contra o czar Nicolau II e contra a participação do país na Primeira Guerra Mundial,  tendo sido o estopim para o início da Revolução Russa de 1917. Na Europa e nos EUA, porém, a ideia de criar um dia internacional para a mulher já era mais antiga, e além das reivindicações soviéticas, tinha também intenção de lutar pelo direito ao voto, pelo fim dos casamentos arranjados e a propriedade que os maridos tinham sobre suas esposas.

Depois de ficar por muito tempo esquecida, foi em 1960, com o nascimento do movimento feminista, ou segunda onda do movimento feminista, que a data passou a ser lembrada e adquiriu maior importância, ganhando um sentido mais político na luta contra a  desigualdade e o fim da discriminação. Um marco também importante  para o movimento feminista, foi a obra da escritora e filosofa francesa Simone de Beauvoir, chamada O Segundo Sexo, de 1949. Tendo dois volumes “Fatos e Mitos” e “A experiência vivida”, O Segundo Sexo defende a teoria existencialista de Sartre que diz “A existência precede a essência”, ou seja, “não se nasce mulher, torna-se mulher”. Para isso, Simone de Beauvoir argumenta que as mulheres sempre receberam uma educação e um tratamento de inferioridade em relação aos homens: “A mulher determina-se e diferencia-se em relação ao homem e não este em relação a ela; a fêmea é o inessencial perante o essencial. O homem é o Sujeito, o Absoluto; ela é o Outro.”, e que para reverter esse fato, a mulher deveria deixar de ter no homem o seu modelo e aspiração.

Posteriormente a todos esses fatos importantes que trouxeram diversas conquistas para as mulheres e fizeram com que o dia 8 de março tivesse uma grande importância histórica e social, o Dia Internacional da Mulher adquiriu um caráter completamente festivo e comercial, em detrimento das lutas sociais e discussões que ainda precisam ser feitas em relação aos direitos da mulher e sua função na sociedade moderna.

Apesar de todas as conquistas, ainda vivemos numa sociedade machista e patriarcal, onde paradoxalmente a mulher vem ganhando destaque em seu trabalho e carreira, mas ainda que desempenhe a mesma função de homens, recebe menos que eles e, em casa, sofre um acúmulo de tarefas. Além disso, o Brasil está entre os 25 países que mais assassinam mulheres, e isso significa que 66 mil são assassinadas a cada ano, sendo 17% vítimas de homicídios intencionais, e nisso podemos incluir violência doméstica e estupro. São números que chocam não só pelos fatos que revelam, mas por fazer perceber que ainda estamos muito longe de reverter a situação a favor de um país mais igualitário, onde as mulheres não tenham que vestir burca para serem respeitadas e muito menos serem tratadas como propriedade dos homens a ponto de serem violentadas. E principalmente um país onde as mesmas tenham informação, para que dessa forma, possam entender, cuidar e decidir sobre seu próprio corpo.

Discutir soluções para esses problemas é muito mais importante do que qualquer “parabéns” que possa ser dado a uma mulher. Para demonstrar isso, em protesto às comemorações do dia 8 de março, a cantora Karina Buhr, ao lado de Naná Rizzini,  Mariah Teixeira, Marina Gasolina e do músico Adriano Cintra, resolveu lançar uma campanha de forma muito bem humorada na internet. A ideia era gerar questionamentos e fazer pensar sobre o machismo e a hipocrisia em torno dessa data, e para isso, os músicos aparecem de topless num ensaio com textos provocantes: “Seu amigo fica sem blusa e você não”, “Tem vergonha de farol aceso na rua”, entre outras. Em entrevista à Revista TPM, Karina Buhr afirmou que o protesto era uma forma de “Lembrar, relembrar e frisar sempre que isso de igualdade entre homens e mulheres ainda tá bem longe de acontecer. Que o Brasil é um país muito machista (os homens e as mulheres), que tem um discurso lindo a respeito da burca alheia, mas não olha pro próprio pé. E mostrar que mulher não precisa ter vergonha do corpo, de se esconder o tempo todo pra evitar piadas escrotas e violência. E, afinal, se um amigo seu pode tirar a blusa, você não poderia por que?”.

