Livros

Recomendo: Veias Abertas da América Latina

Eduardo Galeano tem sido sinônimo de gênio para mim desde que comecei a ler Veias Abertas da América Latina. É um livro imprescindível, deveria ser obrigatório nas escolas e pra qualquer pessoa que deseja conhecer mais a fundo a história de seu país e continente e entender de quais maneiras a colonização invasão europeia influencia nossa cultura, nossa organização social e os problemas que nos impactam atualmente.

O livro é interessante, nos mostra uma perspectiva histórica que não aprendemos com os livros da escola. Temos uma visão muito mais clara e menos romântica ao ler as constatações do autor, que, ao contrário de autores didáticos, não maquia as opressões pelas quais passaram os nativos habitantes da América, os negros, as mulheres e as classes oprimidas pelo capitalismo em suas diversas fases. Por vezes, as palavras irônicas e duras do autor doem como um tapa na cara.

O autor nasceu em Montevidéu nos anos 40, se tornando um dos grandes jornalistas e escritores do Uruguai. Foi perseguido pela ditadura militar em seu país e foi obrigado a se exilar na Argentina e Espanha, tendo sido incluso na lista do esquadrão da morte e caçado por seus ideais socialistas e revolucionários. Escreveu em 1971 sua mais conhecida obra, Veias Abertas da América Latina e esta parece atemporal, nos fazendo entender melhor tempos de protestos, de mídias compradas e sujas, de governos que fazem desapropriações e matam moradores das favelas.

Para desvendar os mistérios da extração do ouro e das misérias.

Livro disponível em PDF.

E aí, já pensou em escrever um livro?

Não sei se é tão comum entre os meus leitores, mas tenho vários amigos que adoram escrever contos e romances, e já até pensaram em sair do anonimato publicando suas estórias! De passatempo e hobby, escrever “profissionalmente” se tornou uma das minhas possibilidades de futuro e estou aqui hoje para compartilhar algumas dicas muito valiosas para quem escreve ou pensa em escrever romances!

A escritora Lycia Barros (site aqui) criou um canal de vídeos no youtube e dá dicas interessantíssimas para quem deseja escrever romances e livros de forma em geral. Como se livrar do bloqueio criativo, quais são erros mais comuns dos autores iniciantes, como escrever uma boa sinopse, como começar a escrever, como amarrar bem a história e não se perder durante o processo de criação do seu livro, ela ensina todas essas coisas e a gente termina os vídeos com aquela vontade de escrever retirada da gaveta! Quem se interessa e quer ir mais a fundo nos estudos, deseja aprimorar a técnica, ainda pode participar dos cursos que ela ministra presencialmente, ou optar por aulas particulares via skype!

No site, você pode ler algumas páginas dos livros que ela publicou, vale a pena! Conheci hoje e já fiquei com vontade de ler “A garota do outro lado da rua”. Assim que eu comprar e terminar minha leitura, conto aqui o que achei! Fica aí um vídeo com algumas dicas!

 

Dica de Livro do Dia #10 – Convite à Filosofia, de Marilena Chauí

A dica de hoje é um livro de uma das grandes filosofas e historiadoras do Brasil, Marilena Chauí. Durante todo o meu Ens. Médio senti que os professores de Filosofia pecavam em muitos aspectos, levando a maioria dos alunos ao desinteresse pela matéria. Apesar de fazer parte daquilo que as pessoas consideram pouco importante, acredito que a Filosofia tem um papel muito importante na formação das pessoas e é por isso que recomendo muito esse livro. Estou na metade e não consigo parar de grifar frases e anotar algumas definições.

Marilena Chauí, além de escritora, é professora da FFLCH – USP, escreveu diversos outros títulos e recebeu, em 1994, o Prêmio Jabuti por ‘Convite à Filosofia’. É apenas mais um prêmio dentre tantos.

Sinopse: Um exercício do pensamento, que fomenta a reflexão crítica e lança um facho de luz sobre questões do dia-a-dia, realçando seu caráter histórico e ampliando os horizontes do leitor – eis o alcance deste livro. Convite à Filosofia é uma obra que utiliza o próprio instrumental filosófico para atualizar conceitos e fazer uma releitura dialética do mundo por uma das mais consistentes intelectuais do país. De suas páginas emergem os grandes temas da discussão filosófica, como Razão, Verdade, Conhecimento, Ciência, Ética, Política, Arte, Técnica, Religião, Metafísica, História, Lógica. 

“Todo dia alguém bate à nossa porta e nos convida a desistir.”

