Homossexualidade

“O mundo está ao contrário e ninguém reparou…”

Às vezes me pergunto se eu sou modernete demais ou se as pessoas é que são caretas e chatas, e sempre tenho a sensação de que está tudo ao contrário. Vivemos num país onde a vida de sub-celebridades e reality shows ganham mais destaque do que os casos recorrentes de corrupção, falhas na saúde, educação, segurança pública, etc… Sofremos de uma patologia que é o apreço por cuidar da vida alheia e nos intrometer onde não devemos.

E tudo isso pra falar que eu fiquei horrorizada quando entrei hoje na internet e vi as pessoas chocadas com uma entrevista da Pitty na qual ela assumiu já ter ficado com mulheres. A pergunta que fica é: E DAÍ?

Não sei se é por conta de ter muitos amigos e a amigas homossexuais, mas até agora eu nunca tinha me dado conta do quanto ainda é polêmico o que as pessoas fazem em sua intimidade, como se isso determinasse o seu caráter ou índole. É um assunto trivial. E mais me impressiona o fato que ao assumirem se relacionar ou ter se relacionado com pessoas do mesmo sexo, metade do universo esquece das qualidades e contribuições positivas que essas pessoas deram!

E aí, quantas pessoas já lavaram a louça hoje?

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Entrevista #1 – Homossexualidade em Foco

Pleno século XXI e a homossexualidade ainda é um grande tabu para a sociedade. De um lado há religiosos e conservadores afirmando que ser gay é uma opção, e do outro, há a comunidade LGBTT defendendo que orientação sexual não é uma escolha e lutando pelos direitos que são negados a essa minoria que diariamente sofre preconceito. Mesmo diante da visibilidade que a causa gay vem ganhando, a família brasileira não está preparada para ver um beijo gay na televisão, enquanto lê notícias de ataques de homofobia nos jornais. E nessa confusão de ideologias, crenças, gerações e opiniões, que muitas vezes não saem do senso-comum, quase sempre falta espaço para reflexões que nos ajudem a sair do escuro quando o assunto são nossos direitos sobre os direitos dos demais.

Para inovar aqui no blog, resolvi inaugurar uma seção de entrevistas e, para começar, convidei alguns amigos para mostrarem o que os gays pensam sobre todas essas polêmicas. Todo mês, uma nova entrevista!

Quando  e como você descobriu que era gay?  Houve dificuldade de aceitação?

Filliphe: Comecei a perceber isso desde pequeno. Sempre soube que eu era diferente da maioria dos meninos. Não que eu fosse um menino efeminado, mas eu sabia que algo em mim era diferente. Aos 12 para 13 anos, eu beijei meu primo, confesso que o primeiro beijo é mega estranho; não vi aquilo como um erro na época, mas sabia que não poderia sair contando. Com o passar dos anos, eu fui me relacionando com meninas, mas sempre tive aquele desejo de repetir um beijo em outro garoto; eu meio que sem querer comecei andar com outros garotos que também tinham esse desejo. Aos 16 anos eu beijei um desses ‘amigos’, foi dai que a coisa desandou de vez e eu comecei a frequentar lugares propícios a isso, foi nessa idade que eu percebi mesmo que era algo que me fazia muito bem e decidi continuar.

William: Acho que sempre se sabe, ou melhor, se desconfia… E creio que tenha sido mais claro o entender e aceitar a um ano atrás.

Como foi contar para a família e para os amigos? 

Filliphe: Eu sempre tive a sorte de ter amigos que tinham a mesma curiosidade ou vontade que eu, então foi muito fácil contar a eles. Um dia estava no ônibus com minha mãe, meio que contando a ela que tinha ido a um show emo, ela me perguntou na maior cara lisa, ‘E você também gosta de meninos?”, na hora eu falei, ‘Também!’, na hora da pergunta fiquei em choque, você não espera esse tipo de pergunta vindo da sua mãe, então acabei dizendo que eu era bi, mas com o tempo ela percebeu que eu não tinha interesse algum por meninas. Minhas irmãs descobriram um dia em que eu estava bêbado, ficaram me perguntando, daí virei e falei (risos). Meu pai  foi muito mais complicado, ele descobriu minha homossexualidade através de fotos que eu tinha tirado com um namorado que eu tinha na época, foi uma confusão que só, já até dar pra imaginar. Houve discussão, meu pai não aceitou assim logo de cara, pensou que que eu era prostituto a e tal, sai da casa do meu pai e vim morar com minha mãe depois do acontecido. Demorou praticamente um ano pra eu voltar a falar com o meu pai, mas hoje em dia temos um relacionamento maravilhoso, não só com ele, mas com minha mãe e toda a minha família. Ser assumido pra mim hoje, em uma família evangélica e ser respeitado, me deixa muito feliz, muito mesmo.