Outra iniciativa importante e bastante engraçada foi a Marcha das Vadias, onde mulheres saíram às ruas de vários países, inclusive em passeata na Avenida Paulista, com roupas provocantes em forma de se opor à afirmação de um policial que afirmou durante uma palestra em Toronto, no Canadá, que as mulheres deveriam parar de usar roupas de vadias para evitar estupros. Ficam as dicas e a reflexão. Mais do que poemas e flores, precisamos de discussões e conscientização para celebrar o Dia Internacional da Mulher e isso não precisa ser necessariamente feito de uma maneira chata e massante. 

Dicas relacionadas:

Texto sobre o aborto e a assistência às mães, de Juana Diniz, aqui.

Ensaio de Karina Buhr, aqui.

Fotos da Marcha das Vadias em SP, aqui.

E para fechar, Desconstruindo Amélia.

Segundo Pitty, a música surgiu da ideia de investigar e entender “como seria a Amélia do século XXI ? Depois de queimar o sutiã , obter direito ao voto e passar a exercer cargos de comando em poderosas empresas, como sentem-se hoje as mulheres? Aliviadas por terem mais autonomia ou sobrecarregadas porque além dos afazeres domésticos acumulam a função de sustentar uma casa? Pesquisei , e não pude deixar de (re) ler O Segundo Sexo de Simone de Beauvoir; obra esta que me ajudou a clarear os pensamentos e a trazer para a música a  seguinte frase: “Já não quer ser o Outro, hoje ela é Um também.”  A Amélia de Ataulfo e Mario Lago mudou. Aquela que “era mulher de verdade e que não tinha a menor vaidade” hoje se desdobra entre a delicadeza de saber preparar uma refeição e a garra de acordar cedo pra ir trabalhar e tomar decisões. E, claro, se por acaso der pra fazer as unhas no intervalo do almoço, melhor ainda.”

“99 não é 100”: Humanizar-se com o lixo.

Alguns dos maiores problemas que surgiram com o crescimento da urbanização no Brasil foram o aumento da quantidade de lixo produzido e a acentuação do desemprego, ocasionado pelo envelhecimento da população e consequente elevação na quantidade de pessoas economicamente ativas, das quais uma grande porcentagem não encontra ocupação ou acaba no trabalho informal. Com isso, o que muita gente não imagina, é que algumas pessoas por falta de opção e oportunidades, acabam indo buscar seu sustento nos famosos lixões e aterros sanitários espalhados ao redor dos grandes centros urbanos; esse material que equivocadamente chamamos de lixo, acaba se convertendo em renda para muitas famílias, que além de tudo, impedem que boa parte dessas matérias não biodegradáveis poluam o meio ambiente ou piorem o caos urbano em épocas de chuvas fortes levando a enchentes.

O documentário “Lixo Extraordinário”, mostra a vida ofuscada das pessoas que vivem a realidades dos lixões e aterros sanitários, e fazem dos mesmos o seu ganha-pão. Pessoas que mesmo com todas as dificuldades nos levam a refletir sobre a importância do catador de lixo para a sociedade e como humanizar-se muitas vezes independe de diploma. O lixo ganha um novo sentido nesse documentário, se transformando em arte e reflexão. Quem ainda não assistiu, precisa ver o quanto antes!

Quando sair da teoria funciona

Vivemos na era da informação, e esta chega por todos os cantos: está nas esquinas, nos outdoors, entupindo nossos boeiros, os sites de notícias, livros e revistas, e enfim, tumultuando nossos pensamentos e confundindo nossas cabeças. Vamos acumulando dados e mais teorias, que vão ocupando espaço no nosso hd interno e parecem só servir para nos fazer perder o melhor da vida. Enquanto estamos atordoados estudando, defendendo nossas teorias e teses de mestrado, monografias, fazendo nosso trabalho, temos a sensação de estarmos distantes de tudo o que nos proporciona prazer, apenas cumprindo com nossas obrigações com a busca pela ascensão social ou status.

Nos obrigamos a manter essa relação massante com as informações e o conhecimento, descartando-os depois que efetivaram suas funções, nos levando aos lugares aonde pretendíamos chegar. Pior do que isso, porém, é que sem sequer nos darmos conta, infligimos esse mesmo modelo às crianças e aos adolescentes, que assim como muitos de nós, passam anos de sua vida decorando informações – as quais apenas algumas frações se converterão verdadeiramente em conhecimento – que jamais saberão qual a função na vida real. É claro que toda generalização é um erro, e nem todas as pessoas acham massante aprender; nesse caso o aprendizado não é um meio de alcançar um objetivo, mas é o próprio objetivo.

