Gente negra, parda, miscigenada e linda!

Recentemente, li uma pesquisa sobre o racismo muito entristecedora, que revelava o quanto o preconceito se manisfesta nas crianças. Segundo o estudo (que você pode ler clicando aqui), crianças negras e pardas são muito mais rejeitadas na escola do que seus colegas brancos, manifestando na adolescência problemas como a insegurança e a falta de auto-estima, traços que acabam se perpetuando pelo resto de suas vidas.

Os motivos dessa discriminação desde a infância são vários. Além de aprenderem observando o comportamento dos adultos e interiorizarem a rejeição àqueles que não fazem parte do seu convívio (no caso de crianças que não convivem com pessoas negras), as crianças desde sempre aprendem que o padrão de aceitação é o europeizado. Seus ídolos da música são garotos brancos da elite que falam de corações partidos, os heróis dos desenhos que passam na TV não são negros, mas as empregadas nas novelas quase sempre são. Na escola, essas crianças aprendem desde cedo qual é a sua posição no mundo, a de subalternos.

Embora não seja comum presenciar pessoas pregando o ódio, a perseguição, inferioridade contra algum negro, o nosso racismo existe e é um racismo velado; fomos ensinados a não admitir nossos preconceitos, a existência de desigualdades inadmissíveis e a presença de minorias, culpa daquela velha e tacanha lógica que nos faz acreditar que só há fogo quando há fumaça, que ao ignorar nossos problemas eles automaticamente deixarão de existir. O Brasil é um país racista e que acredita não ter racistas. O racista brasileiro é aquele que costuma fazer declarações dizendo “não tenho nada contra, mas… eu não gostaria que minha filha se casasse com um rapaz negro”, “nada contra, mas… tenho que confessar que a maioria dos negros pobres são bandidos”, isso quando não ri de piadinhas racistas que escuta por aí. “Está na moda ser politicamente incorreto, esse povo chato e metido a besta é que adora chamar os outros de reacionários!”.

O exemplo mais concreto disso é o nosso padrão de beleza eurocêntrico. Mesmo após mais da metade da população brasileira ser reconhecidamente negra, ainda acreditamos que a beleza de alguém é diretamente proporcional ao quanto se encaixa nos padrões eurocêntricos. A preferência nacional ainda é pelas loiras, mesmo entre os homens negros, assim como boa parte das mulheres negras prefere se relacionar com homens brancos.

O racismo está implícito e faz com que milhares de pessoas negras, pardas, miscigenadas e lindas cresçam achando que são inferiores. Nas famílias onde não há uma forte identidade negra para fazer nascer o orgulho pelas origens e a aceitação, os miscigenados se acham menos bonitos do que seus irmãos que nasceram um pouco mais branquinhos. As meninas crescem achando que têm cabelo ruim, e acabam fazendo com que seus cabelos fiquem ruins mesmo de tanta química para tentar alisá-los. Não que seja errado alguém que queira alisar os cabelos ou quem prefira pessoas com determinadas características físicas, mas não vamos tapar nossos olhos e tentar acreditar que boa parte dessas “preferências” interioriza inconscientemente um histórico de racismo.

Se para as mulheres existe essa cobrança para se adequarem cada vez mais aos padrões excludentes, os meninos também não escapam: estão acostumados a serem trocados por outros brancos ou loiros, que sempre têm muito mais mulheres dispostas a relacionamentos e amizade, e as meninas a quase sempre serem a segunda opção na disputa com uma amiga igualmente bonita, mas branca. Os meninos negros estão acostumados a serem revistados pela polícia, enquanto seus amigos brancos não levantam muitas suspeitas. O branco encontrado com maconha no bolso da calça é vagabundo, filhinho de papai e mimado, o negro é bandido, marginal.

Tento pensar que o Brasil está mudando. Todos os dias, ao menos em São Paulo, vejo mulheres lindas assumindo seus cabelos crespos ou cacheados e homens ganhando auto-estima e orgulho por sua cor e miscigenação. E sonho todos os dias em ver cada vez mais pessoas ignorando imposições absurdas e inatingíveis, e sendo felizes se aceitando como elas são. Bonitas ou não. Capas de revista ou não.

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Livrem-me da neocaretice e da falta de personalidade existente nesse planeta, amém!

Estamos tão habituados a viver no nosso universo particular ao lado de amigos e frequentando ambientes onde todos pensam como nós, que, ao sairmos dessa nossa bolha ideal, tomamos um susto! Nem todos pensam como nós e lá fora ainda existe um mar de preconceito e uma quantidade enorme de gente alienada, arcaica, que tenta impor sobre nós suas regras e verdades inquestionáveis acerca da vida, da moralidade, quase literalmente cagando regras de como devemos pensar e agir!

Essa gente me faz pensar que os preconceitos e essa repressão silenciosa crescem à medida em que avançamos nas questões de direitos sociais e liberdades individuais. Eles ainda acham válido que gays sejam espancados e discriminados para que se tornem “homens de verdade” e que a estes sejam negados direitos sociais primordiais em nome de uma duvidosa vontade divina! Também acham que devemos educar nossas crianças e adolescentes à base de pancadas, para que aprendam desde cedo a se defenderem da vida. Já vi muitos deles afirmarem que bons tempos eram o da ditadura, que jovens só deturpam a sociedade e que deveríamos restringir o uso dos computadores para menores de idade! Parece mentira, mas não é! Esses cidadãos se esforçam para tapar o sol com a peneira, defendendo proibições e ideais absurdos como se eles fossem capazes de solucionar questões muito mais complexas.

São as mesmas que, de forma sutil, insistem em achar estranho que alguém coma uma comida diferente, que vista uma roupa que não está na moda, que se sinta bem sendo quem é, gordo, magro, alto, baixo, que tenha outras concepções de certo, errado, moral, imoral, feio, bonito, e que não se sujeite totalmente às regras que elas entendem como determinadoras do bom caratismo de alguém!

Que elas livrem a todos nós dessa neocaretice!  Nossas ruas ficam mais bonitas quando há diversidade e nossa vida fica mais feliz quando não precisamos julgar todos a todo momento. Que elas nos livrem dessa falta de personalidade, porque não seríamos plenos se  obrigássemos pessoas a serem o que não são em nome do que entendemos por moral, e porque temos consciência de que atentar à liberdade de alguém desse modo, é ferir a nossa própria liberdade de sermos quem somos, amar quem quer que amemos e viver como vivemos.

Que tenhamos a paz de um dia viver em nossos mundos ideais sem nos trancarmos em mundos imaginários!

Trecho de Caio Fernando Abreu:

” (…) Saí do cinema pensando: é preciso estar atento e forte, colega, a Idade Média está de volta. Discretamente, todo dia, de muitas formas estamos sendo bombardeados por mensagens tipo: não saia da linha, não cometa nenhuma transgressão, não se apaixone. Caso contrário, você será punido por isso. O vírus da Aids materializou nas cabeças burras aquela velha suspeita de que toda a nudez, um dia, seria inevitavelmente castigada. O que confirma a culposa lenga-lenga judaico-cristã de que este planeta não passa mesmo de um sofrido vale de lágrimas, onde todo prazer é sinônimo pecado. Para quem acompanhou a luta das minorias nos anos 60 e 70, resta um espanto no ar: o que está acontecendo? É um retrocesso? Foi tudo inútil? Como se entrássemos coletivamente numa máquina do tempo moral e mental, para negar a História e ignorar todos aqueles vislumbres de felicidade individual conquistados nas últimas décadas. Tentar ser feliz agora, saindo fora do esquema, é crime. Homossexuais, mulheres independentes, homens descasados, rebeldes de todo tipo, artistas, loucos mansos e varridos: a nova moral está no seu encalço.

A neocaretice está solta pelas ruas. Ela mora no apartamento ao lado, na casa da esquina e anda muito preocupada com a possibilidade de Jocasta e Édipo consumarem seu colorido incesto às oito da noite. Ela quer que o sexo que não se destine exclusivamente à procriação seja varrido da face da Terra. Ela sorri amável no elevador, dá bons-dias, boas-tardes, boas-noites, depois fica prestando atenção na sua vida para ver se você está andando direitinho dentro da linha. E se não estiver, tome cuidado, porque de alguma forma você pode ser punido. Despejo, desemprego – você sabe, essas pequenas tragédias que acontecem com quem ainda é capaz de não só acreditar em um pouco de prazer, mas até de lutar por isso. Embora, concordo, ninguém saiba mais direito o que seria “o prazer” a estas alturas da década de 80.
Quanto a nós, meio gauches, meio bandidos, dinossauros sobreviventes daquele tempo em que tudo parecia que ia mudar – não resta muito mais a fazer senão resistir. Movidos, no mínimo, pela curiosidade de onde vai dar tudo isso. E sempre se pode cantarolar baixinho aquele velho blues (Milagres) de Cazuza, que diz assim: “Mas que tempo mais vagabundo é esse que escolheram pra gente viver?”. Caio Fernando Abreu – 20 janeiro de 1988

Artistas e Músicas do meu Fim de Semana

O título do último post aqui do blog é “VISCERAL E PONTO”. “Visceral” é uma palavra que pode resumir o meu jeito de sentir e pensar sobre as coisas: Ou é ou não é, ou toca ou não toca! Cansada de estudar, passei o final de semana quase inteiro ouvindo músicas e descobri que de alguma forma, todas elas se uniam pela visceralidade.

Charles Bradley – É um cantor americano, nascido na Florida, que faz Soul, Jazz, Funk, R&b, tudo com altíssima qualidade! Em 2011 ele lançou um disco chamado “No Time For Dreaming”, o qual eu não consigo parar de ouvir!

 

Mariana Volker – Conheci a Mariana Volker, carioca na MTV alguns anos atrás, vendo a banda Unidade Imaginária, da qual ela é/era vocalista, tocar. Ainda gosto da banda, que não se ainda existe ou já acabou. Me encantei com essa versão de Todo Amor que Houver Nessa Vida que ela fez tocando piano.

 

5 a Seco – Conheci a banda de um jeito engraçado: fui a um show deles com participação da Tiê pensando que o show era apenas da Tiê, e o resultado foi que me encantei pela banda! É um sopro de vida e criatividade para a música popular do cenário paulista! Quem gosta do Lenine, certamente irá gostar do som deles!

 

 

Mallu Magalhães – Já falei da Mallu em outro post, e pois é, ainda não consegui parar de ouvir o disco dela. A música da vez é “Cena”, me identifico dos pés à cabeça, o som é uma delícia!

 

Etta James – Fazia tempo que eu não ouvia, e estava com saudade do exagero, da comoção que ela me proporciona. Como ela, jamais haverá cantora igual! Ela morreu esse ano, mas faz parte daquela liga de artistas cuja sinceridade fará com que sejam eternos.

VISCERAL E PONTO

Aos 16 eu acreditava que para ser boa, uma música precisava ser pesada. Hoje, aos 20, descobri que tudo o que é bom precisa, obrigatoriamente, ser sincero. Com o tempo, notei que os melhores momentos não são  necessariamente os que geram as melhores histórias, mas os que geram as lembranças mais simples, como aquelas que se transformam em pequenos retratos animados, com cheiros, sabores e sentimentos que, de tão profundos, acabam impossíveis de se descrever. Percebi que as pessoas mais incríveis não são as mais populares e badaladas, e que os melhores filmes às vezes passam na Sessão da Tarde.

A maioria das coisas é simples, somos nós quem complicamos. Queremos ser pop, mostrar que temos opinião, que possuímos cultura e somos modernos. Porém, nos deixamos levar pelas nossas manias horríveis como criar regras e ditar o que é aceitável ou não, enquanto deveríamos nos deixar guiar pelos nossos instintos mais genuínos: a busca pelo amor e pela felicidade. Mas o que são sentimentos em um mundo onde os cérebros são cada vez mais contemplados?

Hoje, vivo de acordo com as minhas regras. E quanto a música, eu quero que se foda o ritmo desde que no cantor eu encontre alma, visceralidade ou quem sabe dor. No amor, pouco me importa o tamanho do seu nariz, a cor dos seus olhos, o grau de seus óculos ou o que existe entre as suas pernas, desde que no seu coração exista coragem para se entregar e, na sua alma, exista liberdade para ser e aceitar que todos sejam exatamente como são. A respeito dos filmes, não faz a mínima diferença se são um Almodóvar, um Woody Allen ou um Blockbuster qualquer, desde que sejam capazes de me transportar para outros universos incríveis ou me emocionar. Já li muitos livros ruins que me pareceram bons e muitos livros bons que achei horríveis no final.

A vida é muito mais sobre se permitir e parar de criar regras para tudo…

Tradução grosseira: Viva por beijos profundos, aventuras estranhas, mergulhos noturnos e conversas desconexas….

Sessão Pipoca: Filmes da Semana

Mesmo com pouco tempo não consigo deixar o vício pelos filmes de lado! Me deixem sem livros, sem chocolate, sem cappuccinos, mas não me deixem muito tempo sem ver um bom filme!

Tomates Verdes Fritos (1991) – Eu sempre via as pessoas comentarem, até que essa semana resolvi ir atrás do filme. O resultado foi que eu amei e o filme acabou entrando na minha lista de preferidos. Além de um roteiro incrível, a trama é boa porque faz reflexões incríveis sobre a vida, o envelhecimento, a coragem e a morte, tanto que acabei com um trecho escrito por Charles Bukowski na cabeça:

“O que é terrível não é a morte, mas as vidas que as pessoas levam ou não levam até a sua morte. Não reverenciam suas próprias vidas, mijam em suas vidas. (…) A maioria das mortes das pessoas é uma empulhação. Não sobra nada para morrer.”