William: Não foi contado ainda.. Não acho que deva ser… A sexualidade sempre foi e deve ser algo pessoal, não há o porquê contar nada, é algo natural, não é uma condição, um dom, habilidade ou defeito particular que deva ser contado, uma escolha… É o que é. É natural.

Ser homossexual significa apenas transar com alguém do mesmo sexo?

Filliphe: Ser homossexual significa ter uma vida comum, se apaixonar, ter desejo sexuais, querer construir uma vida, namorar, beijar e todas outras coisas, com alguém do mesmo sexo. Pra mim ser homossexual é só um detalhe, apenas.

William: Não e sim. Homossexualidade já na palavra, denota sexualidade, preferência sexual, conduta sexual, por tanto sim, se o prazer carnal esta relacionado a alguem do mesmo sexo, sim a homossexualidade é ligada direta e unicamente ao ato da prática de sexo. Porém, a homoafetividade ou o gostar de uma pessoa do mesmo sexo que você vai alem de orgãos genitais ou orgasmos.

Você sente que é tratado de forma desigual? Te observam na rua ou você já sofreu algum tipo de preconceito ou presenciou algo do gênero acontecendo a amigos?

Filliphe: Não me sinto tratado de forma desigual, não sou muito do ‘estereotipo gay’, então muitas vezes passo desapercebido. Preconceito infelizmente vivemos todos os dias, direta ou indiretamente, porque me sinto altamente atingido com qualquer comentário homofóbico que façam a qualquer pessoa. Com os meus amigos, nunca teve nenhum caso assim que saiu do ‘controle’, quando eu digo esse controle, falo em olhadas, gracinhas e essas coisas.

William: Sim. Diferente sempre se é, do senso comum, da maioria. Então sempre me senti diferente, mas não excluído. Talvez discriminado por olhares, mas nunca ainda por atos. Já soube de amigos que apanharam ou sofreram outras violências psicológicas, físicas e ate emocionais por serem homossexuais sim. E eu só lamento.

Você se sente à vontade para beijar em público ou concorda que um gay não deve “dar bandeira” e precisa ter uma postura hétero-normativa para ser bem aceito? Alguns dizem que em um casal gay sempre haverá um parceiro mais masculino e outro mais feminino. Isso é real, ou uma forma sutilmente preconceituosa de fantasiar a relação como sendo um homem unido a uma mulher?

Filliphe: Infelizmente vivemos em um mundo mal, então devemos nos policiar, mas não nos privar. Acho que tem alguns lugares em que me sinto a vontade e então beijo. Tem lugares que eu acho melhor evitar, não por medo ou por vergonha, sim pelo respeito, acho muito deselegante casais, homos ou héteros, se agarrando em ônibus, supermercados, metro, etc… Hoje em dia as pessoas não entendem o que significa ‘demonstração pública de afeto’ e exageram. Eu namorei 2 anos, andávamos muito nas ruas, quem nos visse percebia que eramos namorados, não porque estávamos nos agarrando e sim pelo fato de olhares, as vezes um carinho, um selinho, uma bronca, um sorriso, isso sim é ‘demonstração pública de afeto’.

William: Quanto à demonstração de afeto, creio que é uma face de dois gomos. Pois ao mesmo tempo em que eu entendo que culturalmente muitas pessoas de mais idade, com ideologias e costumes e ate educação diferentes de um tempo sem informações, não são obrigados a serem expostos a tais atos, eu tbm creio que é um direito. Porque eu, por exemplo, nunca me senti a vontade em estar perto de um casal heterossexual se beijando demonstrando afeto. Há incomodo, ainda mais se você não esta com seu parceiro (risos).Creio ser mito. Não há o porquê de haver um mais masculino e outro mais feminino. E isso se aplica a mulheres gays também: não há o porque se formar o conceito de que uma precisa ser mais masculinizada que a outra. É um esteriótipo até mesmo fundado nos próprios homossexuais de que deve ser assim.

No caso de gays “ativos” e “passivos”, o que você acha dos últimos serem considerados “mais gays” do que os primeiros?