Esse seria um problema apenas pessoal, já que em tese cada um escolhe com o que gasta seu tempo, porém acaba afetando o todo. Apesar de pertencermos a uma era informacional, as pessoas pensam cada vez menos e compram suas ideias assim como chicletes em mercearias, provocando mal-entendidos, debates infundados e uma grave falha de comunicação. Ficou muito mais fácil manipular e o senso-crítico tem estado em falta.
Para quê então tantas notícias, tanta valorização dos diplomas e tempo gasto com uma educação que desmotiva e reprova o pensamento próprio, a reflexão e a busca pelo entendimento do universo através do conhecimento científico?

Informação nenhuma têm sentido se não levar a um pensamento superior, além da decoreba de fórmulas e classificações taxonômicas que não têm função alguma na vida prática, e deveríamos fazer diferente. De nada adianta ensinar a um aluno sobre a Guerra Fria se ele não entender as consequências que a mesma trouxe para o mundo contemporâneo, assim como não há porquê insistir em fazer alguém decorar nomes de vermes se não for para entender as doenças que estes podem causar e aprender a prevenir os tais males.

Enquanto continuarmos nivelando por baixo, apresentando aos nossos estudantes conteúdos vazios e imensos, iremos manter a desigualdade social e a “bundamolice” que assola esse país, com o perdão do termo.

As versões de “Please, please, please, let me get what I want”.

Uma das bandas mais importantes do cenário britânico de rock dos anos 80 foi o The Smiths, lançando em 1984 um disco de nome homônimo, com grande carga política e já grandes hits que virariam sucesso, como “How soon is now?”, “Heaven Knows I’m Miserable Now” e “William, It Was Really Nothing”. Em seu segundo disco, denominado “Meat is Murder” ou  “A carne é morte”, já mais madura, a banda apresentava inovações musicais e Morrissey defendia o vegetarianismo, uma bandeira que ergue até hoje, sendo este importante para afirmar o caráter político da banda. Porém é no terceiro disco,  “The Queen is Dead”, lançado em 1986, apresentando sucessos como “Cemetry Gates”, “The Boy with the Thorn in His Side”, “There Is a Light That Never Goes Out” e “Some Girls Are Bigger Than Others”, que o Smiths começou a enfrentar turbulências internas e após o lançamento de seu quarto disco, “Strangers, Here We Come”, em 1987, a banda se separou, por divergências entre Morrissey e o guitarrista Johnny Marr, e não mais se reencontrou mesmo após diversas oportunidades oferecidas aos integrantes.

A música “Please, please, please, let me get what I want”, lançada na coletânea “Hatful of Hollow”, em 1984 no Reino Unido – porém apenas em 1993 nos EUA – é até hoje considerada um grande sucesso da carreira do The Smiths, sendo apresentada inclusive nos shows na carreira solo posterior de Morrissey e tendo sido interpretada por diversas bandas que deram um aspecto diferente à canção. Veja abaixo algumas delas!

Please, please, please, let me get what I want“, sob o comando dos também britânicos da banda Muse:

Na versão dos duos Agridoce, de Pitty e Martin Mendezz:

e Tinderbox, de Monique Houraghan e Dan Tucker:

A incrível versão do Deftones:

A versão de She & Him, que fez parte da trilha sonora do longa 500 dias com ela (500 days of Summer):

The Dream Academy, com uma versão instrumental muito boa:

Agridoce: músicas quase doces para pessoas nem tão doces assim!

Não é segredo pra ninguém que sempre gostei da Pitty, tanto da sua banda como da sua pessoa, que conheço muito pouco, de entrevistas e letras de música, muito mais do que pessoalmente. Depois algum tempo de reflexão, cheguei à conclusão que esse encanto se deu por identificação com a maneira diferente e não hipócrita de falar e analisar a condição humana que Pitty carrega em suas composições, seja com a banda Pitty ou com o Agridoce. Se em seu projeto principal a maneira de abordar os temas é mais incisiva e clara, o Agridoce, por outro lado, deu à cantora a oportunidade de explorar um outro lado de sua personalidade, talvez mais subjetivo, e não por isso inferior. E que bom que ela resolveu compartilhar esse lado até então desconhecido, além de sua vontade e vocação para explorar outros ritmos e sonoridades. O mundo agradece!