Elena Undone (2010) – Um filme, mais uma vez, para pessoas de mente aberta, pois se trata de uma história de amor entre duas mulheres: Peyton, uma lésbica  assumida e Elena, uma mãe de família casada com um pastor evangélico. Além da história muito bem abordada, o filme também fala sobre amores verdadeiros de toda forma e faz pensar em destinos e almas gêmeas. Enquanto Peyton tenta inibir seus sentimentos, Elena mostra coragem para ir adiante com seus sentimentos. É um filme belíssimo, que marca sem dúvidas a história do cinema, por ser tão corajoso! Trailer aqui.

Mallu Magalhães: Mais Velha e Mais Louca

Me perdoem pela piadinha impensada do título, mas eu realmente acredito que o último CD da Mallu Magalhães nos trouxe essa certeza de que ela cresceu e está muito mais madura musicalmente falando! Sempre gostei da música e do fato dela ter começado a carreira bem menina, disponibilizando música através do My Space e, mesmo sendo tímida, ter saído tocando por aí quando começou a obter retorno. E sempre torci para que ela lançasse coisas novas que me tocassem como algumas músicas fizeram no início da carreira. A influência do Marcelo Camelo fez bem pra ela!

Achei o clipe de Velha e Louca de uma beleza ímpar. Tanto letra quanto música são espetaculares e a Mallu está linda no clipe, perdeu o ar de adolescente e se desprendeu de algumas neuras! A transição do Folk para a música essencialmente brasileira caiu muito bem à Mallu! Não consigo mais parar de ouvir o disco, acho que o descobrimento da liberdade e da força pessoal dela estão condizendo comigo!

O clipe de Sambinha Bom também é incrível, tanto em termo de linguagem quanto em fotografia:

Não consigo parar de ouvir: John Mayer e Carla Bruni

Há algumas semanas, resolvi reativar meu tumblr e escolhi um novo tema para ele: amor. Não apenas o amor romântico, mas também o amor carnal e, preparando a playlist que começa a tocar automaticamente assim que o blog abre, adquiri alguns vícios musicais novos.

O primeiro é o John Mayer, que já conheço há bastante tempo. Seu primeiro disco foi lançado em 2001 e desde então ele está aí nas paradas, arrasando o coração de muitas mulheres e esquentando o clima de outras. Seus principais sucessos são Daugthers, Your Body is a Wonderland, Why Geoergia, Neon, Waiting on the World to Chance, entre outras.

Carla Bruni é mais conhecida por ser modelo, atriz e casada com o ex-presidente da França, Nicolas Sarkozy. Mas o que interessa aqui é o talento musical da moça, que tem canções em Inglês e Francês igualmente incríveis. A mais conhecida, sem dúvida alguma, é Quelqu’un m’a ditnome também de seu primeiro disco, lançado em 2003. Depois dele, foram lançados mais dois discos: No Promises (2007) e 

Em inglês, Those Dancing Days Are Gone (o clipe é lindo e ela está muito bonita nele – aliás, ela nunca está feia!)

Alain de Botton e Religião Para Ateus

Estou lendo um livro muito curioso, que ora me irrita ora me leva a conclusões muito interessantes: “Religião para Ateus”, do inglês Alain de Botton. Não sou ateia, ainda tenho minhas dúvidas e minhas crenças. Já falei isso em outro post, mas o livro anda me deixando tão intrigada que resolvi falar novamente!

Alain de Botton afirma em seu livro que apesar dos ateus – categoria na qual ele mesmo se inclui – não acreditarem na existência de Deus, é possível encontrar aspectos positivos nas religiões que levam as pessoas a lidarem melhor com a vida secular. Segundo ele, o fato de não crer em Deus não elimina as nossas principais questões existenciais como “o sentido da vida”, “a morte”, “a solidão” e que, nesse ponto, as religiões possuem meios de confortar em indicar bons caminhos até mesmo àqueles que não possuem nenhuma fé. Não há como discordar disso, pois, se não cremos em Deus, estamos ao mesmo tempo livres e jogados à nossa própria sorte, o que pode ser positivo para uns e muito danoso para outros.

Porém, há uma grande diferença entre ter conhecimento espiritual (conhecimento dos ensinamentos e valores religiosos) e ser uma pessoa espiritualizada (aplicar esses valores que remetem à bondade e ao bem, e que nem sempre são adquiridos através da religião), e é essa a questão: nem todo mundo que possui uma religião é espiritualizado e há pessoas que mesmo sem religião são muito espiritualizadas.

Será que o problema do mundo e dos ateus é mesmo a falta de valores religiosos para guiar todos a uma vida moral e digna?

Eu acredito que não: “o buraco é bem mais embaixo”! Precisamos de educação e entender que os princípios básicos de fé e não-fé são muito pessoais, não devendo ser aplicados a todos. Por melhores que sejam as intenções do livro e de tantos ensinamentos religiosos, ainda acredito que tudo seja questão de caráter e consciência, não de quem possui ou não valores religiosos em seus princípios.

Afinal, o que é ser feminista?

Defender o feminismo se confunde o tempo todo com o ato de declarar uma guerra, afinal, como são chatas e extremistas essas feministas! Não entendem uma piada! Quem elas pensam que são para acharem que podem dar sua opinião sem serem questionadas? E compreendo a dificuldade que as pessoas têm de entender o feminismo porque não existe uma lista de atributos que enquadram ou excluem alguém do rótulo de feminista. Além disso, enquanto vindas de pessoas diferentes, com vidas e interesses muitas vezes opostos, as reivindicações feministas variam muito. A prova disso é a existência de vertentes totalmente contrárias dentro do feminismo que nunca entrarão em acordo.

O feminismo é uma luta de gênero que age pela igualdade, pelo fim da discriminação sexual, pela equidade de direitos, o que é completamente diferente de lutar para extinguir direitos alheios ou querer privilégios! Mas as pessoas distorcem, infelizmente. E o caso mais batido – vou começar a chover no molhado aqui – é quando se referem à Marcha das Vadias! Não sei qual o motivo de tamanha dificuldade para entender, talvez a ironia do termo “vadia” para nomear o movimento e a preguiça de dar uma boa pesquisada antes de sair afirmando coisas, sejam alguns dos responsáveis por tantas más interpretações acerca do protesto.

Usar o termo vadia de forma irônica, como foi feito na marcha, é apenas um meio de expressar que nenhuma mulher deve ser discriminada por querer ser livre. Uma forma de expressar tamanha frustração por ainda hoje termos uma convenção social que faz acreditar que mulher tem que casar, cuidar de filho, que quando dá opinião demais é porque está sem louça suja na pia! Se fugir da regra do que é uma mulher respeitosa, decente e para casar, é obrigatoriamente taxada de puta! E pra afirmar que se nos chamam de vadias porque não agimos conforme as regras, vamos continuar sendo vadias e isso não nos tira o direito de sermos respeitadas.

Mas aí afirmam: fazem uma Marcha das Vadias para dizer que querem ser respeitadas pelo fato de quererem “dar” pra todo mundo, sair pegando geral e mostrar os peitos na rua! E quando afirmo que as pessoas não se coçam pra fazer uma pesquisa sobre o que motiva esse tipo de protesto, estou sendo uma feminista chata e hipócrita. Primeiro: se uma mulher quer fazer sexo com 902802 homens, problema dela! Segundo: se fosse um homem que quisesse transar com 1 milhão de mulheres e conseguisse, ia ter quem aplaudisse. Querem ditar regra sobre o que as mulheres podem ou não podem fazer com o próprio corpo, e elas que não questionem, claro! Mas, sinceramente, apenas uma pessoa muito babaca vai às ruas lutando exclusivamente para ser respeitada por “pegar geral”, né? Falta o mínimo de bom-senso aos que pensam e afirmam que essa é a reivindicação mor do feminismo!

O real motivo das mulheres estarem saindo às ruas, muitas mostrando sim os seios, foi uma forma de se posicionarem contra a erotização do corpo feminino. A Marcha das Vadias surgiu após um segurança canadense dar uma palestra em uma universidade afirmando que para evitar que os estupros aconteçam as mulheres precisam parar de se vestir como vadias (sluts – daí o nome original “Slut Walk”) – eu avisei que ia chover no molhado! Ou seja, é pertinente se manifestar contra a erotização do corpo feminino (considero aqui a possibilidade de haver quem não concorda com a forma utilizada para protestar, mas em um país onde sair pelada no carnaval e na playboy são coisas hiper aceitas, acho de um moralismo e de uma hipocrisia sem tamanho não poder ficar pelada para protestar), principalmente em uma sociedade em que temos o costume de atribuir a culpa de um estupro sempre à vítima. Não é raro ouvir que se uma mulher estava bêbada, vestindo pouca roupa, andando sozinha durante a noite “estava pedindo para ser estuprada” ou “facilitou”! E afirmar isso reduz a culpa do estuprador! Qual a menina que nunca se sentiu mal por usar uma roupa curta, ter sido cantada na rua das formas mais ridículas possíveis e ficou achando que valia a pena passar um pouco mais de calor? Protestar mostrando os seios, usando roupas curtas, é uma maneira de dizer que a forma como nos vestimos ou nossa conduta não dá a ninguém o direito de invadir o nosso corpo! Usar roupas curtas ou não, não faz ninguém menos merecedor de respeito!

Eu estaria muito satisfeita se as confusões com as motivações por trás da Marcha das Vadias fossem a única causa que gera tanto conflito entre as feministas e o resto do mundo. Mas não. Ainda há quem afirme que as feministas são chatas por fazerem tempestade em copo d’água; essas pessoas devem ignorar todas as estatísticas já que acham que a existência de uma lei que puna a violência contra a mulher é garantia de que o problema está com seus dias contados e se esquecem de que nessa questão há um problema social muito grave: a crença de que a mulher pertence ao homem e deve respeitá-lo sob qualquer outro aspecto! Há quem afirme que a culpa por as mulheres estarem tão insatisfeitas com a tripla jornada de trabalho seja do feminismo; essas mesmas pessoas também são incapazes de questionar os padrões que eximem o homem da responsabilidade de cuidar da casa e dos filhos. Fora os inúmeros lugares comuns que vivem afirmando que mulher não sabe dirigir, que mulher “tem que ter onde pegar”, que homem depende da mulher por ser incapaz de lavar uma louça, fazer comida e que mulher é que nasceu pra isso. A opinião de uma mulher é chamada de TPM! No fim, acabo concluindo que essas pessoas não fazem ideia do quão reacionárias e levianas acabam sendo!

Não há uma cartilha que exponha todas as causas que fazem parte do rol de reivindicações feministas ou que dite quais os comportamentos a serem seguidos pelas feministas. Mas ser feminista é questionar padrões, estruturas e verdades aparentemente inquestionáveis. As feministas não são gordas ogras e peludas, mal amadas que só conseguem homens sendo vulgares objetos sexuais, ou que obrigatoriamente são lésbicas e pior, mulheres de modo geral, que odeiam os homens (a isso damos o nome de misandria). Não é preciso abolir a depilação e nem a chapinha ou crucificar a instituição do casamento para se enquadrar no feminismo, apenas respeitar sua essência pessoal a ponto de não ser escravizado por padrões inatingíveis da perfeição feminina.

“Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância.” Simone de Beauvoir

Descriminalizar o Aborto ou dar Amparo às mães?

Assunto ampla e calorosamente discutido por leigos, feministas e religiosos, a descriminalização do aborto ainda é um tema que carrega consigo muitos pontos polêmicos, que, por vezes, dificultam o seu entendimento e conversas no mínimo civilizadas sobre o assunto. Do ponto de vista de alguns especialistas e feministas, a sua descriminalização nada mais é do que regulamentar o direito que a mulher deve ter de tomar decisões que digam respeito a seu próprio corpo, levando em consideração os parâmetros científicos que afirmam que a vida inicia-se após a  oitava semana de gestação. Já para os religiosos, não há meio termo, sendo o aborto para eles um desrespeito à vida.

Muito discute-se acerca dessas questões, porém pouco fala-se a respeito de que medidas poderiam ser tomadas com maior eficácia para evitar que mulheres engravidem sem desejar e para garantir o apoio àquelas que optam por ter seus filhos. Já é batido falar da educação sexual, do planejamento familiar, mas e quando as duas coisas falham e a mulher opta por ter a criança?

A nova piada do país é o auxílio pré-natal, no qual o governo disponibiliza uma quantia de míseros R$50,00 –  pagos em duas parcelas! – para que as gestantes que fazem acompanhamento pelo SUS possam se deslocar até os hospitais. Melhor do que nada, mas será que essa contribuição ainda não é muito pequena se comparada à contribuição que uma mãe dá a sociedade? E mais: e quanto ao amparo que deveria ser dado às mesmas após o nascimento, que é onde o desafio começa de fato?

Por questões de mudanças na estrutura das famílias, hoje, a tarefa de ser mãe se tornou muito mais complicada e exige muito mais da mulher, que, no momento em que se torna mãe, apenas sofre um acúmulo de tarefas: trabalha, é dona-de-casa, estuda e ainda precisa tomar conta de seus rebentos. É justo que o governo dê amparo a essas mulheres, prolongando o período de licença maternidade, criando mais e melhores creches e berçários, mantendo hospitais capazes de dar auxílio às mães nos primeiros meses de vida da criança, melhorando a educação das escolas públicas e, principalmente, não tratando a mulher como se suas dificuldades fossem iguais as dos homens, porque não são.

Se questões culturais e burocráticas ainda nos impedem de descriminalizar o aborto, por que não trabalhar para evitar que este se faça necessário?