William: 
Criou-se a fantasia de que o passivo é mais gay que o ativo. Isso não existe. Sim pode ser que o passivo expresse mais propensão a trejeitos femininos, que em parte vem da nossa educação cultural de que quem é penetrado é subornado e inferior ao que penetra, como no caso das mulheres. É o machismo que impregna em todos os gêneros. Creio que cada um deve ser como é. Não deve manter posturas para ser aceito, deve haver consensos. Não é preciso ser uma drag queen, por exemplo, o dia todo, só para chocar, dizer que é revolucionário.

Filliphe: Eu particularmente me desprendi desde rótulo, não acho legal falar esse tipo de coisa abertamente. Então, infelizmente muitos ‘de fora’ julgam dessa maneira, mas eu não acho que um homossexual passivo seja mais gay que um ativo, ambos gostam de homem, só muda a maneira de como preferem na cama e como eu já disse antes, não é algo legal de ficar divulgando aos quatros cantos.

Qual é seu posicionamento a respeito da união homoafetiva? Você acha que o casamento gay deveria ser aprovado?

Filliphe: Eu sou a favor do amor, aonde exista amor, carinho e respeito, deve ser visto perante a lei como uma união afetiva. O casamento gay é algo que deve sim ser aprovado, não só pelo fato do amor, mas pelo direitos e segurança que um casamento da a ambos parceiros. A luta LGBTT não é só pelo casamento cerimônia que é o que muito ignorantes pensam, o objetivo principal é assegurar os direitos concedidos através de um casamento civil, que só com uma União Homoafetiva não garante. O Brasil tem que se tornar um estado laico de fato, coisa que só é na teoria. Todos somos cidadãos e pagamos imposto e temos deveres junto com a sociedade, nada mais justo que assegurar o nosso direito de podermos nos casar com quem nós quisermos. 

William: o casamento é um direito constitucional. Não deveria haver nem a discussão sobre.

O que você pensa sobre adoção por casais homossexuais?

Filliphe: O mundo anda tão carente de amor… Eu sou a favor da adoção SIM! (risos) Existem tantas crianças sendo mal tratadas, nascendo em lares sem carinho e respeito, sou a favor da adoção para qualquer tipo de pessoa que tenha mente equilibrada, tenha responsabilidade, um casal hétero, homo, uma pessoa solteira, uma travesti. Acho a adoção umas das maneiras mais linda de demonstrar amor ao próximo, isso deveria ser incentivado pelo governo e não ser negado por ele.

William: A adoção tem como princípio lar, família, estabilidade (financeira, afetiva e social) em relação à criança. Não creio que isso deva ser imposto e discriminado de acordo com a sexualiadade ou o casal em questão. Até por que os poucos casis homossexuais que conseguiram essa vitoria, essa conquista, têm tido filhos que cresceram heterossexuais, mais informados e sem vestígios de comportamento violento ou discriminatório. Isso so prova que a discriminação e contuda, preferência sexual e afetiva se dão pela existência de cada um e não é algo comportamental, que se aprende ou se desenvolve segundo influências do meio em que se vive.

A religião acaba sempre fazendo parte dos debates mais calorosos acerca dos direitos homossexuais. Você tem religião? Como se sente diante dessas questões?

Filliphe: Não tenho religião, não sou a favor de doutrinas, seitas e afins, mas respeito todas, porém isso não significa que eu não acredito em DEUS. Hoje em dia as pessoas vem apresentando um ‘deus’ tão ruim, tão carrasco, que distorce e contraria tudo o que elas próprias pregam sobre ‘ele’. Eu acredito que DEUS seja todos os sentimentos puros, um sentimento de amor, um sentimento de justiça, um sentimento de felicidade, um sentimento de compaixão, a misericórdia… Por isso não acredito que um DEUS justo iria deixar eu nascer gay, pra que as pessoas que acreditassem nele fossem sem amor e compaixão comigo, me negando qualquer pedido de misericórdia e vivendo uma vida infeliz. A Bíblia, sim é um livro com histórias sensacionais, aonde podemos aprender lições de fé e vida, não um livro para servir de julgamento. De uma certa maneira ou de outra, nínguem segue a Ela ao pé da letra, nem mesmo esses bitolados e religiosos, que usam a Bíblia como desculpa para julgar as pessoas, achando que estão certas, esquecendo que em toda Ela, o principal mandamento é o amor ao próximo.