O disco do Agridoce, de título homônimo, começa com um convite ao espectador para que este penetre no universo em que foi gravado o disco, intitulado “Agridocelândia” – uma maneira divertida de se referirem à casa localizada na Serra da Cantareira, onde Pitty e Martin ficaram isolados por mais de 20 dias e se deixaram levar por suas composições – com sons de fundo onde é possível ouvir o canto de pássaros e fisgar um pouco do clima ambiente. “Once in hell, embrace the devil” é parte do refrão da música que abre o álbum, falando com sutileza de como algumas pequenas mentiras acabam se tornando inevitáveis e essenciais para que nossos relacionamentos funcionem, mostrando já a dualidade presente no disco: músicas que apetecem os ouvidos, mas nem sempre a razão.

Divulgação; Foto: Caroline Bittencourt

“Dançando”, o primeiro single do Duo e segunda faixa do CD, seguindo a mesma linha da música que a antecede, acaba falando de uma maneira pouco comum da felicidade, do prazer de vivenciar belas tardes com os amigos e os momentos singelos da vida, fazendo um contraponto ao sentimento de não-inserção no mundo e até misantropia. O piano, o violão dedilhado e as várias camadas presentes na música, identificáveis mais facilmente com a ajuda de fones de ouvido, revelam outra característica presente no álbum: o tom minimalista e cheio de improvisos, já que durante a gravação a dupla utilizou sons do ambiente, e muitas vezes de elementos inusitados para compor a sonoridade única que marca suas músicas, como a técnica do “piano preparado”, que consiste em interferir no som do instrumento colocando objetos sobre suas cordas, criando efeitos peculiares.

Com canções em Inglês, Português e Francês, Agridoce segue nada óbvio, com letras que enganam ouvidos desatentos, cantando um romantismo muitas vezes byroniano, angustiado, pessimista e lúdico, como em “Ne Parle Pas”, onde o alter-ego com seu jogo de palavras me faz imaginar uma cena de sedução entre dois gatos felpudos ou “Romeu”, e em “Epílogos e Finais”, que revela o sentimento de inconformismo com a brevidade da vida e, unindo-se a “130 anos” e “O Porto”, gera inúmeras reflexões existencialistas ao ouvinte. Além disso, o álbum parece não se encaixar em nenhum rótulo musical: não é MPB e nem Folk, apesar de ter influências de ambos os ritmos, sendo a união de dois músicos trabalhando para a criação de algo original, maduro e despretensioso, como se mostrou o projeto desde sua origem.

Tão bom quanto o álbum, é o show do duo, que conta com a presença de dois músicos convidados, Loco Sosa (Samples e programações) e Luciano Malásia (Percussão) – que foram imprescindíveis para manter o minimalismo das canções e torná-las executáveis ao vivo – e apresenta além de todas as músicas do disco, algumas que acabaram ficando de fora, como B-day, e Alvorada, levando aos palcos o clima intimista, melancólico, reflexivo e introspectivo do projeto paralelo de Pitty e Martin. O único defeito dos músicos é terem um repertório curto demais!

Para ouvir o disco: http://agridoce.net/

From simple roots through high vision

Teve aquele dia no parque e antes dele, aquela peça de teatro linda. Músicas, estórias, conversas e encontros tão únicos de fim e começo de tarde com amigos, gente simples e feliz sentada na grama, em bancos, descansando da vida, falando de tudo o que não interessa. São essas coisas simples que me motivam, porque eu também sou simples… Mas primeiro, sou uma viciada em sinceridade. Eu gosto de gente que é livre e por isso não impede ninguém de ser do jeito que for, gente que gosta, e telefona para saber como estou, conta seus casos, me ajuda com meus problemas, e faz tudo sem aquele sentimento de obrigação.

Nosso ego insiste em nos fazer pensar que somos todos únicos, mas no final, somos todos iguais; seres humanos, alguns mais sensíveis e outros menos, em busca sempre das mesmas coisas: acolhimento, carinho, identificação, confiança, amizades e amores. Só muda a forma como cada um age frente a essas necessidades. Pelo menos é assim que me sinto: mais uma, das mais sensíveis e simples. Quero poder contemplar o sol durante as tardes, o verde da grama, me afastar de tudo que me atrasa e faz mal. Quero distancia de gente que só está ao meu lado quando eu faço a coisa certa, porque eu também erro e não gosto de me sentir sem chão, sem ajuda, sem uma mão.