Tirem seus padrões do meu corpo

De tempos em tempos surge alguma polêmica envolvendo machismo e feminismo que gera discussões imensas na internet. As meninas acusam os rapazes de fazerem piadinhas infames reduzindo sua condição de mulheres e dizem que eles usam a palavra “mulherzinha” como xingamento, tratando-se de ofensa ao gênero. Do outro lado, os rapazes afirmam que a graça do humor está no politicamente incorreto e que isso não é machismo coisíssima nenhuma. Basta uma pronunciação em 140 caracteres e a guerra está declarada!

Embora muita gente tente tapar o sol com a peneira, é inegável que vivemos em uma sociedade machista, que cultua o estupro (veja definição de estupro aqui se você acha exagero) e ficar me atendo a isso só levaria esse texto a ser idêntico aos milhares de textos feministas que circulam por aí – não os desmerecendo. A questão é: será que temos dimensão do quanto esse problema nos afeta?

Hoje, para ser socialmente aceita, a mulher precisa ter peito, bunda, cintura esbelta e fazer depilação à cera! Coitada da que não estiver em dia com a depilação, afinal, que nojo ter pelos! Se outrora os padrões eram outros e permitia-se alguns quilos e pelos a mais, a evolução da moda e dos padrões está nos levando a um retrocesso enorme chamado de caretice! É feio ser diferente! Estamos fabricando garotas cada vez mais inseguras que baseiam suas vidas e auto-estima nesses padrões e, por conta deles, acabam levadas a quadros depressivos, distúrbios alimentares e, muitas vezes, à morte! Mulheres que perdem um dos bens mais precisos que poderiam ter: o amor próprio, e são levadas diariamente a se sentirem péssimas por não se parecerem com beldades, com quilos de photoshop nas nádegas, ditando regras em capas de revistas feitas para satisfazer o gosto masculino.

Elas fazem de tudo para se adequar, de dietas malucas a procedimentos cirúrgicos dolorosíssimos. Dentre as cirurgias plásticas que mais estão em alta, o implante de próteses de silicone para os seios é o líder no Brasil, seguido da lipoaspiração e das plásticas de rosto. E não é que já existe até plástica íntima?

Penso que um dos papeis mais importantes do feminismo é levar as mulheres a aceitarem o próprio corpo e respeitarem a si mesmas. Nascemos um país miscigenado, nada mais natural que cada mulher possa ser bonita de sua maneira. Branca, Parda, Oriental, Negra, mulher-não-capa-de-revista!

Essa é uma tarefa árdua, principalmente quando percebemos que mesmo em manifestações incríveis como a Marcha das Vadias (não entende ou acha que as meninas que participam querem apenas mostrar os seios, leia esse texto explicativo), em que os protestos agem no sentido de liberar o corpo feminino dos padrões machistas, há quem veja as fotos para dizer que gorda não pode sair pelada, se sentir bem consigo mesma, que peito não pode ser caído, que mulher de verdade precisa ter seios como os de qualquer mulher-objeto por aí, etc.. E, muito embora façamos trabalho de formiguinha, ainda acredito que num futuro não tão distante, vamos chegar ao nível evolutivo de respeitar as diferenças e nos livrar dessa massificação horrível de peitos, bundas e cérebros. Que o feminismo seja usado menos para causar polêmica e mais para ajudar na construção de uma nova identidade feminina, livre de padrões doentios e limitadores.

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Acho engraçado: mostrar peito e bunda no carnaval e na playboy as mulheres podem, né?

Sessão Pipoca: Do Começo ao Fim

Consumida pelas séries e pelos livros, há tempos eu não reservava lugar para um bom filme! O da vez é um nacional: Do Começo ao Fim. Só consigo me perguntar por que demorei tanto para assisti-lo!

Simplesmente amei o filme, tanto que não quis que acabasse tão rápido! Cheio de atuações incríveis e atores que se encaixaram perfeitamente nos papéis. A fotografia e trilha sonora impecáveis fazem perfeitamente possível sentir a emoção dos personagens na própria pele. É, entretanto, um filme para quem é livre de preconceitos – ou quem sabe, para desfazer preconceitos – já que conta uma história de amor entre dois rapazes com uma abordagem bastante corajosa por se tratar de um filme nacional. Quem não viu, veja!

A felicidade é imoral

Érico Veríssimo já dizia: “Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente.”. E é verdade, vivemos à procura dela como uma forma de garantir a efetividade de nossas vidas. Seja quando estamos fazendo novos amigos, pensamos em que carreira seguir ou estamos à procura de um novo amor, nossa real motivação é a busca pela felicidade. Queremos ter a certeza de que não estamos desperdiçando o nosso tempo e nossa dedicação a troco de nada.

Mas parece que ser feliz é um tanto imoral.

Sempre nos disseram quando pequenos que não devemos nos achar superiores a ninguém, mas isso não significa que temos que ser piores do que todo mundo e deixar que nos tratem como se fôssemos inferiores em algum aspecto. Não somos e, aliás, quem é que delimita o padrão do que é ser melhor ou pior do que alguém? Está na hora de conhecer mais o mundo, olhar mais profundamente para os outros e, depois, voltar os olhos para nós mesmo e ver que há uma quantidade enorme de idiotas muito mais idiotas do que nós!

A felicidade parece imoral por que abdicamos dela toda vez que nos impedimentos de viver experiências além da inércia por medo de recomeços. Imoral porque temos medo de lutar por aquilo que queremos, e eu digo lutar de verdade, com força, garra, dedicação e crença de que vamos ter sucesso no final das contas. A felicidade parece distante e irreal demais para ser alcançada, mas talvez não o seja!

Então, que nos hesitemos quando for necessário confiar em nós mesmos e agir, nem que seja preciso abrir mão de uma porção de coisas. Que não deixemos que a nossa felicidade, presente ou futura, seja abalada por quem apenas nos suga ao invés de ajudar para que sejamos sempre mais alegres. Que chutemos a rotina toda vez que ela for mais do que podemos aguentar. Que possamos ir de bicicleta toda vez acordar no horário para não perder o ônibus pareça mais difícil do que levantar um saco de pedras. Não precisamos rir da desgraça alheia e nem falar mal dos outros para que possamos nos sentir melhores conosco. Mas podemos agradecer sim aos idiotas e ao sucesso que eles, inevitavelmente, nos proporcionam.

Please, stop the drama!

Alguns chamam de envelhecimento ou de chatice, mas eu chamo de amadurecimento: o tempo passa e me falta a paciência para determinadas situações e pessoas. Quero fora do meu convívio gente que reclama, mas é incapaz de solucionar seus problemas e, ainda, pessoas que mandam recados ao invés de olhar nos olhos e tentar solver diferenças. No meu egocentrismo, não consigo mais aceitar pessoas que em seu individualismo, só conseguem enxergar um lado da situação – eu gosto mais de mim do que sou capaz de suportar quem só pensa em si.

Tenho a primazia pelos poucos e bons, tenho preferido a qualidade em lugar da quantidade, seja num rodízio de pizzas ou na hora de escolher com quem e de que forma vou passar minhas preciosas horas livres no final de semana. No meu mundo chato e maduro, eu tenho a paz de estar acompanhada de pessoas que estão mais preocupadas comigo e em encontrar coisas em comum, do que atualizar álbuns de fotos no facebook e digo mais: nesse meu universo paralelo, resolvo minhas próprias pendências e tento, ao máximo, encontrar saídas antes de me lamentar.

Não quero repetir os mesmos erros sempre, brigar pelas mesmas causas, lutar pelos mesmos sonhos. Quero conhecer lugares diferentes, pessoas distintas e descobrir o quanto disso tudo me faz bem ou mal. Quero um mundo onde se faça menos drama e se corra mais atrás dos sonhos! Um mundo se faça mais amor, e menos a guerra; qualquer forma de amor e qualquer forma de guerra..! Quero um mundo onde a própria evolução leve as pessoas a reconhecerem seu próprio valor e a dimensão de seus atos e erros. Um mundo mais meu, e com os meus… Decifra-me ou devoro-te, porque eu não tenho tempo, idade e nem paciência pra quem me suga e não me enriquece!

*Post agendado, blog em recesso.

Com outros interesses, outras ambições… ♪

O tempo passa e eu ainda continuo sendo os mesmos discos, os mesmos ídolos, as mesmas reflexões. Com um olhar mais atento, realista e maduro, também crio novos planos e desenvolvo ambições mais reais. E tudo me leva a pensar sobre a coragem… Que ela nunca falte, pois ficaria muito fácil desistir! Serão alguns meses sem ver muito os amigos, sem usar muito o computador, andar de patins e sem postar muito aqui no blog, então os vejo em breve!

Outro ciclo em diferentes fases
Vivendo de outra forma,
Com outros interesses,
Outras ambições mais fortes,
Somadas com as anteriores
Mudança de prioridades,
Mudança de direção ♪

*Todos os posts a partir de hoje serão agendados!

 

A Moça Do Tempo

Acho que todo mundo tem o costume de prestar atenção na previsão do tempo. A moça da TV acaba sendo responsável por sairmos de casa carregando casacos ou usando roupas de calor, e no caso dos paulistas, responsável por sairmos de casa preparados para enfrentar as quatro estações do ano em um só dia. Porém, a moça do tempo não nos fala sobre todos os aspectos do tempo, principalmente daqueles que só aprendemos com a chegada de uma certa dose de amadurecimento.

O tempo, além daquele que falamos quando não temos algum assunto mais interessante para puxar conversa, também é o fator representado pelos relógios, capaz de nos situar na dimensão em que vivemos, de apaziguar algumas de nossas dores e, ainda, de nos levar a compreender algumas situações mais complexas. Talvez, a maior de todas as dores – e a melhor também – seja compreender que o tempo passa e que nós passamos junto com ele. Nós e as oportunidades, os amores, as dores e as pessoas que nós deixamos que se vão ou que inevitavelmente acabam indo. Impossível não pensar na magia que o tempo carrega consigo.

Porém, perde-se muito tempo, sobretudo com coisas desnecessárias. Perdemos tempo estando de mau-humor e reclamando da vida que poderíamos mudar se agíssemos. Perdemos tempo formando opiniões calcadas sobre preconceitos e pré-julgamentos e assim, deixamos de formar novas e melhores ideias e conhecer pessoas diferentes que possam agregar de alguma maneira. E eu perco tempo, especialmente, pensando no tempo que estou perdendo, pensando em todas as coisas que fazem com que eu sempre fique com a sensação de nunca viver a vida ao máximo.

Agora estou otimizando o meu tempo. Estou eliminando da minha vida tudo o que me suga e me entristece, estou querendo bem às pessoas, mormente àquelas que me querem bem e me fazem bem. Estou me afastando dos que perdem tempo criticando os demais e se esquecem de si, me afastando do veneno e da fúria sem causa. Estou contemplando o tempo tentando ver algo de bom até onde não tem. Tenho tentado achar respostas e ver graça nas coisas simples. Assim como a moça do tempo nos ajuda a escolher que casaco levar na bolsa, o tempo do relógio nos ajuda a separar o joio do trigo. “Tempo, tempo, tempo, tempo… Compositor de destinos…”.

O ônus e o bônus da popularização de certas coisas

Primeiro devo começar dizendo que sou totalmente avessa a essa modinha “hipster” de só gostar das coisas ditas cult e/ou impopulares. Realmente penso que as coisas realmente boas precisam ser difundidas e conhecidas por mais pessoas, mas antes que minha introdução deixe alguma ideia de contradição às pessoas que se interessaram pelo título desse texto, devo dizer que não gosto é da banalização das coisas. E me parece que em tempos de compartilhamentos no Facebook, popularidade e banalização caminham juntas.

Há uma onda de pessoas compartilhando frases de Clarice Lispector, Caio Fernando Abreu, Martha Medeiros, Arnaldo Jabor, isso citando só os brasileiros; os mais ingênuos poderiam até achar que isso é sinônimo de que o brasileiro anda lendo mais e adquirindo mais cultura – ledo engano! Quantas dessas pessoas já leram um único livro desses autores? O que ocorre é que a popularização – ou eu deveria dizer ‘banalização’? – desses autores apenas leva a frases fora do contexto sendo propagadas como prova de uma suposta intelectualidade e isso chega a níveis alarmantes! E digo alarmantes porque temos odiadores e amantes de obras e personas que mal conhecem!

Antes fossem apenas o número crescente de apaixonados pela Clarice Lispector! O que mais me espanta, na realidade, é a quantidade de protestos infundados gerados por um simples botão chamado “compartilhar”. As pessoas compartilham, mas muitas vezes, não refletem sobre seus protestos. Chega a ser engraçado, por que às vezes as pessoas reclamam da alta criminalidade, do tráfico de drogas, mas se negam a refletir sobre as possibilidades da descriminalização da maconha e outras substâncias. Compartilham fotos de um bebê jogado no lixo e se encarregam de xingar a mãe, mas se negam a discutir a descriminalização do aborto, e questões tão profundas quando orientação sexual nas escolas. Criticam a marcha das vadias, dizendo que as moças ali presentem protestavam pelo direito à libertinagem, mas não param para refletir no quanto elas se envergonham do próprio corpo e temem um estupro quando precisam sair sozinhas à noite!

A popularização da cultura e de pensamentos interessantes é muito positiva, leva as pessoas a saírem do senso-comum e refletirem questões importantes para  seu desenvolvimento pessoal e social. Já a banalização apenas torna as pessoas mais suscetíveis à manipulação, as priva de pensarem por si mesmas. É o que acontece com o Facebook: o botão “compartilhar” já não obriga ninguém mais a pensar.