William: Me sinto agnóstico. Creio em algo além da minha compreeensão, e creio que não sou capaz ainda de compreender, mas aceito que há algo, só não sei o que. Quando preciso recorro à religião, aquela que me aproxime mais de meus objetivos e de paz interna, qume dê amparo, forma ou qualquer coisa que naquele momento que eu necessite. Creio que religião e fé sejam isso: crer em algo nem que seja em mim mesmo. É importante a religião na vida do ser humano… Mesmo os que se dizem ateus, tem fé sim em sua racionalidade, na ciência, ou si mesmos; de qualquer forma é crença, é fé. Desde sempre a religião, principalmente católica esteve envolvida em questões homo afetivas e não é tão espantoso assim, já que se segue a interpretação feita a milhares de anos da biblia, de uma forma em que devemos ser cordeiros, de obediencia extrema para ganhar entrada vip ao céu. Mas creio que hoje em dia, deve haver uma nova interpretação, porque não há como sustentar paradigmas sociais numa era globalizada, calcadas em escritos de 2 mil anos atras. O planeta mudou, a evolução humana mudou de la pra cá e seria idiotice, e ate mesmo uma falta de fé, não aceitar a possibilidade de que a interpretação humana para os dizeres DELE foram equivocadas e que devem ser sim relidas e refeitas a medida que os anos avançam.. afinal não dizem que os escritos são perfeitos?

Como você define a sua sexualidade? Ser chamado de gay te ofende de alguma forma? Você acha que o rótulo de homossexual pode limitar suas experiências?

Filliphe: Eu sou gay. Ser chamado de gay, homossexual eu não ligo, agora dependendo a situação e da pessoa eu detesto que me chamem de viado, baitola, bichinha, etc… Porque essas palavras tem uma conotação muito ruim. Eu me considero um gay convicto, eu amo homem, já tentei experiências com mulheres, não tive sucesso, por isso não cogito uma nova tentativa, mas o futuro não nos pertence, mas mesmo que eu venha ter algo com uma mulher ( Quase impossível, risos) continuarei me achando gay, porque eu me conheço.

William: Não gosto muito de me rotular e nem de fazer uma carteirinha de “Willian Augusto, 22 anos, cineasta gay..”, não acho necessário, ate porque não se exige isso a ninguém. Mas não vejo problema às vezes não: a pergunta sobre qual minha preferencia afetiva não me ofende, até porque ninguém tem como saber se eu me interesso por homens ou mulheres. É o mesmo que me perguntar se prefiro pessoas baixas, pessoas brancas, negras, olhos claros e etc., uma questão de gosto. O que não aceito é rotular caráter e persona com esse titulo, “lá vai o gay por exemplo”. NÃO há razão pra isso, isso é discriminação. Insito na discriminação, por que aceito qualquer pre conceito, todos tempos pre conceito, é normal. Seria idiota não aceitar que somos pre conceituosos, até pela capacidade de inteligencia e pensamento. Mas pre conceito e discriminação são diferentes. O que repudio é discriminação, no caso a homossexuais.

Sabemos que ainda há muito preconceito com os homossexuais. Você acha que algum dia haverá igualdade e o fim da discriminação? Seria cabível alguma política pública pra amparar os homossexuais?

Filliphe: Sempre haverá discriminação, infelizmente… Mas eu concordo que com o tempo esse preconceito vai diminuir, mas não ao ponto de ser erradicado. Infelizmente ainda vemos crimes de racismo, crime contra as mulheres, xenofobia, mas que sofreram uma queda após leis específicas. Creio que tem que ser feito algo de emergencial quanto a homofobia , pessoas estão sendo mortas por gostarem diferentes, por serem diferentes do que a sociedade prega como o ‘natural’. Uma lei que não abuse do direito e que sim pregue a igualdade entre todas as condições sexuais, nem dando direitos a mais pra uma classe, ou diminuindo os direitos de outra, todos merecem serem respeitados pelo que são, pelo que acreditam, pelo que nascem. O Brasil tem que deixar a teoria e se tornar um estado laico de fato, reconhecer que nós homossexuais somos motivos de piadas ainda infelizmente, sofremos preconceito em nossos ambientes de trabalho, podemos ser alvo de agressões gratuita na rua a qualquer momento por um simples gesto de carinho com o parceiro, e muitas outras formas de discriminação que existe.  A Justiça no Brasil tem que começar a dar gritos e pulos para acreditarmos que ela ainda vive, não adianta fazer apenas uma lei, tem que fazer ela valer, tem fazer ela acontecer, mas eu acredito que essa lei não vai demorar mas tanto assim para ser aprovada.

