Religião

Alain de Botton e Religião Para Ateus

Estou lendo um livro muito curioso, que ora me irrita ora me leva a conclusões muito interessantes: “Religião para Ateus”, do inglês Alain de Botton. Não sou ateia, ainda tenho minhas dúvidas e minhas crenças. Já falei isso em outro post, mas o livro anda me deixando tão intrigada que resolvi falar novamente!

Alain de Botton afirma em seu livro que apesar dos ateus – categoria na qual ele mesmo se inclui – não acreditarem na existência de Deus, é possível encontrar aspectos positivos nas religiões que levam as pessoas a lidarem melhor com a vida secular. Segundo ele, o fato de não crer em Deus não elimina as nossas principais questões existenciais como “o sentido da vida”, “a morte”, “a solidão” e que, nesse ponto, as religiões possuem meios de confortar em indicar bons caminhos até mesmo àqueles que não possuem nenhuma fé. Não há como discordar disso, pois, se não cremos em Deus, estamos ao mesmo tempo livres e jogados à nossa própria sorte, o que pode ser positivo para uns e muito danoso para outros.

Porém, há uma grande diferença entre ter conhecimento espiritual (conhecimento dos ensinamentos e valores religiosos) e ser uma pessoa espiritualizada (aplicar esses valores que remetem à bondade e ao bem, e que nem sempre são adquiridos através da religião), e é essa a questão: nem todo mundo que possui uma religião é espiritualizado e há pessoas que mesmo sem religião são muito espiritualizadas.

Será que o problema do mundo e dos ateus é mesmo a falta de valores religiosos para guiar todos a uma vida moral e digna?

Eu acredito que não: “o buraco é bem mais embaixo”! Precisamos de educação e entender que os princípios básicos de fé e não-fé são muito pessoais, não devendo ser aplicados a todos. Por melhores que sejam as intenções do livro e de tantos ensinamentos religiosos, ainda acredito que tudo seja questão de caráter e consciência, não de quem possui ou não valores religiosos em seus princípios.

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Os caminhos e minhas próprias escolhas sempre me levaram a acreditar que o mais importante nessa vida é conhecer a si mesmo. E isso não é apenas sobre saber do que se gosta ou não, mas sobre conhecer seus limites, enfrentar seus demônios, ter amor e respeito por si, para então conseguir viver bem consigo. Acredito que as pessoas não precisam de dogmas ou deuses, regras ou pessoas dizendo como elas devem se comportar se elas têm ciência de onde estão seus limites, suas paixões.

Cada vez que uma pessoa deixa de viver conforme gostaria pra obedecer regras, viver uma vida que lhe foi imposta, deixa também de caminhar sobre suas próprias pernas e aprender com seus próprios erros, e assim fica pra sempre andando em círculos, sem usar seu senso-crítico, mas seguindo imposições vazias, vivendo e desperdiçando seu tempo com propósitos vazios.

Serei eternamente curiosa em relação ao sobrenatural, à existência de Deus, desconfiada das religiões, sem exceção, mas continuarei acreditando que com ou sem dogma a ser seguido, a missão individual de cada pessoa é tentar ser melhor para si mesma e para o mundo e não melhor do que o mundo…

“Não me importa onde estarão os monges e onde estarão as auto-estradas. Para mim, o importante é fazer o amor, e não a guerra, em todos os lugares do mundo.” John Lennon

Sou Deísta, sim. E você?