Outros artistas interpretam: The Beatles

The Beatles é uma daquelas bandas eternas, não é? Criada em 1960, em Livepool, até hoje permanece atual e conquista fãs por todo o mundo, servindo ainda de influência para muitas bandas que se inspiram não só em seu estilo, mas em suas mensagens e em suas capas de disco, propagando’ sua essência por aí! A importância dos Beatles é tamanha, que Dave Grohl, vocalista do Foo Fighters, escreveu uma carta a respeito do lançamento de uma coletânea de canções dos garotos de Liverpool dizendo o seguinte: “Se não fosse pelos Beatles, eu não teria sido um músico. Simples assim. Desde muito jovem, fiquei fascinado com suas músicas. Com o passar dos anos, mergulhei no catálogo. O groove e a fanfarronice. A graça e a beleza. A escuridão e a luz. Eles pareciam ser capazes de tudo. Não havia barreiras. Essa liberdade parecia definir o que conhecemos hoje como Rock and Roll.”.

Então foi pensando nisso que resolvi fazer algo diferente aqui no blog e dividir com vocêsalguns covers de músicas dos Beatles tocadas por outros artistas famosos! As músicas não estão em ordem de qualidade/gosto.

  • Para começar, uma versão do Oasis para Strawberry Fields Forever, já que o vocalista da Noel Gallagher foi tão influenciado pela banda que é famoso por já ter dito a seguinte frase: “John Lennon tinha um problema: ele achava que era Deus. O meu problema? Eu acho que sou John Lennon.” 
  • Fiona Apple também fez uma versão incrível para a música Across The Universe! Ficou simplesmente espetacular e não dá vontade de parar de ouvir! 
  • Temos também Elton John cantando Lucy in the Sky with Diamonds, que é tão sensacional quanto a música original!
  • Também tocada por uma banda britânica, Florence and the Machine, minha dica é uma versão de Oh! Darling. A música ganhou um tom mais indie rock, e foi uma das coisas que levaram à minha paixão pela voz de Florence Welch, uma das grandes revelações da música britânica dos últimos anos! 
  • Outra cantora que fez um cover da música Oh! Darling foi Sara Bareilles
  • Ozzy Osbourne, apesar de ser considerado pai do heavy metal, é um grande fã dos beatles, e se orgulha por se chamar John (Ozzy é só um apelido) assim como seu maior ídolo John Lennon! E aí fica sua versão de In my Life, uma bela homenagem! 
  • Uma das minhas preferidas é do Eddie Vedder, vocalista da banda Pearl Jam, cantando You’ve Got to Hide Your Love Away. Genial!
  • Colbie Caillat cantando Here Comes the Sun!
  • Feito por mais uma mulher da música, a também inglesa Amy Winehouse, uma versão que pouca gente ouviu da música All my Lovin’, que deixou a música mais voltada ao blues e ainda assim linda. Saudades de Amy Winehouse! 
  • A banda Arctic Monkeys tocou a música Come Together nas Olimpíadas de Londres.

E aí, qual foi a versão que vocês mais gostaram?

Em passos largos ao sul de lugar nenhum…

O tempo anda tão depressa que é comum olharmos para o calendário e já estarmos no meio do mês. É contando sempre a chegada do final da sexta-feira que levamos nossas vidas, com pressa o tempo inteiro. Pressa para chegar logo no trabalho, pressa para o expediente acabar e, por fim, a pressa para voltar para casa . Talvez nossa pressa seja apenas uma ideia ilusória de que chegaremos mais rápido ao sossego. Vamos seguindo, dia após dia, na esperança de um fim de tarde sem nada na cabeça, um tempo livre para podermos gastar com a família ou nossos amigos; quem sabe aquele passeio no parque, aquele barzinho para jogar conversa fora, ler um livro ou assistir aquela comédia bestinha, só para gastar o tempo. Mas, de todo modo, vivemos na era da urgência! Tudo é urgente! É urgente chegarmos ao trabalho, e termos mais dinheiro para as férias, e quando estamos de férias, sem nada para fazer, é urgente que encontremos uma ocupação abrupta para escaparmos do tédio que é conviver apenas com nossos pensamentos.

E como se não bastasse o caráter de urgência das grandes cidades, há ainda a poluição sonora e a tecnologia nos assombrando a cada passo que damos. Quando estamos em casa é o carro da pamonha passando na rua e nos impedindo de ouvir o telefone ou à televisão. Quando estamos no metrô são os celulares de sujeitos sem educação que, como se não bastasse tocarem música alta, tocam música ruim. No trânsito são as buzinas e os palavrões dos apressadinhos, e o pouco que sobra da fé na humanidade indo pelo ralo quando vemos um sujeito despejar pela janela um maço de cigarros já vazio. A tecnologia que nos prometeram que viria para ajudar, apenas está nos engolindo com sua velocidade.

Os celulares nasceram com a promessa de quem não dependeríamos mais dos telefones fixos para nos comunicar e, sem que notássemos, nos fizeram perder aquele momento em que sentávamos ao sofá e  atualizávamos os amigos sobre os acontecimentos da nossa vida. Aos poucos as vozes que ouvíamos do outro lado da linha passaram a ser substituídas por mensagens de texto e as coisas que passávamos minutos contando no telefone, podem ser lidas em instantes no mural de qualquer Facebook. Pensamentos cada vez mais fragmentos em 140 carácteres. E os carros que nos vendem com a promessa de status e conforto só nos garantem a comodidade de ficarmos presos no trânsito.

Perdemos alguns hábitos que davam um sabor mais gostoso para a vida. Não temos mais tempo para nos sentar e ler um livro. Lemos em pé nos ônibus e nos metrôs mesmo, para passar o tempo mais depressa. Já não reservamos um espaço durante o dia para ouvir os discos que gostamos; a comodidade de fazer o download de discos inteiros em menos tempo do que gastaríamos caso fôssemos a uma loja, nos fez deixar de apreciar as fotos dos encartes, o ritual de ligar o som e colocar um CD para tocar. A regra é que ocupemos o nosso tempo de alguma forma e a ociosidade tão necessária, nos vem carregada de culpa.

A Era da Urgência é também a Era da Ilusão, onde somos comprados por tudo e por nada. Somos comprados por promessas de um futuro e uma paz que nunca chegam. Somos comprados pela ideia de um presente que não mais vivemos já que estamos ávidos pelo futuro. E somos consumidos pela ideia de um passado que nos enche de nostalgias. E esse, é um texto sem conclusão, talvez porque a grande claustrofobia dessa nossa era, é não conseguirmos enxergar saídas e nem meios de nos livrarmos dos nossos hábitos que só consomem nossa juventude, nossa saúde e nos fazem viver e morrer por nada. Talvez para enchermos os cofres dos bancos, quem sabe, e usufruirmos muito pouco dos nossos esforços…

Onde estão os imperfeitos?

Nos esforçamos para não comer muito e nos mantermos magros e criamos cada vez mais obsessões com nosso peso e nossas formas. Submetemos nossos corpos à torturas: cirúrgias plásticas com finalidades puramente estéticas, métodos de depilação cada vez mais eficientes e não menos doloridos, e cuidados com nossa aparência que levam a psicopatologias modernas e amplamente aceitas.

Paralelamente, passamos metade dos nossos dias nos privando de nossas próprias opiniões, com um alerta ligado nos dizendo que precisamos ser “do bem” o tempo todo. Não somos sinceros porque uma simples opinião pode ser sinônimo de ofensa. Então acreditamos que somos desprovidos de preconceitos, que nossa moral está acima de qualquer prova e vivemos nesse ambiente simplista e ilusório. Sequer temos coragem de perceber que embora nosso alerta de ações politicamente-corretas-ou-não esteja sempre ligado, ele não nos impede de sermos hipócritas, arrogantes e prepotentes. Nosso ego nos faz crer que nossas verdades são sempre as mais sábias e inquestionáveis. Não odiamos os gordos, mas cometemos loucuras para permanecermos magros, assim como xingamos infratores de “baianos” no trânsito, mas não temos nada conta o nordeste e sua gente que tem “sotaque feio e vem tumultuar o metrô de São Paulo”.

Além disso, embora não acreditemos, nos achamos tão superiores uns aos outros que perdemos a noção do bom-senso e do respeito em nome de modismos questionáveis. Desrespeitamos a fé alheia em nome do nosso direito de não crer em nada. Desrespeitamos a vida alheia pelo nosso direito de viver à nossa maneira. Desrespeitamos o direito do outro de ter livre expressão em nome do nosso direito de expressão!

Não acredito que tenhamos todos que mostrar atitudes exemplares (quando muito as pessoas ainda servem de exemplo para seus filhos), e então, não faz nenhum sentido vivermos como se tivéssemos a obrigação de sermos incríveis e boa gente o tempo todo, isso só leva a maiores confusões! Deveríamos, de uma vez por todas, assumir que somos hipócritas, paradoxais, contraditórios, presas de nossa própria vaidade, sem excessões! Nada mais rejuvenescedor e construtivo do que poder mudar de opinião quantas vezes quiser, mas estamos limitando o nosso direito de ter opiniões, confundindo liberdade com a escravidão gerada pelas próprias regras que criamos e alimentamos.

Se julgassemos menos, talvez tivessemos mais amigos e amássemos mais. Se refletíssemos mais, talvez conseguíssemos enxergar outros pontos de vista melhores. Se parássemos de desperdiçar nosso tempo com pessoas, tarefas e pensamentos que nos sugam e nos cansam, talvez tivéssemos mais tempo para nós e para os nossos e soubéssemos aproveitar mais… Se assumíssemos nossa condição, talvez sobrasse mais tempo para entender que sim, podemos ter opiniões, criticar e odiar o que ou quem quisermos, desde que tenhamos fundamentos para tanto, e que isso não é nenhuma falha de caráter. Creio, inclusive, que parar de fingir as coisas seja uma possível solução para a diminuição dos índices de câncer.

“O mundo está ao contrário e ninguém reparou…”

Às vezes me pergunto se eu sou modernete demais ou se as pessoas é que são caretas e chatas, e sempre tenho a sensação de que está tudo ao contrário. Vivemos num país onde a vida de sub-celebridades e reality shows ganham mais destaque do que os casos recorrentes de corrupção, falhas na saúde, educação, segurança pública, etc… Sofremos de uma patologia que é o apreço por cuidar da vida alheia e nos intrometer onde não devemos.

E tudo isso pra falar que eu fiquei horrorizada quando entrei hoje na internet e vi as pessoas chocadas com uma entrevista da Pitty na qual ela assumiu já ter ficado com mulheres. A pergunta que fica é: E DAÍ?

Não sei se é por conta de ter muitos amigos e a amigas homossexuais, mas até agora eu nunca tinha me dado conta do quanto ainda é polêmico o que as pessoas fazem em sua intimidade, como se isso determinasse o seu caráter ou índole. É um assunto trivial. E mais me impressiona o fato que ao assumirem se relacionar ou ter se relacionado com pessoas do mesmo sexo, metade do universo esquece das qualidades e contribuições positivas que essas pessoas deram!

E aí, quantas pessoas já lavaram a louça hoje?

Blog dos 15, venham conhecer!

É nessa noite fria, do dia 1º de Agosto, que está estreando o novo blog do qual participarei: o promissor Blog dos 15!

Já imaginaram 15 cabeças, com carta branca para escreverem sobre qualquer assunto, juntas em um blog com a intenção de inovar e trazer mais cultura às pessoas? Então, essa é a ideia do Blog dos 15! Temos escritores de diversos gêneros e idades, e em comum, talvez a única coisa que tenhamos é nossa vocação para escrever!

Terei duas colunas no blog. A primeira, que irá ao ar todo dia 4 de cada mês, se chama Crônicas do Cotidiano e será o meu espaço para fazer reflexões sobre assuntos um pouco inusitados; A segunda, publicada todo dia 19, terá dicas de Inglês e se chama English Tips! É isso!

Confiram o nosso primeiro post acessando o blog e conheça um pouco mais sobre nós! Curta a nossa fã page no Facebook! Em breve teremos mais novidades!

O que ele viu em mim?

Você gosta daquele seu jeans que faz com que você pareça mais magra e detesta ó vestido com uma fenda nas costas que ele te deu de aniversário. Você se ama naqueles dias em que o seu cabelo amanhece como se tivesse acabado de sair do salão, mas ele gosta quando você acorda com preguiça de penteá-los, faz um daqueles coques meio mal-feitos, e passa o dia com ele. Ele gosta das caras que você faz enquanto lê um livro engraçado, e fica com aquele sorriso no canto dos lábios. Você nem percebe, mas ele gosta mais de quando você age naturalmente do que quando você se prende a inseguranças e age como se seguisse um roteiro ensaiado de caras, bocas, cabelos e maquiagem.

Ele parece gostar de você exatamente pelos motivos opostos aos quais você preza a si mesma. Você se sente mais segura com aquele novo corte que te deixa com cara de moderninha, mas ele prefere o cabelo antigo, que te deixa com cara de você mesma. E ele te deixa com a impressão de que as características que você e ele detestam em si mesmos são completamente diferentes. Os relacionamentos têm dessas, a gente nunca é amado ou odiado pelas coisas que a gente acredita que é! Ele odeia aquele colete que você o obriga a usar por cima da camisa nos dias de frio; ele diz que fica com cara de nerd, mas você acha que combina com a barba dele e o deixa mais charmoso.

