Luis Antonio Gabriela

Luís Antônio – Gabriela: Uma peça sobre diversidade e humanidade

Nesse domingo, fui com um amigo rever a peça Luis Antônio – Gabriela, escrita por Nelson Baskerville, eleita pelos críticos da APCA como a melhor de 2011. Durante a apresentação, tudo o que eu conseguia pensar era que o mundo seria muito mais humano e agradável se todas as pessoas a assistissem. O espetáculo conta a história de um travesti que sofre por assumir sua transsexualidade em plena Ditadura Militar e, mais do que uma lição sobre a aceitação da diversidade e a quebra de papéis de gênero, é uma lição sobre humanidade, amor e generosidade.

luis antonio

Maltratado pela vida, saindo de casa aos dezesseis ano e obrigado a entrar no mundo da prostituição para sobreviver, tendo acabado em Bilboa, na Espanha, onde veio a falecer em 2006, aos 53 anos, já muito debilitado pela Aids e  os efeitos das injeções de silicone, Luís Antônio jamais perdeu a alegria de viver. Ele falava sobre a entrega a vida, sobre distribuir amor às pessoas, sobre a generosidade. “A vida é tão curta e eu vou ficar me doando em pedaços?”, ele dizia.

Na plateia do teatro lotado havia pessoas de todos os gêneros, idades, sexualidades e estilos dando risadas, se emocionando e possivelmente imaginando um mundo onde a felicidade, a diferença e o gozo do outro, não sejam capazes de incomodar ninguém. Me levantei da poltrona ao término ainda com lágrimas brotando dos olhos, e após aplausos intermináveis e calorosos, voltei para casa sonhando com um mundo de mais amor e menos julgamento.

Com o fim da temporada em São Paulo, no teatro Alfredo Mesquita, em Santana, a peça irá viajar por várias capitais do Brasil. Para quem é de SP e não conseguiu ver a tempo, também há o livro recém-lançado por Nelson Baskerville, que além de contar a história de seu irmão Luís Antônio – Gabriela, traz também o roteiro da peça.

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Luís Antônio – Gabriela, um “Comum de dois”

Foto de Bob Souza. Luís Felipe interpretando Luís Antonio. Divulgação.

Travesti: Aquele que não é nem homem e nem mulher, mas é ao mesmo tempo os dois. Comum de dois gêneros.

A peça Luís Antônio – Gabriela, em exibição na Funarte, em São Paulo, até dia 26/02 é uma obra prima que conta a história de um travesti que vive na década de 60 e vale muito a pena ser vista. Batizada com o nome de batismo do personagem no qual é inspirada e com seu nome de travesti, a peça ganha pela sensibilidade ao retratar uma história real, sem cair em clichês e fugindo ao drama, transformando-o em poesia e musicalidade.

O cenário é bastante peculiar, marcado por cartazes, objetos cenográficos inusitados e originais, imagens contundentes e bolsas de soro que pendem do teto, simbolizando a fraqueza dos personagens e a doença da sociedade, numa história que mesmo tendo se passado há mais de 50 anos, continua atual em sua temática. Com algumas frases e músicas marcantes, cantadas pelos próprios atores, a peça termina e deixa algumas questões em aberto, além de uma mensagem anti-homofobia, fazendo o público se emocionar. Incrível, contundente e corajosa!

Complexo Cultural Funarte São Paulo
Sala Carlos Miranda 

Alameda Nothmann, 1058 – Campos Elíseos
Próximo às estações Santa Cecília e Marechal Deodoro do Metrô
Informações:3662.5177

Quinta a Domingo às 21h30
Ingressos: R$ 5
Duração: 88minutos
Gênero:Documentário Cênico
Recomendação: 16 anos
Reestreia 12 de janeiro.
Temporada: até 26 de fevereiro

Direção de Nelson Baskerville
Intervenção dramatúrgica de Verônica Gentilin

Elenco: Marcos Felipe, Lucas Beda, Sandra Modesto, Verônica Gentilin, Virginia Iglesias e Day Porto.

“A vida é tão curta e a gente se doa aos pedaços!”