Twitter

Tirem seus padrões do meu corpo

De tempos em tempos surge alguma polêmica envolvendo machismo e feminismo que gera discussões imensas na internet. As meninas acusam os rapazes de fazerem piadinhas infames reduzindo sua condição de mulheres e dizem que eles usam a palavra “mulherzinha” como xingamento, tratando-se de ofensa ao gênero. Do outro lado, os rapazes afirmam que a graça do humor está no politicamente incorreto e que isso não é machismo coisíssima nenhuma. Basta uma pronunciação em 140 caracteres e a guerra está declarada!

Embora muita gente tente tapar o sol com a peneira, é inegável que vivemos em uma sociedade machista, que cultua o estupro (veja definição de estupro aqui se você acha exagero) e ficar me atendo a isso só levaria esse texto a ser idêntico aos milhares de textos feministas que circulam por aí – não os desmerecendo. A questão é: será que temos dimensão do quanto esse problema nos afeta?

Hoje, para ser socialmente aceita, a mulher precisa ter peito, bunda, cintura esbelta e fazer depilação à cera! Coitada da que não estiver em dia com a depilação, afinal, que nojo ter pelos! Se outrora os padrões eram outros e permitia-se alguns quilos e pelos a mais, a evolução da moda e dos padrões está nos levando a um retrocesso enorme chamado de caretice! É feio ser diferente! Estamos fabricando garotas cada vez mais inseguras que baseiam suas vidas e auto-estima nesses padrões e, por conta deles, acabam levadas a quadros depressivos, distúrbios alimentares e, muitas vezes, à morte! Mulheres que perdem um dos bens mais precisos que poderiam ter: o amor próprio, e são levadas diariamente a se sentirem péssimas por não se parecerem com beldades, com quilos de photoshop nas nádegas, ditando regras em capas de revistas feitas para satisfazer o gosto masculino.

Elas fazem de tudo para se adequar, de dietas malucas a procedimentos cirúrgicos dolorosíssimos. Dentre as cirurgias plásticas que mais estão em alta, o implante de próteses de silicone para os seios é o líder no Brasil, seguido da lipoaspiração e das plásticas de rosto. E não é que já existe até plástica íntima?

Penso que um dos papeis mais importantes do feminismo é levar as mulheres a aceitarem o próprio corpo e respeitarem a si mesmas. Nascemos um país miscigenado, nada mais natural que cada mulher possa ser bonita de sua maneira. Branca, Parda, Oriental, Negra, mulher-não-capa-de-revista!

Essa é uma tarefa árdua, principalmente quando percebemos que mesmo em manifestações incríveis como a Marcha das Vadias (não entende ou acha que as meninas que participam querem apenas mostrar os seios, leia esse texto explicativo), em que os protestos agem no sentido de liberar o corpo feminino dos padrões machistas, há quem veja as fotos para dizer que gorda não pode sair pelada, se sentir bem consigo mesma, que peito não pode ser caído, que mulher de verdade precisa ter seios como os de qualquer mulher-objeto por aí, etc.. E, muito embora façamos trabalho de formiguinha, ainda acredito que num futuro não tão distante, vamos chegar ao nível evolutivo de respeitar as diferenças e nos livrar dessa massificação horrível de peitos, bundas e cérebros. Que o feminismo seja usado menos para causar polêmica e mais para ajudar na construção de uma nova identidade feminina, livre de padrões doentios e limitadores.

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Acho engraçado: mostrar peito e bunda no carnaval e na playboy as mulheres podem, né?

O Twitter Não Tem Lei!

O assunto que me traz aqui hoje é o tão famoso Twitter! Boa parte das pessoas que conheço possui um perfil nessa rede social que virou moda em todos os cantos do mundo e atraiu desde pré-adolescentes até pessoas da terceira idade. Eu particularmente adoro o twitter e o vejo como uma ferramenta de comunicação muito útil, que quebra com a influência soberana da televisão e acaba servindo para a abordagem de temas e discussões que jamais teriam espaço nos programas televisionados. Um exemplo disso é que milhares de campanhas foram difundidas e ganharam força no twitter, como o Projeto Ficha-Limpa, que passou bastante tempo entre os tópicos mais comentados e a manifestação Fora Bolsonaro, que gerou até protestos na Avenida Paulista, citando apenas os mais recentes.

Apesar disso, é poucas vezes que vejo o Twitter sendo utilizado para fins sociais e causas interessantes. É muito mais fácil encontrar Justin Bieber,  Lady Gaga, Restart ou jogos como #twittealgocomumfilme  nos tópicos mais comentados do que assuntos realmente relevantes. É aí onde mora o perigo e o problema do microblog. Grande parte das pessoas está deixando de assistir à novela das 8 para assistir à novela da vida alheia contada em fragmentos de 140 caracteres no Twitter – a internet parece favorecer o conforto das pessoas que se esquecem que suas vidas estão sendo acompanhadas por dezenas de voyeurs, como num Big Brother sem câmeras, e passam a revelar publicamente suas vidas e assuntos íntimos – e, como se não bastasse isso, há muita gente que posta opiniões infundadas e parece não ter idéia da proporção que elas podem tomar. Me preocupo ao ver muitas opiniões sem critério sendo compradas e vendidas, e questiono a má fé que podem estar incrustada em muitas delas.

O bom-senso foi deletado do Twitter e prefiro não pensar no bom uso que as pessoas deixam de fazer todos os dias de uma ferramenta que poderia servir pra muitas coisas bacanas e se reverter em bens para a sociedade de modo geral. A grande questão é que a internet é, históricamente, uma criação muito recente e talvez esse seja o motivo que ainda leva tantas pessoas a utilizarem como uma extensão da realidade imposta pela TV, que ainda é o meio de comunicação mais influente. No Twitter isso se manifesta muito claramente em dias de jogos de futebol, em finais de novela e fase de Big Brother Brasil, onde as pessoas fazem campanhas para decidir qual participante deve ficar ou sair, falam mal dos torcedores de times rivais ou dos vilões das novelas. Entretanto, a internet é o meio de comunicação mais democrático e revolucionário que já foi inventado, pois informações podem ser divulgadas por qualquer pessoa e chegar a todos sem que seja barrada ou censurada por ninguém e, quando foi inventada, não se imaginava que o uso por civis seria feito sem qualquer tipo de controle, podendo driblar leis, ser utilizada para manifestações contra governos, etc. A internet e o Twitter tem nos proporcionado um momento muito peculiar onde não mais a TV, os jornais, os programas de rádio determinam o que vai ser transmitido. Uma pena que apenas uma minoria tenha se atentado a esse fato, enquanto o restante ainda os utiliza somente como forma de lazer e interação. Seria utopia pensar no dia em que a internet e o Twitter servirão pra revelar muito mais do que sub-celebridades que sonham com seus 140 caractéres de fama? Deixo a reflexão.