Vocês custam a acreditar um no outro, mas no fundo sabem que esse é um dos pontos mais incríveis de estar ao lado de alguém: sempre dá para descobrir coisas sobre nós mesmos através e com a ajuda do outro. Estar ao lado dele te faz parecer mais real, se sentir mais mulher, mais livre, com mais vontade de ser quem você é e se livrar a cada dia de qualquer insegurança ou vergonha que isso te traga. Te faz acreditar que não só você ou ele, mas que toda pessoa é muito maior do que parece ser e muito mais do que cabe em si. É até esquisito, mas quando ele diz que ama aquela sua marca de nascença que você sempre acreditou que estragava suas pernas, ele te faz perceber que, mesmo com todos os altos e baixos da relação de vocês, um ponto muito crucial ainda está presente para segurar tudo: ele atura as coisas que você julga mais irritantes em si mesma e isso o torna diferente de todos os outros.

Agridoce, 5 indicações ao VMB e um dos discos inesquecíveis do ano

Capa do disco do Agridoce indicada ao prêmio de Melhor Capa para o VMB.

Há tempos venho pensando que o disco do Agridoce é uma espécie de álbum de cabeceira para os hedonistas de plantão em busca de auto-conhecimento e boas reflexões. E não há nada que combine mais com auto-conhecimento do que liberdade. Dito isso, é válido lembrar que Pitty, desde seus trabalhos anteriores com sua banda de rock, sempre abordou esse tema. A diferença agora, além de um outro modelo, com canções tocadas em uma base de piano e violão, e instrumentos experimentais, é a maturidade, uma palavra que inclusive combina muito com o disco.

Como já foi explicado em diversas entrevistas do duo, o Agridoce surgiu de maneira nada intencional, sem compromisso algum de agradar o público, e realmente parece ter sido fruto de reflexões, conversas e raciocínios internos de Pitty e Martin, que em momento algum seriam divididos. Conversas de dois amigos, na sala de casa, que confessam coisas e encontram cumplicidade entre si. É o que percebemos ao ouvir a primeira música do CD: o som vazado e os barulhos do ambiente nos fazem entrar no universo onde foi gravado o disco e mergulhar nessa viagem que fala de busca, insatisfações, desejos, paixões, temores, liberdade e mais uma porção de outras coisas. E a mensagem na primeira música é clara, “Once in hell, embrace the devil!”, uma música que fala de mentiras boas e necessárias, e que convida o ouvinte a escutar o CD e tirar suas próprias conclusões, quase que propositalmente.

O disco do Agridoce conquista e o faz por falar de uma forma convincente, inovadora e poética de coisas que todas as pessoas já viveram, em maior ou menor proporção. Quem nunca se sentiu insatisfeito com a vida e com a humanidade, sem fé, sem conseguir enxergar graça em muitas coisas e se fechou em um mundo particular, acreditando que a vida só vale a pena se pudermos estar nos divertindo com nossos amigos e ao lado de pessoas que nos compreendem e as quais amamos? Dançando fala sobre isso, de uma maneira bonita e hedonista.

Continuando com o álbum, “Say” transforma tudo em um filme, nos fazendo recordar aquelas cenas já que além de saudade trazem cheiros, sabores e as cores de uma câmera Super 8. “Romeu”, a quarta faixa do CD, tem um tom de declaração de amor, de “música doce para pessoas amargas”, como já brincaram Pitty e Martin ao explicar o batismo de seu projeto paralelo. “20 passos” traz  Martin cantando, em uma música que, além de um dedilhado incrível, abre as portas do disco para questões um pouco mais existencialistas, trazendo a questão do auto-conhecimento e da busca presentes nas músicas que vêm mais adiante. “Ne parle pas”, a única faixa em francês do disco, é mais uma música que tem tom de declaração de amor, mas dá espaço a brincadeiras e dizeres nas entrelinhas.

“Upside Down”, é uma das melhores músicas, ganhando bastante destaque nos shows é mais uma música carregada de temas existenciais. Em “Epílogos e Finais” o tema é muito claro, como a Pitty já disse uma vez em seu blog, a injustiça que é viver e começar a envelhecer quando se está no auge da vida. “Rainy” e seu piano preparado, em contrapartida com “Epílogos e Finais”, é mais otimista, com um refrão inspirado, candidata da hit. Em “130 anos”, minha música preferida não só do disco, mas de todos os trabalhos da Pitty, é uma música que fala sobre busca, coragem de seguir sonhos e ser o que se é independente do que outros esperam que sejamos. Uma injeção de inspiração, tanto da letra quanto da melodia, que é espetacular e um dos pontos altos do show! “O Porto” fala de insatisfações, de querer sempre ser mais e melhor, outra dose de inspiração.

O disco termina com uma versão da música do The Smiths “Please, please, please, let me get what I want”, que mais parece uma prece e encerra o CD nos deixando com vontade de sentir tudo o que o disco proporciona mais uma vez. É, sem dúvida, um disco que entrou para a lista das melhores surpresas do ano e que faz jus às 5 indicações que recebeu no VMB. Espero que o trabalho renda ainda bons frutos e que coexista com a Banda Pitty, que também desejo que venha com um disco o qual eu ouça e elogie com prazer assim como o Agridoce!

Para ouvir o disco, clique aqui.

Para votar no VMB, clique aqui.

Clipe Oficial. Direção de Ricardo Spencer. 

Para quem quiser ler a crítica do clipe e ficar um pouco mais por dentro, clique aqui.

O desprendimento e os pensamentos soltos da minha cabeça

O efeito de começar um novo ano solar não poderia ser outro: o desejo de me desprender de tudo o que eu sou e já fui, e me reinventar. Acho que é natural e saudável, por que, no final das contas, a gente acaba sempre se cansando de ter sempre as mesmas opiniões e certezas. E eu tenho buscado ser mais leve, estar ao lado de pessoas leves e ajudar quem queira a levar a vida com mais leveza. Faz um bem danado para o coração e para as rugas.

Me livrei de algumas inseguranças bobas que me impediam de caminhar para frente, me despi de algumas verdades encravadas que eu tinha, me aproximei novamente de pessoas com as quais e me sinto bem e quero o bem, e me afastei de pessoas que me prendiam a pensamentos e rotinas que não tinham mais a ver com quem eu sou agora e quero ser. Não é possível que tenhamos todos que ficar abraçados com nossos problemas e frustrações. Quando a gente pensa pra frente é que se caminha para frente. Quem fica acorrentado ao passado é que permanece preso ao mesmo lugar.

Outro dia tomei coragem, fiz coisas incríveis que eu jamais teria feito a algum tempo atrás. Nada demais e nada de errado nisso também. Só sair, dar boas risadas, assistir a um filminho mais ou menos… Outro dia desci a rua Augusta me sentindo livre, dona de mim e das minhas escolhas.  Passei mais um aniversário desejando coisas boas pra mim e para todas as pessoas. Que a gente tenha fé e sabedoria, que a gente não tenha medo e acredite na nossa capacidade interna. Que a gente veja luz onde não tem e não deixe que nos digam que somos incapazes de realizar e ser o que quisermos ser. Que a gente possa ter calma e sempre aquele restinho de força que a gente percebe quando parece que não há mais saída para os nossos problemas. Que a gente, acima de tudo, reconheça o nosso valor e não se deixe balançar por problemas menores que a gente.

Outro dia também li uma frase, acho que era do Caio Fernando Abreu ou da Clarice Lispector e dizia: “ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber um pouco de amor também”, algo assim. Genial. Então, que a gente ame, mas as pessoas que merecem o nosso amor, porque não nascemos para sermos feitos de idiotas, e que a gente se livre dos medos e se permita se sentir amado. Que a gente nunca desista de nós, mas que tenhamos amor-próprio pra desistir de tudo o que for demais para suportar. Que cada um descubra a vida, e a si mesmo, em seu próprio tempo…

“Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância.” Simone de Beauvoir

Com essa vida que se leva “não sobra nada pra morrer”…

Ninguém gosta de falar sobre a morte. É mórbido, assusta, é estranho pensar no mundo girando sem a gente pra fazer parte dos fatos. E, devido a essa nossa dificuldade de pensar sobre o assunto, acabamos vivendo como se tivéssemos mais sete vidas pela frente, mas não temos. Sempre me faço uma pergunta: “Se eu morresse hoje, eu estaria satisfeita com a vida que eu levei?”, e é claro, a resposta é sempre “não”! A gente idealiza uma vida, mas é sempre impossível colocar tudo em prática e aí ficamos com aquela sensação de que podíamos ter feito mais, mudado uma atitude aqui e outra ali, que podíamos ter tido mais coragem, etc… Sempre me pergunto também como eu viveria se soubesse que só tenho mais um ano de vida e chego à conclusão de que eu me importaria menos com as coisas que tiram o meu sono de noite, que eu teria menos preguiça de me levantar da cama, seria mais próximas das pessoas que eu amo e relevaria mais algumas atitudes para evitar brigas, teria mais coragem de ir atrás do que eu quero e me importaria menos com a opinião alheia, entre outras coisas.

Fazendo todas essas perguntas, eu sempre me surpreendo negativamente com a quantidade de gente que vive amarrado à convicções que não importam porcaria nenhuma, obcecados com a ideia de que é preciso ser normal. Em um mundo capitalista o que é ser normal? É viver em busca de status, dinheiro, ter uma casa bonita e um quadro digno de “família de comercial de margarina” na parede da sala enquanto os problemas se acumulam debaixo do tapete? Enquanto a sede por dinheiro não paga a conta de uma vida gasta tentando se adequar á última moda? Isso é o oposto do normal, nada mais é do que nós humanos aplaudindo a escravidão a que o sistema nos submete.

Estamos nos tornando seres previsíveis e pateticamente parecidos, enquanto deveríamos valorizar as diferenças em nome de um mundo com mais graça, mais cor, mais contrastes e mais humanidade antes de qualquer coisa! Soa revolucionário e romântico, mas não é! Estamos cercados de medo, como se a nossa liberdade fosse um peso maior do que o prazer que ela pode proporcionar. Na verdade nós temos medo e não sabemos nem de quê e o medo é a principal arma do sistema para nos escravizar! Nós somos escravos das instituições religiosas que fazem  de tudo para moldar nossas leis e nos obrigar a agir de acordo com suas epifanias doentes! Somos escravos do trânsito que nos faz perder horas e horas a fio em congestionamentos. Somos escravos da moda, dos padrões de comportamento e de beleza, e estamos deixando que ponham as mãos em nossa bunda e nos digam que ela é grande demais para caber na calça cool da semana de moda! O modo como vivemos é uma espécie de não-vida.

Será que se tivéssemos realmente a consciência de que vamos morrer algum dia, nos importaríamos com qualquer bobagem e teríamos tanto medo de andar fora do rebanho? É simplesmente ilusória a ideia de que um novo sistema mudaria as coisas, que uma revolução adiantaria alguma coisa! Seria o mesmo que fantasiar uma pessoa de árvore, ela continuaria uma pessoa! Temos que começar por nós, viver como se não tivéssemos muito tempo, e começar a agir de acordo com nossa consciência e fazendo as nossas próprias escolhas sem nos importar muito com o que esperam de nós! Embarcar numa viagem de auto-conhecimento e evolução pessoal e só então, poderíamos conquistar todo o resto! Viver não só com nossos corpos e nossas contas bancárias, mas com nossa alma, por inteiro, sendo senhores de nossas vidas e das mudanças que queremos ver!

“Não há nada a lamentar sobre a morte, assim como não há nada a lamentar sobre o crescimento de uma flor. O que é terrível não é a morte, mas as vidas que as pessoas levam ou não levam até a sua morte. Não reverenciam suas próprias vidas, mijam em suas vidas. As pessoas as cagam. Idiotas fodidos. Concentram-se demais em foder, cinema, dinheiro, família, foder. Suas mentes estão cheias de algodão. Engolem Deus sem pensar, engolem o país sem pensar. Esquecem logo como pensar, deixam que os outros pensem por elas. Seus cérebros estão entupidos de algodão. São feios, falam feio, caminham feio. Toque para elas a maior música de todos os tempos e elas não conseguem ouví-la. A maioria das mortes das pessoas é uma empulhação. Não sobra nada para morrer.” Charles Bukowski

E você, morreria feliz? O que faria se tivesse apenas mais um ano de vida?

Eu sou criança grande sabe, e eu quero sair e pular nas poças ♪

Viver é uma aventura muito mais profunda e desesperadora do que parece ser… É ter certezas e mesmo assim estar perdido na estranheza de viver não se sabe como e morrer sem saber onde, quando e nem porquê. E eu chego aos 20 sem conseguir traçar um balanço sobre a minha própria vida, sem saber se algumas escolhas que fiz foram atos de coragem ou a mais pura babaquice mas, acolhedoramente, com a sensação de que eu prefiro fazer o que julgo certo do que ser levada pela corrente e não decidir sobre meus próprios caminhos.

É irônico até perceber que algumas verdades de 5 anos atrás não servem mais e que outras se fortaleceram, lembrar de amigos, rever memórias e notar que apenas o que é verdadeiro ficou. Sem culpa, sem “e se eu tivesse”, apenas com o conhecimento de que tudo passa e essa é uma lei da vida… Finalmente me sentindo uma adulta, meio pós-adolescente claro, mais mulher, mais responsável, mais pé na porta e mais forte. Aliás, que maravilha é criar o desafio de cumprir seus planos! 2.0, here I go!

*Título: trecho de Sigo o Coração que diz que não sabe, mas é segredo, do Dance of Days.

 

 

Um brinde ao domingo e aos filmes!

Depois de bastante tempo sem vir aqui pra falar de filmes, cá estou eu e espero que gostem das dicas de hoje! Para começar, quero citar dois filmes nacionais que eu amei!

Histórias de amor que duram apenas 90 minutos (2010 – Nacional) – Acredito que o filme seja para poucos e irá agradar quem goste de boas histórias com pitadas de ironia e mau-humor. O filme é todo narrado em primeira pessoa e contado sob a visão do protagonista Zeca, interpretado por Caio Blat. A fotografia é bonita, o cenário chama a atenção, os atores são excelentes e a trilha sonora é boa também.