Ando querendo me afastar da cidade grande e ir estudar fora, meditar pelas manhãs, me livrar dessa ansiedade. Ando querendo mudar meu estilo de vida, minhas baladas, me concentrar em tudo o que realmente importa e deixar as coisas pequenas de lado. Pessoas que não mais acrescentam, manias e vícios que só me consomem tempo e dinheiro, entender que tudo tem um tempo certo para durar, e depois precisa ser descartado, por mais dolorido que seja, para dar vazão a nossas experiências.

Descobri que essa sou eu: avessa a grandes sofisticações do mundo e adepta a sofisticação dos sentidos e dos corações…

#O título é um trecho de Citizen of the Planet, da Alanis Morissette e significa “De raizes bem singelas até a alta percepção”.

Murar o medo – “Sob as mesmas nuvens cinzentas vivemos todos nós”…

Ao analisar a forma como estamos conduzindo nossos atos e nossos pensamentos, afirmo que estamos nos desumanizando a passos cada vez mais largos, repetindo as ações do passado onde iniciamos uma ode ao medo e ao terror. Com isso, além de termos oprimido, tirado o direito à privacidade e à liberdade de expressão e pensamento, passamos também a justificar a violência, o preconceito, interesses econômicos e descaso com problemas que deveriam ser de importância de toda a humanidade, como a miséria, a AIDS, e a falta de Direitos Humanos. Tendo nossa justificativa, nos portamos como senhores donos do mundo, criando uma relação onde poucos ganham e muitos perdem…

Eu não poderia falar mais do que o escritor Mia Couto, e esses pensamentos contidos nesse vídeo deixam muitos questionamentos interessantes. Recomendo o vídeo e o texto segue abaixo para quem quiser acompanhar!

Murar o medo – Mia Couto

O medo foi um dos meus primeiros mestres. Antes de ganhar confiança em celestiais criaturas, aprendi a temer monstros, fantasmas e demónios. Os anjos, quando chegaram, já era para me guardarem, servindo como agentes da segurança privada das almas. Nem sempre os que me protegiam sabiam da diferença entre sentimento e realidade. Isso acontecia, por exemplo, quando me ensinavam a recear os desconhecidos. Na realidade, a maior parte da violência contra as crianças sempre foi praticada não por estranhos, mas por parentes e conhecidos. Os fantasmas que serviam na minha infância reproduziam esse velho engano de que estamos mais seguros em ambientes que reconhecemos. Os meus anjos da guarda tinham a ingenuidade de acreditar que eu estaria mais protegido apenas por não me aventurar para além da fronteira da minha língua, da minha cultura, do meu território.

O medo foi, afinal, o mestre que mais me fez desaprender. Quando deixei a minha casa natal, uma invisível mão roubava-me a coragem de viver e a audácia de ser eu mesmo. No horizonte vislumbravam-se mais muros do que estradas. Nessa altura, algo me sugeria o seguinte: que há neste mundo mais medo de coisas más do que coisas más propriamente ditas.

No Moçambique colonial em que nasci e cresci, a narrativa do medo tinha um invejável casting internacional: os chineses que comiam crianças, os chamados terroristas que lutavam pela independência do país, e um ateu barbudo com um nome alemão. Esses fantasmas tiveram o fim de todos os fantasmas: morreram quando morreu o medo. Os chineses abriram restaurantes junto à nossa porta, os ditos terroristas são governantes respeitáveis e Karl Marx, o ateu barbudo, é um simpático avô que não deixou descendência.

O preço dessa construção [narrativa] de terror foi, no entanto, trágico para o continente africano. Em nome da luta contra o comunismo cometeram-se as mais indizíveis barbaridades. Em nome da segurança mundial foram colocados e conservados no Poder alguns dos ditadores mais sanguinários de que há memória. A mais grave herança dessa longa intervenção externa é a facilidade com que as elites africanas continuam a culpar os outros pelos seus próprios fracassos.