Sobre o título, não sei porque o escolhi, talvez seja porque tudo que o Caio Fernando Abreu escreve me agrada, mesmo não me trazendo nenhum sentido específico no momento.  E falando nele, tenho redescoberto o prazer em alguns gostos antigos, que eu acho até que já havia me esquecido, como o sabor incomparável de uma tarde de domingo ao som de um bom CD, deitada na minha cama com mil almofadas, um cobertor para esquentar os pés e um livro para invadir a mente de fantasias, reflexões, descobertas, humor, ou um pouco de tudo isso junto, sem pensar em mais nada.

Novos horizontes fazem bem, mesmo que estes estejam só nas linhas de um bom livro. Caio Fernando mesmo já dizia: “Às vezes a gente vai-se fechando dentro da própria cabeça, e tudo começa a parecer muito mais difícil do que realmente é.”

Ler para Ser: Desligue a televisão, saia da internet e vá ler um livro!

Eles começaram como tabuletas de argila ou pedra, posteriormente substituídas por cilindros de papiro e, depois, por pergaminhos. Meio de codificar leis, registrar dogmas e crenças religiosas, difundir costumes e informações, além servirem como documentos históricos, os livros são a maior invenção da humanidade. Imaginem o que seriamos sem os livros? Certamente nossa sociedade seria organizada de uma maneira totalmente  diferente, e provavelmente muito mais desorganizada também. Se antes os livros eram acessíveis apenas àqueles que constituíam a nobreza e as classes mais favorecidas, e logo, alfabetizadas, hoje, graças ao surgimento da imprensa e da tipografia na Idade Moderna, os livros deixaram de se restringir às minorias e garantiram sua importância. O desenvolvimento de todas essas tecnologias, mais do que documentar ou organizar a sociedade, possibilitou às pessoas o acesso ao aprendizado e à cultura, sem os quais estaríamos estagnados.

Gosto de uma citação de Monteiro Lobato que diz: “Um país se faz com homens e livros.”, e ainda acrescentaria dizendo que um país se faz com crianças e seus livros.Não é preciso muito raciocínio para notar que a leitura constitui um hábito que nós brasileiros não temos e não passamos para nossas crianças. A média de livros lidos pelos brasileiros por ano é de 4,7, segundo o Ibope, enquanto o europeu lê em média 8 livros por ano per capita. É mais fácil assistir à novela e ao analisar os problemas que nosso país enfrenta, percebemos o quanto esse desapego para com a educação e a formação intelectual dos nossos cidadãos é prejudicial.

Desde sempre os livros estiveram presentes no meu cotidiano, fosse em casa ou na escola. Sempre fui daquelas crianças que faziam birra no shopping pra “arrancar” livros dos pais ao invés de bonecas e percebo o quão bom isso foi para minha formação. Todo ano compro dezenas de livros que vou acumulando, lendo, emprestando, esquecendo, doando, perdendo as contas… Ler para aprender, ler para pensar, imaginar, rir, chorar, indignar-se, descobrir, mudar, trocar ou reforçar opiniões. Ler no ônibus, na fila do banco, no trânsito, antes de dormir, carregar um livro na bolsa e ler por pura distração esperando um amigo atrasado chegar ao local marcado, na sala de espera do dentista. Ler para ser cidadão! Quem não lê dificilmente consegue desenvolver um bom papo, ter opiniões embasadas, se colocar numa discussão, fazer uma boa crítica e ora, essas são ações muito básicas no cenário em que estamos inseridos. E fico indagando se ter um país com mais leitores, com pessoas mais conscientes e críticas não passa de uma grande utopia; questiono se algum dia a educação vai finalmente abandonar o patamar de “escada para o sucesso” e o status social e aí sim as pessoas irão estudar, ler livros, nem que sejam best-sellers que facilmente virariam uma novela global, não mais por obrigação.

Vou finalizar com um conto a carater, da Clarice Lispector:

 

FELICIDADE CLANDESTINA

Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio
arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos
achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do
busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias
gostaria de ter: um pai dono de livraria.
Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de
pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal
da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde
morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra
bordadíssima palavras como "data natalícia” e “saudade” .
Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança,
chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que
éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres.
Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler,
eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorarlhe
emprestados os livros que ela não lia.
Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma
tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de
Narizinho, de Monteiro Lobato.
Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com
ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses.
Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o
emprestaria.
Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu
não vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me
traziam.
No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava
num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando
bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina,
e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas
em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a
andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife.
Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias
seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me
esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.
Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de
livraria era tranqüilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua
casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro
ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu
como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do "dia seguinte" com ela ia se
repetir com meu coração batendo.
E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo
indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já
começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho.
Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer
esteja precisando danadamente que eu sofra.
Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às
vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio
de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a
olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.
Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e
silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a
aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a
nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco
elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar
entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com
enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você
nem quis ler!
E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia
ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a
potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à
porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se
refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora
mesmo. E para mim: "E você fica com o livro por quanto tempo quiser."
Entendem? Valia mais do que me dar o livro: "pelo tempo que eu quisesse" é
tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.
Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro
na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando
como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com
as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar
em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração
pensativo.
Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para
depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas
maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo
comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o,
abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela
coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina
para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia
orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.
Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo,
sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.
Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu
amante.