Sinopse: Zeca (Caio Blat) é um escritor de 30 anos que, por não conseguir escrever, está no mais completo ócio. Ele é casado há cinco anos com Júlia (Maria Ribeiro), uma professora que sonha em fazer um curso em Paris. Um dia ele vê Júlia e uma amiga entrando em sua casa. Zeca consegue espioná-las através da janela e, ao vê-las apenas com roupas íntimas, passa a acreditar que Júlia o está traindo com uma mulher. A ideia não sai de sua cabeça, mas ele nada conta a ela. Quando Júlia se aproxima de uma de suas alunas, Carol (Luz Cipriota), Zeca passa a desconfiar que elas sejam amantes. Só que o ciúme aos poucos se transforma em desejo e Zeca se apaixona por Carol.

Desenrola (2011 – Nacional) – Sabem aqueles filmes que fazem a gente mergulhar na história e querer aplaudir o roteiro? É Desenrola. A história é simples e poderia ser mais um clichê de filmes que abordam temáticas adolescentes, mas na minha singela opinião, consegue ser mais do que isso adicionando à receita uma boa dose de poesia e sensibilidade. Me deixou com vontade de rever.

Sinopse: Priscila (Olívia Torres) tem 16 anos e se acha uma garota normal demais, principalmente, quando repara em suas amigas. Quando sua mãe viaja a trabalho e ela fica sozinha em casa, decide que vai dar um jeito na sua caretice e vai fundo nessa ideia. Entre as muitas mudanças que pretende promover na sua vida, a virgindade parece ser uma das prioridades, mas sera que a hora certa é agora? Embora esteja decidida em investir no mais galinha da turma (Kayky Brito) para viver sua primeira experiência sexual, um trabalho em grupo na escola e uma viagem com amigos, podem mudar para sempre as suas expectativas porque ela descobre que nem tudo é exatamente como dizem e a verdade pode ser bem diferente da realidade.

Lição de Amor (Perdona si te llamo amor – 2001 – Itália) – Assisti esse filme tem já algum tempo, mas não consigo tirá-lo da cabeça. Ele aborda um tema sempre polêmico: romances onde há uma grande diferença de idade entre os envolvidos. Porém, acredito que o que me encantou no filme foi a abordagem que procurou fugir dos lugares comuns a que normalmente se chega nesse assunto. Mais do que uma história de amor e diferenças de idade, o filme fala sobre qual o papel do amor, sobre coragem, sobre ser você mesmo e seguir o coração.

Sinopse: Nikki (Michela Quattrociocche) tem 18 anos e divide seu tempo entre os estudos no último ano do ensino médio e a ida em festas e clubes, juntamente com os amigos. Alex (Raoul Bova) tem 37 anos e uma carreira de sucesso como publicitário. Abandonado pela mulher que considerava ser seu “eterno amor”, a vida social de Alex agora se restringe aos antigos amigos. Um dia a vida deles se cruzam, quando acidentalmente Nikki bate sua moto no carro de Alex.

Desculpem, mas só achei o trailer em espanhol!

Vou assistir: Reflexões de um liquidificador, Donnie Darko, e logo mais conto o que achei deles! E valeu aos meus amigos lindos pelas dicas lindas de sempre!

Afinal, o que é o bom-senso?

Imaginem se o bom-senso fosse uma questão de idade. Ok, vocês podem pensar que as crianças e os adolescentes seriam muito pedantes, e isso é verdade, mas ao menos teríamos a certeza de que com a chegada da idade as pessoas usariam cada vez mais esse artifício que tem andado tão em falta ultimamente. Imaginem que alegria: quanto mais velha a pessoa, mais tolerante, cabeça aberta, mais leve e menos “cri-cri”. Porém, feliz ou infelizmente, não é o caso; o bom-senso não é uma questão de idade e têm feito falta. Além disso, convenhamos, para nós, têm bom-senso aqueles que concordam conosco e, para muitos de nós, todos os demais estão ocupando apenas mais espaço no mundo e dificultando nossas vidas. Afinal, o bom-senso é algo que só você tem, e não pertence a mais ninguém. É a lei daquele que está por cima, e quem está por baixo é que se dane!

Mas será que não dá pra decidir de uma vez o critério para o tal do bom-senso sem levar em conta somente a nossa opinião? Não dá! Estamos afogados numa maré de indecisão coletiva, e o maior reflexo disso é a necessidade quase patológica de cuidar e dar opinão sobre a vida do outro, de cobrar atitudes politicamente corretas do mundo inteiro quando nós mesmos fazemos cagadas o tempo todo, e mais uma porção de coisas que eu passaria a vida enumerando. E então, o resultado de tudo isso é que não encontramos um consenso e ficamos nessa espécie de “lei do mais forte” ou “o inferno são os outros”, etc…

E, perdidos no meio dessa confusão e de gente trocando cobras e lagartos, o que sobra aos que tentam resgatar o bom-senso das gavetas é ficar de saco cheio disso tudo e viver da sua prória maneira, que não é necessariamente politicamente correta, mas também não prejudica ninguém. Talvez o bom-senso de verdade, que coitado, tem sido confundido com tantos outros adjetivos, seja o velho bordão do “viva e deixe viver”.

E aí, já pensou em escrever um livro?

Não sei se é tão comum entre os meus leitores, mas tenho vários amigos que adoram escrever contos e romances, e já até pensaram em sair do anonimato publicando suas estórias! De passatempo e hobby, escrever “profissionalmente” se tornou uma das minhas possibilidades de futuro e estou aqui hoje para compartilhar algumas dicas muito valiosas para quem escreve ou pensa em escrever romances!

A escritora Lycia Barros (site aqui) criou um canal de vídeos no youtube e dá dicas interessantíssimas para quem deseja escrever romances e livros de forma em geral. Como se livrar do bloqueio criativo, quais são erros mais comuns dos autores iniciantes, como escrever uma boa sinopse, como começar a escrever, como amarrar bem a história e não se perder durante o processo de criação do seu livro, ela ensina todas essas coisas e a gente termina os vídeos com aquela vontade de escrever retirada da gaveta! Quem se interessa e quer ir mais a fundo nos estudos, deseja aprimorar a técnica, ainda pode participar dos cursos que ela ministra presencialmente, ou optar por aulas particulares via skype!

No site, você pode ler algumas páginas dos livros que ela publicou, vale a pena! Conheci hoje e já fiquei com vontade de ler “A garota do outro lado da rua”. Assim que eu comprar e terminar minha leitura, conto aqui o que achei! Fica aí um vídeo com algumas dicas!

 

Linda, a dor não é tão glamourosa assim, afinal…

No final das contas, você descobre que não é tão cool assim contar pro mundo o quanto você é um sofredor pobre coitado que escreve coisas patéticas para chamar a atenção e ter uns minutos de fama. Cutucar feridas, falar de culpas, de corações  magoados e sobre aquelas coisas que deixam a gente deprimido não são coisas que fazemos como um simples ato de trocar de roupas. Não mesmo. Quem gosta de escrever sobre suas dores sabe que leva-se tempo, distanciamento e algum amadurecimento para colocar tudo para fora e com alguma comprovação de qualidade. No mais, escrever é sempre garantia de um pouco mais de auto-conhecimento e desabafos, publicados ou não…

Eu sou assim, escrevo por vício, por gosto, por terapia, por vontade de gritar sentimentos ao mundo e expulsar minhas dores, calar meus demônios e mostrar a mim mesma que, embora não pareça, também sou “alguém”; mas não escrevo por obrigação. Apesar de todo esse discurso chato pra caralho, não me sinto superior nem inferior à ninguém…

Sou só alguém em busca de um pouco a mais de auto-conhecimento, tentando entender como se faz para organizar uma cabeça que tende ao caos e está envolta de sonhos, mágoas e pensamentos soltos. Alguém tentando achar forças para perdoar, tentando ser mais positiva e encontrar disposição para levantar da cama todos os dias sem achar que é tudo o mesmo tédio, a mesma merda. Alguém tentando encontrar algum novo sentido para a vida (se é que existe) e algumas novas inspirações que façam o mundo girar mais bonito.

Então, desculpem-me o ar patético desses dias…

*Título é o nome de uma música do Dance of Days

Rascunhos de uma rabugice imensa que você, leitor, não precisa ler…

O peso que sai de cima dos ombros na véspera de um feriado em que vamos dormir até as tantas da tarde ou acordar cedo para viver as nossas vidas como se as pretensões alheias não importassem. O aperto que sai do coração quando decidimos não mais nos importar com aquilo que nos arranca a energia. A vida que vivemos aos finais de semana e a vida que empurramos com a barriga 80% dos dias.

É viver como se não houvesse amanhã e viver sem esquecer do amanhã. É viver a morte diária de levar uma vida ingrata todos os dias para poder viver dias de gratidão. É estar preso no trânsito quase infernal das avenidas e ouvir esperanças tocando no rádio, fazendo florescer imagens que mais se parecem com saudades do que estamos buscando tempo para viver.

É aguentar um mundo de machismo, sexismo, falta de senso de humor, misoginia e hipocrisia. É perceber que mulheres que falam abertamente de sexo são chamadas de vulgares, enquanto os homens que falam as mesmas coisas estão apenas tendo uma “conversa de homens”. É ver homossexuais ganhando uma etiqueta social de doentes e pedófilos, enquanto os mesmos “homens de Deus” que fazem sermões nas igrejas, e defensores da moral e bons costumes, promovem a discriminação e inflamam ignorantes com suas verdades estúpidas. É viver em um mundo dominado pela hipocrisia e pelas aparências, e esperar a hora de cagar para exercer o livre direito de ser você mesmo. É como não fazer parte do mundo, discordar de padrões doentios e valores completamente invertidos. É sentir nojo de mães que colocam seus filhos no mundo, os jogam nas latas de lixo, e córregos de esgotos, e ser obrigado a ouvir quem critique a necessidade da descriminalização do aborto. É querer cuspir no senso-comum, e atirar pedras na sociedade.

É viver alguns dias no inferno e esperar mais alguns para tomar uns porres e ter uma pequena dimensão do paraíso.

Eu não sei amar ninguém

Eu não sei amar ninguém. Meu amor, ou o que eu deveria chamar de outra coisa, não passa de um misto de anseios e inseguranças, sonhos novos e velhas frustrações, adicionados à necessidade de sanar um vazio com cheiro de perfume adocicado, cores suaves e estórias para crianças. Eu não sei amar ninguém. Não sei, senão, amar a mim mesma e criar amores platônicos de propósito, na esperança desesperada de me livrar da solidão de ter vários ao meu redor e nenhum dividindo coisas da alma, como se o amor fosse uma luz a se perseguir, que sempre se apaga quando a alcanço. Eu não sei amar ninguém, mas vejo filmes românticos suficientemente para achar que é bom ter alguém para ir ao cinema, discutir e passar as tardes sonolentas de domingo… Amores que crescem como frutos de árvores e apodrecem.

Usando-me!

Eu desisti de começar a escrever cartas falando de amor falando de nós. Desisti de esperar telefonemas e mensagens de texto suas e, também, de criar planos ou tentar me adequar ao que você gostaria que eu fosse. Essa não seria eu… Chutei o balde! Me despi dos truques e armaduras, passei a enxergar as coisas como eu deveria enxergá-las e não como eu gostaria.  Às vezes desperdiçamos um tempo enorme presos à amarras criadas por nós mesmos, trancados numa bolha de problemas, inseguranças e falta de amor-próprio, quando a saída para tudo está um pouco mais adiante e nem é tão difícil assim de enxergar, basta um pouco de coragem.

E escrevo na tentativa de expurgar essa minha vontade de você, de dizer a mim que eu cansei de me sentir não mais do que um apoio para quando suas ilusões se dissolvem, e nada mais. Você não tem mais o aval de uso do meu tempo.

Modo de usar-se

por Martha Medeiros

“Coitada, foi usada por aquele cafajeste”. Ouvi essa frase na beira da praia, num papo que rolava no guarda-sol ao lado. Pelo visto a coitada em questão financiou algum malandro, ou serviu de degrau para um alpinista social, sei lá, só sei que ela havia sido usada no pior sentido, deu pra perceber pelo tom do comentário. Mas não fiquei com pena da coitada, seja ela quem for.

Não costumo ir atrás desta história de “foi usada”. No que se refere a adultos, todo mundo sabe mais ou menos onde está se metendo, ninguém é totalmente inocente. Se nos usam, algum consentimento a gente deu, mesmo sem ter assinado procuração. E se estamos assim tão desfrutáveis para o uso alheio, seguramente é porque estamos nos usando pouco.

Se for este o caso, seguem sugestões para usar a si mesmo: comer, beber, dormir e transar, nossas quatro necessidades básicas, sempre com segurança, mas também sem esquecer que estamos aqui para nos divertir. Usar-se nada mais é do que reconhecer a si próprio como uma fonte de prazer.

Dançar sem medo de pagar mico, dizer o que pensa mesmo que isso contrarie as verdades estabelecidas, rir sem inibição – dane-se se aparecer a gengiva. Mas cuide da sua gengiva, cuide dos dentes, não se negligencie. Use seu médico, seu dentista, sua saúde.

Use-se para progredir na vida. Alguma coisa você já deve ter aprendido até aqui. Encoste-se na sua própria experiência e intuição, honre sua história de vida, seu currículo, e se ele não for tão atraente, incremente-o. Use sua voz: marque entrevistas.
Use sua simpatia: convença os outros. Use seus neurônios: pra todo o resto.