Esse é o primeiro post, de muitos, espero, desse Blog, e eu não podia começar de forma melhor: quero discutir Deus. Sei que citar Deus faz com que a maioria das pessoas pense em religião. Não quero discutir religião, quero falar sobre Deus.
Durante muito tempo neguei a existência de Deus, e me posicionei como atéia, mas com o tempo percebi que minha questão, na verdade, era um grande desacordo com dogmas religiosos. Nunca engoli aqueles ‘lugares comuns’ todos que dizem verdades sobre o que é Deus, o que acha sobre o mundo, os homens, o que é pecado, a existência de um céu, um inferno, um purgatório. Nunca gostei do sentimento de medo que me expor a essas crenças me trazia e, por isso, durante bastante tempo neguei a existência de um Deus, por que negar me eximia da culpa, da aflição, do pavor e também da falsidade. Era estranho repetir todas as noites orações cujos significados me escapavam, ter respeito por uma fé e uma crença que tinham início e fim na igreja. Minha razão então passou a questionar o dogmatismo. Quem inventou essa definição de pecado, quem realmente escreveu a Bíblia, será que a tradução foi bem feita e escapou da interferência dos homens e de seus interesses? Pensei durante anos nessas questões. Respostas? Apenas presenciei desencontro de informações. Comecei a desconfiar de tudo e todos, e deixei a religião de lado, passando a ver Deus como algo além, muito mais complexo, do que dogmas.Hoje me vejo como Deísta (“O deísmo é uma postura filosófica que admite a existência de um Deus criador, mas questiona a ideia de revelação divina. É uma doutrina que considera a razão como uma via capaz de nos assegurar da existência de Deus, desconsiderando, para tal fim, a prática de alguma religião denominacional. (…) o conceito deísta de divindade não corresponde, necessariamente, ao que comumente a sociedade entende ser “deus”. Ou seja, existem várias formas de se compreender aquilo que é, supostamente, transcendente ou sobrenatural. Então, Deus pode ser compreendido como o princípio vital, a energia criadora ou a força motriz do Universo. Todavia, não propriamente como um ser antropomórfico.” Wikipedia), e me sinto muito melhor, tendo como único parâmetro praticar o bem e buscar ser melhor, corrigir aquilo que é possível, para o meu próprio bem e daqueles que eu amo. O que, na realidade é o que deveria ser feito por todos aqueles que tem Jesus Cristo e Deus na boca, e que sabemos, nem sempre acontece.

Dessa forma passei a pensar a humanidade e todas as suas mazelas de uma outra forma, deixando de colocar Deus ou a religião como violões e vendo o problema com as pessoas que se utilizam de Deus e da religião para impor, segregar e manipular as pessoas que, muitas vezes só tem a fé para se apoiar, à favor de seus interessem, sejam eles políticos, financeiros ou ideológicos. Daí meu problema com toda e qualquer forma de dogmatismo e o status de politicamente correto que mascarar a si mesmo com uma religião pré-estabelecida garante. Isso não me interessa.Fé e espiritualidade são extremamente pessoais, e não vejo como um mesmo dogma possa atrair tanta gente senão por meio do medo e da culpa. Eu quero ter a liberdade de julgar a partir dos meus próprios parâmetros o que tem sentido ou não para mim, me sentir bem por poder aprender com erros meus e não temerosa de um inferno ou purgatório quaisquer.



Afirmações Deístas (Wikipedia)

1- Admito uma existência divina, mas com características distinta de religiões.
2- Corroboro que a “palavra” de Deus são as leis da natureza e do Universo, não os livros ditos “sagrados” escritos por homens em condições duvidosas.
3- Uso apenas a razão para pensar na possibilidade de existência de outras dimensões, não aceitando doutrinas elaboradas por homens.
4- Creio que se pode encontrar Deus mais facilmente fora do que dentro de alguma religião.
5- Desfruto da liberdade de procurar uma espiritualidade que me satisfaça.
6- Prefiro elaborar meus princípios e meus valores pessoais pelo raciocínio lógico, do que aceitar as imposições escritas em livros ditos “sagrados” ou autoridades religiosas.
7- Sou um livre-pensador individual, cujas convicções não se formaram por força de uma tradição ou a “autoridade” de outros.
8- Acredito que religião e Estado devem ser separados.
9- Prefiro me considerar um ser racional, ao invés de religioso.
10- O raciocínio lógico é o único método do qual podemos ter certeza sobre algo.

E sobre o tema recomendo três músicas para fazer questionar: Cascadura (Desconsolado)Poison (Something to Belive in) e uma música que virou versão na série Glee – Ep. 2×3 – One of us.
“Deus não tem religião.” Mahatma Gandhi