Sobre Pensar e Permanecer na Zona de Conforto

Ignorância é uma bênção, sempre afirmei. Ignorância é cômodo. Incomodo é pensar, porque leva a querer tomar atitudes e, novamente, agir não é cômodo.

Pensar me dá burburinhos na alma, me indigna. Quando leio um bom livro que coloca em cheque minhas verdades inabaladas, então, sai de perto. São dores de cabeça, músicas revoltadas no talo do meu ouvido e até uma vontade incontrolável de não segurar as lágrimas de revolta que me brotam volta e meia.

Ser pensante não é confortável, já me fez inclusive abrir mão daqueles amores fáceis. Vivo naquele dilema do “é bonitinho, mas…”. Mas é machista, mas é homofóbico, mas é reacionário, mas é alienado. Nunca dá certo. Ser pensante já me fez querer saltar pela janela do ônibus nas diversas vezes em que fui obrigada a ouvir conversas quase surreais e os absurdos que as pessoas trazem em suas mentes comuns. Ser pensante é perigoso.

Por mais prazeroso que seja aprender a olhar por outros parâmetros, ser pensandte e inquieto na cabeça é perder o direito àquela ignorância gostosa que nos permite assistir à televisão sem pensar em mais nada. Ah… aquela ignorância que não me permite ir dormir pensando nas notícias que li no jornal e das mazelas do país.

E o pior sobre ser pensante, é a sensação de impotência. A sensação de ser só mais um que não sabe se é esperto ou burro por querer nadar contra a maré mesmo sabendo que quando precisar pagar as contas e dar a cara a tapa sozinho, vai sentir aquela câimbra inconveniente e se deixar levar pela correnteza.

A ignorância é a bênção pela qual rezo todos os dias antes de dormir.

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