E este coração acomodado aí no peito? Use-o, ora bolas. Não fique protegendo-se de frustrações só porque seu grande amor da adolescência não deu certo. Ou porque seu casamento até-que-a-morte-os-separe durou “apenas” 13 anos. Não enviuve de si mesmo, ninguém morreu.

Use-se para conseguir uma passagem para a Patagônia, use-se para fazer amigos, use-se para evoluir. Use seus olhos para ler, chorar, reter cenas vistas e vividas – a memória e a emoção vêm muito do olho. Use os ouvidos para escutar boa música, estímulos e o silêncio mais completo. Use as pernas para pedalar, escalar, levantar da cama, ir aonde quiser. Seus dedos para pedir carona, escrever poemas, apontar distâncias. Sua boca pra sorrir, sua barriga para gerar filhos, seus seios para amamentar, seus braços para trabalhar, sua alma para preencher-se, seu cérebro para não morrer em vida.

Use-se. Se você não fizer, algum engraçadinho o fará. E você virará assunto de beira de praia.

“She’s always buzzing just like neon…” ♪

Nada melhor que o tempo para nos trazer clareza ao enxergar algumas situações. O tempo e suas incertezas, sua rapidez, seu alívio. O tempo para nos trazer respostas às questões que outrora eram dúvidas. Depois de passado um turbilhão de experiências as quais eu não sabia interpretar, de ter vivido momentos que eu nunca havia imaginado e de ter me decepcionado com as pessoas nas quais eu mais acreditava, cheguei a algumas conclusões e a principal delas é a seguinte: há uma espécie de mal inerente à raça humana, que tem o poder de destruir, corroer e é comandado pela vaidade do homem.

Estou me reerguendo depois de me livrar do egoísmo daqueles que, em nome de um cuidado patológico e obsessivo, nos condenam a uma espécie de não vida. Estou me livrando das garras daqueles que só se apoiam nos nossos ombros para lamentar e nos cospem quando não temos nenhuma outra utilidade. Eu sei, há algo de maligno em mim também e, para a frustração de alguns, tenho muito mais de Bukowski e maldita do que muitos, inclusive eu, gostariam!

E, para tanto, estou tentando viver… Viver como se não fosse haver outra aurora, como se novos momentos eternizados na memória tivessem o poder de me tornar mais forte e me fazer enxergar as coisas de outro modo, mais otimista e duro também. Mergulho em filmes, livros, conversas que duram madrugadas e que possam me dizer coisas que ainda não sei sobre mim mesma. Me perco em cinzas de fumaças e papéis, cartas, sonhos e lembranças queimadas. Me afogo em porres e mortes diárias, amnésias alcoólicas, na tentativa de deixar fluir meus lados de puta, de santa, de filosofa de botequim e dançarina de festas. É bom ser, sem máscaras.

E assim eu vou vivendo e matando todas as saudades das coisas que ainda não vivi. Vou morrendo e fazendo nascer novas faces minhas das minhas próprias cinzas. Vou me livrando de tudo que me sufoca, me entorpece e me suga, e me enchendo de tudo que me completa, me inspira e me dá gana de acordar para um novo dia e, quem sabe, novos planos, sonhos e conquistas. Eu não tenho medo do novo, mas tenho pavor de não sair do lugar. “Eu pescador de mim…”

*O título é um trecho da música Neon, de John Mayer.

Vício instantâneo: Florence and the Machine

Recheado de elementos que combinam perfeitamente entre si e letras que falam de liberdade e sentimentos, é o trabalho de Florence and the Machine, que eu descreveria como um sopro de qualidade na música atual. Não consigo parar de ouvir! Recentemente a banda, liderada por Florence Welch, lançou um MTV Unplugged, e ainda possui outros dois discos de estúdio Lungs (2009) e Cerimonials (2011).

Dona de um talento e voz incomparáveis, que parecem ter descoberto uma autenticidade muito própria, Florence, aos 25 anos, é aclamada pelo público e pela crítica, tendo sido, inclusive, considerada uma das mulheres mais bem vestidas da Inglaterra! Seu som é uma mistura de rock, indie, folk e soul.

Vale a pena conferir, então aí vai um show completo para vocês! Ao vivo no Royal Albert Hall, em Londres!

Dica de Livro do Dia #13 – Notas de Um Velho Safado, de Charles Bukowski.

É o livro que estou lendo no momento e achando um tanto curioso e, como sempre, genial! Deixe-me explicar: após o final da Guerra Fria, os EUA ascenderam economicamente utilizando uma combinação entre poderio militar e domínio através de ideias. Entre elas, está o famoso sonho americano! O “American Way Of Life”, aliado à “Política da Boa Vizinhança” e “Doutrina Truman”, se mostrou eficiente na missão de fazer com que nações do mundo inteiro adotem os EUA como o objeto de desejo. Os filmes nos fazem invejar os americanos, suas casas, seus estilos de vida. As propagandas de televisão nos fazem querer consumir o que eles consomem, McDonald’s, Burguer King, Coca-cola, e abominar os elementos de nossa própria cultura, como a música, a literatura, etc.

Por isso, ler Bukowski é tão importante, ele nos proporciona um salto no universo, nos abre os olhos para as mentiras embaladas que consumimos! Tendo vivido num cenário após a recessão de 1929, num ambiente de pobreza e desespero, ele nos uma realidade que não aparece nos filmes e seriados que adoramos assistir! E, muito embora seus livros tenham sido publicados há bastante tempo, ainda se fazem válidos em sua atualidade e lucidez, revelando as mazelas de uma sociedade onde exitem os pobres, os bêbados, os que são infelizes e menosprezados pela sociedade e sua hipocrisia!

Sinopse: Em Notas de um velho safado, a América tem uma cara de 50 anos, corpo de 18 e desfila de calcinha rosa claro e salto alto na madrugada corrosiva de Los Angeles. A América é um sapatão furioso com uma garra metálica no lugar da mão esquerda e não quer saber de transar com o Velho Safado. A América é uma deusa milionária com a qual ele se casa e da qual amargamente se separa. A América é uma prostituta, 150 quilos, um metro e meio de altura, que peida, uiva e destroça a cama quando goza. A América é também estudantes e revolucionários proferindo discursos inflamados em parques ensolarados de São Francisco no final da década de 60. A América é Neal Cassady dirigindo alucinadamente pelas ruas de Los Angeles, pouco tempo antes de morrer de overdose sobre os trilhos de uma ferrovia mexicana. A América é Jack Kerouac e Bukowski poetando na Veneza californiana. 

Notas de um velho safado forma um conjunto de histórias excepcionais saídas de uma vida violenta e depravada, horrível e santa. Não podemos lê-lo e seguir sendo os mesmos. 

Dica de Livro do Dia #12 – P.S. Eu te amo, de Cecelia Ahern

Minha dica de hoje será um pouco diferente do usual, uma ajudinha para quem deseja melhorar o inglês e se divertir ao mesmo tempo. Comprei esse livro há muito tempo, quando o filme nem havia sido lançado ainda, e comprei exatamente por achar a capa legal! Porém o livro estava em inglês e eu nunca havia lido 600 páginas de um pocket book em inglês! Oxford Dictionary em mãos e todos os dias, religiosamente, no horário da novela das 8 da Globo, eu me retirava para o quarto e começava a ler. Após 30 páginas consegui me familiarizar com a linguagem do livro e abandonar o dicionário.

Cecelia Ahern conta a história de Holly, uma moça que ficou viúva recentemente e recebe um pacote com dez cartas escritas por seu marido enquanto o mesmo terminava seus dias no hospital, uma para cada mês, que devem ajudá-la a levar a vida sem ele. É um livro que irá fazer chorar muito, mas também dar boas gargalhadas! Como a história de passa em Dublin, na Irlanda, o bom de lê-lo em inglês é aprender um pouco mais de inglês britânico, além de algumas gírias locais!

Sinopse: Holly e Gerry desejavam ficar juntos pelo resto de suas vidas, mas um tumor cerebral levou Gerry, aos 30 anos. Sentindo-se perdida e solitária, Holly finalmente encontra uma motivação para continuar vivendo quando recebe um pacote, que havia sido enviado por seu marido antes de morrer, intitulado – ´A Lista´. No pacote, várias cartas com instruções de como ela poderá sobreviver sem a presença dele, todas acompanhadas de um ´P.S. – eu te amo´.

Filme da Semana #2 – Para Sempre (The Vow – 2012)

A trama de Para Sempre (acho que poderiam ter escolhido um nome diferente para o filme, mas enfim!) nos parece familiar: conta a história de um casal que vive feliz, recém-casado, e que num acidente de carro, toma um rumo completamente inesperado: Page (Regina George Rachel McAdams) ,perde a memória e seu marido, Leo (Channing Tatum, de Querido John), se vê desesperado na tentativa de reconquistá-la novamente. Porém, o filme não se parece em nada com “Como se fosse a primeira vez”, com a Drew Barrymore e Adam Sandler.

Fotografia ótima, trilha sonora gostosa de se ouvir e sensibilidade.

Sinopse: Page (Rachel McAdams) e Leo (Channing Tatum) viviam uma linda história de amor, mas um grave acidente de carro provocou uma grande mudança em suas vidas. Afinal, mesmo estando casados, ela não consegue se recordar de nada e muito menos ter algum tipo de memória sobre o relacionamento deles. Agora, resta para Leo a missão de reconquistá-la novamente para que possam então viver o romance que sempre desejaram. Baseado em fatos reais.

Dica de Livro do Dia #11 – As Crônicas Vampirescas, de Anne Rice

A série a seguir está na minha wishlist há tempos! Assim que eu conseguir terminar os cinco livros que estou lendo ao mesmo tempo, começarei a ler estes! As Crônicas Vampirescas possuem três volumes: Entrevista com o Vampiro (sim, aquele mesmo do filme!), O Vampiro Lestat e Rainha dos Condenados (que foram filmados juntos para o filme Rainha dos Condenados, lançado em 2002).

Sinopse: Uma história que começa com a ousadia de um jovem repórter ao entrevistar Louis de Pointe du Lac, nascido em 1766 e transformado em vampiro pelo próprio Lestat, figura apaixonante que terminará, ao longo da série, arrebatando multidões como cantor de rock. Louis, esse vampiro que se recusa a livrar-se das características humanas e aceitar a crueldade e a frieza que marcam os vampiros, continua a contar a história desde o início. É um mundo de uma fantasia impressionante, um mundo gótico, romântico, esse criado por Anne Rice (…).

Sinopse: A história de Lestat, um aristocrata que resolve tornar-se ator na Idade Média, e torna-se vampiro ao acaso. Conheça sua vida ao longo dos séculos e como se transforma em um ídolo do rock na atualidade. Apesar do sucesso imediato atingido com o clássico Entrevista com o vampiro (1976), foi com a publicação de O vampiro Lestat (1985), o segundo volume das Crônicas Vampirescas, que a escritora Anne Rice transformou-se num fenômeno literário. Hoje a autora conta com uma extensa coleção de best-sellers e uma legião fiel de fãs em todo o mundo. E sua criatura mais famosa segue o exemplo. O vampiro Lestat é como um Michael Jordan da literatura gótica. Tem newsletter própria e os mais diversos produtos com a sua marca — de bonecos a vinhos nobres.

Sinopse: Em A rainha dos condenados, a escritora americana Anne Rice retoma os personagens que a tornaram famosa e faz o livro de maior suspense e densidade de suas Crônicas Vampirescas. Aqui, há vampiros para todos os gostos. Jovens e delinqüentes, como Baby Jenk, da Gangue das Garra, românticos como Armand e Daniel, estudiosos como Jesse, que investiga para a organização conhecida como Talamasca, a história desses seres estranhos, imortais misturados entre mortais, para quem sangue, sexo e morte são elementos indissolúveis do dia-a-dia. Reunidos em torno de Lestat, eles respondem ao chamado de sua música quase hipnótica e correm, ao longo da narrativa de Anne Rice, um perigo difícil de evitar. É que o som de Lestat desperta Akasha, a mãe dos vampiros, a encarnação da força maléfica feminina, disposta a escolher os justos, entre os vampiros, através de um banho de sangue. Mestra da alquimia entre crueldade e poesia, Anne Rice prova em A rainha dos condenados saber fazer em literatura o que Lestat faz em música. Impossível não segui-la hipnoticamente até a última página.

*Curiosidade: escrito em 1976, a tradução de Entrevista com o Vampiro para português foi feita pela Clarice Lispector.

Dica de Livro do Dia #10 – Convite à Filosofia, de Marilena Chauí

A dica de hoje é um livro de uma das grandes filosofas e historiadoras do Brasil, Marilena Chauí. Durante todo o meu Ens. Médio senti que os professores de Filosofia pecavam em muitos aspectos, levando a maioria dos alunos ao desinteresse pela matéria. Apesar de fazer parte daquilo que as pessoas consideram pouco importante, acredito que a Filosofia tem um papel muito importante na formação das pessoas e é por isso que recomendo muito esse livro. Estou na metade e não consigo parar de grifar frases e anotar algumas definições.

Marilena Chauí, além de escritora, é professora da FFLCH – USP, escreveu diversos outros títulos e recebeu, em 1994, o Prêmio Jabuti por ‘Convite à Filosofia’. É apenas mais um prêmio dentre tantos.