Anne Frank: Uma História sobre o Holocausto

O Diário de Anne Frank é um dos livros mais importantes e comoventes já publicados. Trata-se de um retrato do holocausto escrito por uma menina judia de 13 anos que, devido a perseguição aos judeus, passou 2 anos escondida com sua família e alguns amigos, em cômodos secretos, num prédio comercial de Amsterdã, chamados de Anexo Secreto. Foi nesse ambiente que Anne Maria Frank, nascida em Frankfurt, na Alemanhã, em 1929, passou sua adolescência e encheu as páginas de seu diário com suas intimidades, descobertas de adolescente, reflexões, e, principalmente, dados sobre a Segunda Guerra Mundial e sobre a perseguição aos judeus. Mais do que escritos de uma adolescente, o Diário de Anne Frank é a voz de mais de 6 milhões de judeus que perderam suas vidas e tiveram seus sonhos interrompidos com a perseguição, além de apresentar ao mundo uma das personalidades mais brilhantes já vistas: a de uma jovem que mesmo com poucos motivos, ainda mantinha sua fé da bondade humana e mantinha esperanças de ter um futuro feliz. Seu diário é até hoje um dos livros mais vendidos e traduzidos no mundo todo, sendo uma verdadeira lição de sensibilidade e humanismo, emocionando e inspirando leitores.

Sua história mundialmente conhecida se transformou em quadrinhos, desenho animado, documentários, inspirou filmes como “Escritores da Liberdade” e foi, inclusive, utilizada no discurso de Nelson Mandela pós recebimento  do prêmio humanitário da Fundação Anne Frank em 1994, “onde disse à milhares de espectadores em  Johannesburgo  que havia lido o diário de Anne Frank enquanto estava na prisão e que ‘sentiu um grande alento com isso’. Comparou a luta de Anne contra o nazismo com a sua própria contra o apartheid, traçando uma linha paralela entre as duas filosofias com o comentário ‘porque estas crenças são evidentemente falsas, e porque foram, e sempre serão, desafiadas por pessoas iguais a Anne Frank, e destinadas ao fracasso’.”

Após dois anos vivendo na clandestinidade, Anne Frank e os demais moradores do Anexo Secreto foram denunciados por vizinhos anti-semitas e levados a campos de concentração. Anne morreu de tifo no campo de concentração de Bergen-Belsen, em 31 de março de 1945, aos 15 anos. O único sobrevivente de sua família foi seu pai, Otto Frank. O mesmo decidiu publicar o diário da filha depois de descobrir que o grande sonho de Anne era ser escritora e que seus escritos servissem de registros do holocausto. Nem seu pai sabia o quão especial era Anne Frank.

Hoje, o Anexo Secreto pode ser visitado e é conhecido como o Museu de Anne Frank, localizado em Amsterdã. O local é um dos pontos turísticos mais visitados da Holanda e sua história permanece emocionando pessoas em mais de 70 línguas.

Sábado, 15 de julho de 1944

“(…) Pois em suas mais íntimas profundezas, a juventude é mais solitária que a velhice.” Li esta frase em algum livro, acho-a verdadeira e lembro-me sempre dela. Será verdade que os mais velhos passam por maiores dificuldades que nós? Não, sei que não é assim. Gente adulta já tem opinião formada sobre as coisas e não hesita antes de agir. É muito mais duro para nós, jovens, manter a firmeza e as opiniões em tempos como estes em que os ideais são destruídos e despedaçados, as pessoas põem à mostra seu lado pior e ninguém sabe mais se deve crer na verdade, no direito e em Deus.

Quem afirma que os mais velhos passam por dificuldades maiores certamente não compreende a que ponto nossos problemas pesam sobre nós; problemas para os quais somos jovens demais mas que aparecem continuamente até que acreditamos, depois de muito tempo, haver encontrado uma solução; só que a solução parece não resistir aos fatos que, de novo, a reduzem a nada. Esta é a maior dificuldade desses tempos: surgem dentro de nós ideais, sonhos e esperanças, só para encontrarem a horrível verdade e serem destruídos.

Realmente, é de admirar que eu não tenha desistido de todos os meus ideais, tão absurdos e impossíveis eles são de se realizar. Conservo-os, no entanto, porque apesar de tudo ainda acredito que as pessoas, no fundo, são realmente boas. Simplesmente não posso construir minhas esperanças sobre alicerces formados de confusão, miséria e morte. Vejo o mundo transformar-se gradualmente em uma selva. Sinto que estamos cada vez mais próximos da destruição. Sofro com o sofrimento de milhões e, no entanto, se levanto os olhos aos céus, sei que tudo acabará bem, toda essa crueldade desaparecerá, voltarão a paz e a tranquilidade.