A Guerra-Fria esfriou mas o maniqueísmo que a sustinha não desarmou, inventando rapidamente outras geografias do medo, a Oriente e a Ocidente. E porque se trata de novas entidades demoníacas não bastam os seculares meios de governação… Precisamos de intervenção com legitimidade divina… O que era ideologia passou a ser crença, o que era política tornou-se religião, o que era religião passou a ser estratégia de poder.

Para fabricar armas é preciso fabricar inimigos. Para produzir inimigos é imperioso sustentar fantasmas. A manutenção desse alvoroço requer um dispendioso aparato e um batalhão de especialistas que, em segredo, tomam decisões em nosso nome. Eis o que nos dizem: para superarmos as ameaças domésticas precisamos de mais polícia, mais prisões, mais segurança privada e menos privacidade. Para enfrentar as ameaças globais precisamos de mais exércitos, mais serviços secretos e a suspensão temporária da nossa cidadania. Todos sabemos que o caminho verdadeiro tem que ser outro. Todos sabemos que esse outro caminho começaria pelo desejo de conhecermos melhor esses que, de um e do outro lado, aprendemos a chamar de “eles”.

Aos adversários políticos e militares, juntam-se agora o clima, a demografia e as epidemias. O sentimento que se criou é o seguinte: a realidade é perigosa, a natureza é traiçoeira e a humanidade é imprevisível. Vivemos – como cidadãos e como espécie – em permanente situação de emergência. Como em qualquer estado de sítio, as liberdades individuais devem ser contidas, a privacidade pode ser invadida e a racionalidade deve ser suspensa.

Todas estas restrições servem para que não sejam feitas perguntas [incomodas] como, por exemplo, estas: porque motivo a crise financeira não atingiu a indústria de armamento? Porque motivo se gastou, apenas o ano passado, um trilião e meio de dólares com armamento militar? Porque razão os que hoje tentam proteger os civis na Líbia são exatamente os que mais armas venderam ao regime do coronel Kadaffi? Porque motivo se realizam mais seminários sobre segurança do que sobre justiça?

Se queremos resolver (e não apenas discutir) a segurança mundial – teremos que enfrentar ameaças bem reais e urgentes. Há uma arma de destruição massiva que está sendo usada todos os dias, em todo o mundo, sem que sejam precisos pretextos de guerra. Essa arma chama-se fome. Em pleno século 21, um em cada seis seres humanos passa fome. O custo para superar a fome mundial seria uma fracção muito pequena do que se gasta em armamento. A fome será, sem dúvida, a maior causa de insegurança do nosso tempo.

Mencionarei ainda outra silenciada violência: em todo o mundo, uma em cada três mulheres foi ou será vítima de violência física ou sexual durante o seu tempo de vida… A verdade é que… pesa uma condenação antecipada pelo simples facto de serem mulheres.

A nossa indignação, porém, é bem menor que o medo. Sem darmos conta, fomos convertidos em soldados de um exército sem nome, e como militares sem farda deixamos de questionar. Deixamos de fazer perguntas e de discutir razões. As questões de ética são esquecidas porque está provada a barbaridade dos outros. E porque estamos em guerra, não temos que fazer prova de coerência nem de ética nem de legalidade.

É sintomático que a única construção humana que pode ser vista do espaço seja uma muralha. A chamada Grande Muralha foi erguida para proteger a China das guerras e das invasões. A Muralha não evitou conflitos nem parou os invasores. Possivelmente, morreram mais chineses construindo a Muralha do que vítimas das invasões do Norte. Diz-se que alguns dos trabalhadores que morreram foram emparedados na sua própria construção. Esses corpos convertidos em muro e pedra são uma metáfora de quanto o medo nos pode aprisionar.

Há muros que separam nações, há muros que dividem pobres e ricos. Mas não há hoje no mundo muro que separe os que têm medo dos que não têm medo. Sob as mesmas nuvens cinzentas vivemos todos nós, do sul e do norte, do ocidente e do oriente… Citarei Eduardo Galeano acerca disso que é o medo global:

“Os que trabalham têm medo de perder o trabalho. Os que não trabalham têm medo de nunca encontrar trabalho. Quem não têm medo da fome, têm medo da comida. Os civis têm medo dos militares, os militares têm medo da falta de armas, as armas têm medo da falta de guerras.”

E, se calhar, acrescento agora eu, há quem tenha medo que o medo acabe.

Mia Couto