Sinopse: Um exercício do pensamento, que fomenta a reflexão crítica e lança um facho de luz sobre questões do dia-a-dia, realçando seu caráter histórico e ampliando os horizontes do leitor – eis o alcance deste livro. Convite à Filosofia é uma obra que utiliza o próprio instrumental filosófico para atualizar conceitos e fazer uma releitura dialética do mundo por uma das mais consistentes intelectuais do país. De suas páginas emergem os grandes temas da discussão filosófica, como Razão, Verdade, Conhecimento, Ciência, Ética, Política, Arte, Técnica, Religião, Metafísica, História, Lógica. 

Dica de Livro do Dia #9 – A Garota Americana, de Meg Cabot

Fim de semana chegando novamente thanks God, e aqui vai aquela dica para descontrair e mergulhar num universo longe do stress semanal! A Garota Americana, de Meg Cabot, assim como a maioria dos livros da autora, é mais voltada a literatura infanto-juvenil. O livro conta a história de uma típica menina americana que vê sua vida mudando completamente de rumo quando, sem querer, salva o presidente dos EUA da morte! Bem fantasioso e uma delícia de ler! Ótimo também para presentear alguém!

O livro, na verdade, é uma série, que contem dois livros, sendo a continuação chamada “A Garota Americana – Quase Pronta.”.

Sinopse: A GAROTA AMERICANA acompanha o cotidiano de Samantha, uma típica garota americana, que leva uma vida muito parecida com a de tantas outras meninas de sua idade. Até que um dia resolve matar aula de arte e, por acaso, salva o presidente americano de uma tentativa de assassinato. Samantha logo vê sua vida virar de cabeça para baixo ao ser nomeada embaixadora da ONU, sem saber exatamente o que o cargo significa.

Dica de Livro do Dia #8 – Um Dia, de David Nicholls

Esse livro foi recentemente adicionado à minha lista de desejos! Assisti ao filme e chorei MUITO, e como muitos que passam por aqui já sabem, adoro um drama para chorar! “Um dia – 20 anos, duas pessoas, um dia”, que eu prefiro chamar de “One Day” por que é menos estranho,  é simplesmente lindo!

Sinopse: Dexter Mayhew e Emma Morley se conheceram em 1988. Ambos sabem que no dia seguinte, após a formatura na universidade, deverão trilhar caminhos diferentes. Mas, depois de apenas um dia juntos, não conseguem parar de pensar um no outro. Os anos se passam e Dex e Em levam vidas isoladas – vidas muito diferentes daquelas que eles sonhavam ter. Porém, incapazes de esquecer o sentimento muito especial que os arrebatou naquela primeira noite, surge uma extraordinária relação entre os dois. Ao longo dos vinte anos seguintes, flashes do relacionamento deles são narrados, um por ano, todos no mesmo dia: 15 de julho. Dexter e Emma enfrentam disputas e brigas, esperanças e oportunidades perdidas, risos e lágrimas. E, conforme o verdadeiro significado desse dia crucial é desvendado, eles precisam acertar contas com a essência do amor e da própria vida.

Personalidade da Semana #1: Kat Von D

Katherine Von Drachenberg, ou Kat Von D, nascida no México, com sobrenome alemão, e filha de pais argentinos, é uma tatuadora que ficou famosa por fazer parte do seriado Miami Ink e, posteriormente, ser protagonista do seriado L.A. Ink, que mostra o dia-a-dia de seu estúdio de tatuagens, High Voltage Tattoo, na cidade de Los Angeles. Além disso, a vida de Kat Von D se tornou pública após assumir seu namoro com o baixista da banda Mötley Crüe, Nikki Sixx, que durou de 2008 a 2010.

Mas, o que realmente importa é o trabalho de Kat Von D! Em uma profissão geralmente ocupada por homens, Kat começou a tatuar aos 14 anos e se destacou por fazer retratos de pessoas em preto e branco na pele de clientes que sonham em ter um desenho seu tatuado na pele. Entre alguns nomes que ela tatuou temos  Lemmy Kilmister do Motörhead, Jared Leto, Lady Gaga, Bam Magera e Steve-O, do Jackass, membros das bandas Green Day, Avenged Sevenfold, My Chemical Romance, Slayer, Nickelback, entre outros.

Em 2009, Kat Von D lançou seu primeiro livro, High Voltage Tattoo, onde apresenta fotos de suas melhores tatuagens e as histórias por trás das mesmas. O livro ficou em sexto na lista dos mais vendidos do New York Times. Em 2010, foi lançado seu segundo livro, The Tattoo Chronicles, um diário ilustrado de sua vida. Em 2008, Kat Von D criou uma linha de cosméticos da Sephora, com maquiagens e fragâncias.

Primeiro livro de Kat Von D, uma autobiografia que conta a trajetória de sua carreira, desde o gosto pela pintura herdado da avó, passa pelo seu primeiro trabalho feito aos 14 anos e conta histórias de suas tatuagens feitas em amigos famosos e grandes roqueiros!
Kat Von D e seu segundo livro, The Tattoo Chronicles.
Tributo de Nikki Sixx a seu companheiro de banda Mick Marks feito por Kat Von D
Elvis Presley, Kurt Cobain e Audrey Hepburn;

Dica de Livro do Dia #7 – Misto-Quente, Charles Bukowski

Um livro de Bukowski sempre deixa sua marca. É o que eu diria sobre Misto Quente. Recomendo esse livro para aqueles que gostam de uma literatura fora dos padrões românticos e ideais dos best-sellers americanos. A literatura de Bukowski é visceral, pesada, punk! Considerada um poeta maldito, Bukowski é escatológico, anti-literário, vulgar, politicamente incorreto, alcoolatra e dramático. Misto Quente conta a história de Henry Chinaski, um personagem inspirado na vida do próprio autor, que vive nos EUA na recessão após a crise de 1929. O livro tem a intenção de mostrar a humanidade como ela realmente o é: sem sentido, egoísta, discriminatória e hipócrita. Vale a pena ler se você tiver estômago. Eu gosto!

Sinopse: O que pode ser pior do que crescer nos Estados Unidos da recessão pós-1929? Ser pobre, de origem alemã, ter muitas espinhas, um pai autoritário beirando a psicopatia, uma mãe passiva e ignorante, nenhuma namorada e, pela frente, apenas a perspectiva de servir de mão-de-obra barata em um mundo cada vez menos propício às pessoas sensíveis e problemáticas. Esta é a história de Henry Chinaski, o protagonista deste romance que é sem dúvida uma das obras mais comoventes e mais lidas de Charles Bukowski (1920-1994). Verdadeiro romance de formação com toques autobiográficos, Misto-quente (publicado originalmente em 1982) cativa o leitor pela sinceridade e aparente simplicidade com que a história é contada. Estão presentes a ânsia pela dignidade, a busca vã pela verdade e pela liberdade, trabalhadas de tal forma que fazem deste livro um dos melhores romances norte-americanos da segunda metade do século 20. Apesar de ser o quarto romance dos seis que o autor escreveu e de ter sido lançado quando ele já contava mais de sessenta anos, Misto-quente ilumina toda a obra de Bukowski. Pode-se dizer: quem não leu Misto-quente, não leu Bukowski.

Dica de Livro do Dia #6 – O Meu Pé de Laranja Lima

Todo o meu amor pela literatura nasceu à partir desse livro, que até hoje é um dos que mais gosto. É uma obra de ficção que conta a história de Zezé, um menino de origem própria, que aprende sobre as mazelas da vida desde muito cedo, e divide sua vida com seu pequeno pé de laranja lima.

É um livro infanto-juvenil, ótimo para dar de presente para crianças à partir dos 11 anos de idade! Vale cada página!

Sinopse: Retrata a história de um menino de seis anos chamado Zezé, que pertencia a uma família muito pobre e muito numerosa. Zezé tinha muitos irmãos, a sua mãe trabalhava numa fábrica, o pai estava desempregado, e como tal passavam por muitas dificuldades, pelo que eram as irmãs mais velhas que tomavam conta dos mais novos; por sua vez, Zezé tomava conta do seu irmãozinho mais novo, Luís.

Zezé era um rapazinho muito interessado pela vida, adorava saber e aprender coisas novas, novas palavras, palavras difíceis… que o seu tio lhe ensinava. Contudo, passava a vida a fazer traquinices pela rua, a pregar partidas aos outros e muitas vezes acabava por ser castigado e repreendido pelos pais ou pelos irmãos, que passavam a vida a dizer que era um mau menino, sempre a fazer maldades. Todos estes fatores e o fato de não passar muito tempo com a mãe, visto que esta trabalhava muito, faziam com que Zezé, muitas vezes, não encontrasse na família o carinho e a ternura que qualquer criança precisa.

Ao mudarem de casa, Zezé encontra no quintal da sua nova moradia um pequeno pé de laranja lima, inicialmente a idéia de ter uma árvore tão pequena não lhe agrada muito, mas à medida que este vai convivendo com a pequena árvore e ao desabafar com esta, repara que ela fala e que é capaz de conversar consigo, tornando-se assim o seu grande amigo e confidente, aquele que lhe dava todo o carinho que Zezé não recebia em casa da sua família.

Ao longo da história vão acontecendo vários episódios na vida deste menino, uns mais alegres, outros mais tristes, que nos transmitem uma grande lição de vida e do modo como agir perante diversas situações, pois apesar de ter apenas cinco anos, Zezé já tinha atitudes que qualquer criança comum nunca teria, fazendo-nos então pensar um pouco à cerca de nós mesmos e das nossas atitudes perante determinadas situações.

Dica de Livro do Dia #5 – Vale Tudo: O Som e a Fúria de Tim Maia, de Nelson Motta

A biografia de Tim Maia é excelente, dá vontade de fazer barulho! Tim Maia era autêntico, irreverente, estava sempre insatisfeito, queria sempre mais e o melhor, e não tinha medo de dizer o que pensava. Sua biografia é um sopro de vontade de questionar e mudar as coisas!

Sinopse: Preto, gordo e cafajeste, formado em cornologia, sofrências e deficiências capilares. Era assim que Tim Maia o cantor que integrou o soul e o funk aos ritmos brasileiros se definia. A partir de uma pesquisa assombrosa e de uma intensa convivência com Tim Maia, o jornalista e produtor musical Nelson Motta conta, no ritmo irresistível do rei do samba-soul, a sua história de som, fúria e gargalhadas.

Filme da Semana #1 – A Hora do Pesadelo (1984)

Semana passada comecei a rever toda a filmografia de “A Hora do Pesadelo”, que havia visto há muito tempo, provavelmente antes dos 14 anos! Confesso que não sou muito fã de filmes de terror, eles não me metem medo, mas os filmes de Freddy Krueger são muito bons, um misto de fantasia e contos de Serial Killers!

A filmografia de ‘A Hora do Pesadelo’ contém 8 filmes, sendo dois deles recentes:

  • A Hora do Pesadelo (1984)
  • A Hora do Pesadelo 2: A Vingança de Freddy (1985).
  • A Hora do Pesadelo 3: Guerreiros dos Sonhos (1987).
  • A Hora do Pesadelo 4: Mestre dos Sonhos (1988).
  • A Hora do Pesadelo 5(1989).
  • Pesadelo Final: A Morte de Freddy (1991).
  • O Novo Pesadelo (1994).
  • Freddy vs. Jason (2003).
  • A Hora do Pesadelo – O Novo Pesadelo, O Retorno de Fredy Krueger (2010)
One, two, Freddy is coming for you.
Three, four, better lock your door.
Five, six, grab your crucifix.
Seven, eight, gonna stay up late.
Nine, ten, never sleep again.
*Curiosidade: esse foi o primeiro filme estrelado por Johnny Depp. Olha ele aí!

Dica de Livro #4 – Frida Kahlo, de Rauda Jamis

Frida Kahlo, o livro, conta a história da pintora mexicana que foi uma das grandes artistas do século passado. Dona de uma história de vida incrível, mulher, portadora de deficiências físicas, artista, bissexual, apaixonada por Diego Rivera, Frida Kahlo nos surpreende ao revelar uma mulher extremamente incomum para a época, com uma força e perseverança descomunais e, acima de tudo, humana! Frida usava sua arte como forma de expurgar alguns de seus demônios, e olha que eles não eram poucos!

É um livro que requer tempo e vontade de repensar algumas questões de vida. Li duas vezes e acredito que tenha feito um bem enorme à minha sanidade.

Sinopse: Baseada nas melhores fontes de documentação, escrita com entusiasmo e sensibilidade, esta biografia romanceada traça o retrato de uma mulher extraordinária, dilacerada por terríveis sofrimentos físicos e uma imensa força de criação. Apresenta além disso o quadro de uma época, do México revolucionário aos riquíssimos salões novaiorquinos, passando pelas galerias surrealistas de Pari dos anos 30. Conhecer a vida de Frida Kahlo significa conhecer também a vida de Diego Rivera, seu marido, além de facetas importantes de homens como Trotski, Picasso, Breton, Duchamp, Kandinsky e outros.

“Meu corpo é um marasmo. E eu não posso mais escapar dele. Como o animal que sente sua morte, sinto a minha tomar lugar na minha vida e com tanta força, que me tira qualquer possibilidade de combater. Não me acreditam, tanto me viram lutar. Não ouso mais acreditar que eu poderia estar enganada, esse tipo de relâmpago está se tornando raro … As noites são longas. Cada minuto me amedronta e eu sinto dores por toda parte, por toda parte. Os outros se preocupam e eu gostaria de poupá-los disso. Mas o que é que alguém pode evitar para os outros quando a si mesmo em nada conseguiu poupar da própria sina? A aurora está sempre distante demais. Já não sei se a desejo ou se o que eu quero mesmo é penetrar mais fundo dentro da noite. Sim, talvez seja melhor acabar com tudo.”

PS. Quem se interessar pela história, pode assistir também ao filme! É excelente e traz caracterizações, atuações, cenários e uma fotografia admiráveis.