Enquanto isso, é necessário que mantenha firme meus ideais, pois talvez chegue o dia em que os possa realizar.

Sua Anne”

Os Poetas Malditos: Charles Bukowski

Hoje venho aqui falar de um dos maiores escritores malditos que esse mundo já teve o prazer, ou desprazer de conhecer: Charles Bukowski. Nascido na Alemanha e criado nos EUA, em ambiente familiar completamente desestruturado, Henry Charles Bukowski Jr. encontrou abrigo na literatura e no álcool, escrevendo obras brilhantes que refletem os problemas os quais enfrentou por toda a vida. Na infância, foi por perturbado pela presença de um pai frustado e violento que o espancava pelos mínimos motivos e, na adolescência, era excluído devido à sua classe social baixa e por ter o rosto deformado por acnes que o fizeram passar por uma série de tratamentos médicos.

Produtos de noites de sexo barato, porres e uma vida errante, suas obras fugiam à nata dos romances olímpicos que tratavam de fantasias e amores épicos. Sem ressalva alguma, Bukowski narra em seus livros e poemas as mazelas de seu mundo e de sua geração, os problemas de uma sociedade baseada nas boas aparências e hipócrita. Foi dessa forma que o escritor ganhou sua fama, encantou pessoas com seu humor ácido, ironias e sarcasmo espetaculares, e escreveu obras com as quais qualquer pessoa com o mínimo senso do que vem a ser a realidade, se identifica. “Essa capacidade de transformar o dia-a-dia em poesia, de pegar as bebedeiras triviais, as angústias adolescentes e transforma-las em arte é a mágica de Bukowski.” O autor fez da sarjeta, dos bares, hotéis baratos, e do cenário de Los Angeles, sua inspiração. Mesmo sem criar finais felizes, Bukowski criou um mito ao redor de si.

“Como qualquer um pode lhe dizer, não sou um homem muito bom. Não sei que palavra usar para me definir. Sempre admirei o vilão, o fora-da-lei, o filho-da-puta. Não gosto dos garotos bem barbeados com gravatas e bons empregos. Gosto dos homens desesperados, homens com dentes rotos e mentes arruinadas e caminhos perdidos. São os que me interessam. Sempre cheios de supresas e explosões. Também gosto de mulheres vis, cadelas bêbadas que não param de reclamar, que usam meias-calças grandes demais e maquiagens borradas. Estou mais interessado em pervertidos do que em santos. Posso relaxar com os imprestáveis, porque sou um imprestável. Não gosto de leis, morais, religiões, regras. Não gosto de ser moldado pela sociedade.”

“Há bastante deslealdade, ódio, violência, absurdo no ser humano comum para suprir qualquer exército em qualquer dia. E o melhor no assassinato são aqueles que pregam contra ele. E o melhor no ódio são aqueles que pregam amor, e o melhor na guerra, são aqueles que pregam a paz. Aqueles que pregam Deus precisam de Deus, aqueles que pregam paz não têm paz, aqueles que pregam amor não têm amor. Cuidado com os pregadores, cuidado com os sabedores. Cuidado com aqueles que estão sempre lendo livros. Cuidado com aqueles que detestam pobreza ou que são orgulhosos dela. Cuidado com aqueles que elogiam fácil, porque eles precisam de elogios de volta. Cuidado com aqueles que censuram fácil, eles têm medo daquilo que não conhecem. Cuidado com aqueles que procuram constantes multidões, eles não são nada sozinhos. Cuidado com o homem comum, com a mulher comum, cuidado com o amor deles. O amor deles é comum, procura o comum, mas há genialidade em seu ódio, há bastante genialidade em seu ódio para matar você, para matar qualquer um. Sem esperar solidão, sem entender solidão eles tentarão destruir qualquer coisa que seja diferente deles mesmos.”


“Beber é algo emocional. Faz com que você saia da rotina do dia-a-dia, impede que tudo seja igual. Arranca você pra fora do seu corpo e de sua mente e joga contra a parede. Eu tenho a impressão de que beber é uma forma de suicídio onde você é permitido voltar à vida e começar tudo de novo no dia seguinte. É como se matar e renascer. Acho que eu já vivi cerca de dez ou quinze mil vidas.”

“Essas palavras que escrevo me protegem da completa loucura.”

Bukowski morreu em 9 de março de 1994, aos 73, de Leucemia. Dentre suas obras principais estão:

  • Misto Quente
  • Mulheres
  • Hollywood
  • Crônicas de um Amor Louco
  • Pulp
  • O Amor é um Cão dos Diabos
  • A Mulher Mais Linda da Cidade
  • Cartas na Rua