William: Igualdade não há nem a negros, a anões, as mulheres plenamente, a pessoas com deficiencias fisicas ou de intelecto. Creio que igualdade plena nunca haverá. Tendemos a excluir o que não compreendemos ou que julgamos ser diferente demais, e isso acontece na natureza, entre animais mesmo. Tudo e todo aquilo que é diferente do senso comum é discriminado. Mas o que tenho esperança é de que um dia haja respeito. Não precisa haver aceitação, somente respeito, da mesma maneira que vemos na musica:eu  não gosto de tal cantor, não o entendo, mas não tenho direito de xinga-lo, agredi-lo, zua-lo ou qualquer coisa do tipo. Devo respeitá-lo enquanto cidadão, aceitar estar em sociedade é isso. Enquanto minha faca não atingir o seu escuto, tudo fica bem.

Não sei se a política ajuda muito nisso, não. Ajuda em questões burocráticas como casamento, adoção, lei contra a discriminação… Mas quanto ao enraizamento desses esteriotipos, creio que so o tempo mesmo pode dizer. A 50 anos atrás, aceitar ver um politico gay ser eleito, um personagem gay na TV ou homem negro presidente da maior potência global, e etc., era impossível. Hoje ja é diferente: Há a tolerância mesmo que velada. Quem sabe daqui mais 50 anos.

Filliphe: Eu acho que sim, haverão mudanças positivas para nós gays com o tempo, mas todos nós temos que sair pra lutar, deixar de se encubar em casa e sermos mais unidos, sermos mais orgulhosos de nossa condição e fazer algo muito maior do que uma parada pela diversidade e sim um pela grito de liberdade que todos temos em nossos peitos, sem levarmos isso como uma oportunidade para pegarmos meio mundo e sim com a intenção de gritar pro mundo que nós merecemos respeito. Devemos deixar de associar eventos/protestos gays, como se fossem um carnaval e sim como nosso rugido ao mundo que nascemos assim e assim que queremos ser reconhecidos, assim que queremos ser respeitados e que somos humanos e merecemos sermos tratado com qualquer outro cidadão.

Espero que tenham gostado da entrevista! Gostaria de agradecer ao Filliphe Scott, que você pode encontrar no twitter, e ao Will Augusto, que além do twitter, escreve um blog!


Luís Antônio – Gabriela, um “Comum de dois”

Foto de Bob Souza. Luís Felipe interpretando Luís Antonio. Divulgação.

Travesti: Aquele que não é nem homem e nem mulher, mas é ao mesmo tempo os dois. Comum de dois gêneros.

A peça Luís Antônio – Gabriela, em exibição na Funarte, em São Paulo, até dia 26/02 é uma obra prima que conta a história de um travesti que vive na década de 60 e vale muito a pena ser vista. Batizada com o nome de batismo do personagem no qual é inspirada e com seu nome de travesti, a peça ganha pela sensibilidade ao retratar uma história real, sem cair em clichês e fugindo ao drama, transformando-o em poesia e musicalidade.

O cenário é bastante peculiar, marcado por cartazes, objetos cenográficos inusitados e originais, imagens contundentes e bolsas de soro que pendem do teto, simbolizando a fraqueza dos personagens e a doença da sociedade, numa história que mesmo tendo se passado há mais de 50 anos, continua atual em sua temática. Com algumas frases e músicas marcantes, cantadas pelos próprios atores, a peça termina e deixa algumas questões em aberto, além de uma mensagem anti-homofobia, fazendo o público se emocionar. Incrível, contundente e corajosa!

Complexo Cultural Funarte São Paulo
Sala Carlos Miranda 

Alameda Nothmann, 1058 – Campos Elíseos
Próximo às estações Santa Cecília e Marechal Deodoro do Metrô
Informações:3662.5177

Quinta a Domingo às 21h30
Ingressos: R$ 5
Duração: 88minutos
Gênero:Documentário Cênico
Recomendação: 16 anos
Reestreia 12 de janeiro.
Temporada: até 26 de fevereiro

Direção de Nelson Baskerville
Intervenção dramatúrgica de Verônica Gentilin

Elenco: Marcos Felipe, Lucas Beda, Sandra Modesto, Verônica Gentilin, Virginia Iglesias e Day Porto.

“A vida é tão curta e a gente se doa aos pedaços!”

O Segredo dos Lírios

Hoje minha indicação é um vídeo que conheci através de um amigo e achei muito bacana, um micro-documentário chamado ‘O Segredo dos Lírios’, que registra alguns depoimentos de mães que contam como é a relação com suas filhas homossexuais, de como se sentiram quando descobriram que suas filhas são gays e como a descoberta modificou para melhor seus relacionamentos familiares. Vale a pena conferir:

Will, obrigada pela dica!