Desabafo

“O mundo está ao contrário e ninguém reparou…”

Às vezes me pergunto se eu sou modernete demais ou se as pessoas é que são caretas e chatas, e sempre tenho a sensação de que está tudo ao contrário. Vivemos num país onde a vida de sub-celebridades e reality shows ganham mais destaque do que os casos recorrentes de corrupção, falhas na saúde, educação, segurança pública, etc… Sofremos de uma patologia que é o apreço por cuidar da vida alheia e nos intrometer onde não devemos.

E tudo isso pra falar que eu fiquei horrorizada quando entrei hoje na internet e vi as pessoas chocadas com uma entrevista da Pitty na qual ela assumiu já ter ficado com mulheres. A pergunta que fica é: E DAÍ?

Não sei se é por conta de ter muitos amigos e a amigas homossexuais, mas até agora eu nunca tinha me dado conta do quanto ainda é polêmico o que as pessoas fazem em sua intimidade, como se isso determinasse o seu caráter ou índole. É um assunto trivial. E mais me impressiona o fato que ao assumirem se relacionar ou ter se relacionado com pessoas do mesmo sexo, metade do universo esquece das qualidades e contribuições positivas que essas pessoas deram!

E aí, quantas pessoas já lavaram a louça hoje?

E Sócrates disse: “Só sei que nada sei”.

O tempo passa e muita coisa muda, principalmente dentro da gente. O que foi, de repente já não é mais. O que se sabia, de repente não se sabe mais. E tudo é assim: transitório. No mais, a gente acaba rindo de algumas atitudes, se arrependendo de outras, e ganhando bagagem para aprender com tudo. E entre algumas questões, acabo sempre me perguntando quando é que a gente sabe que está finalmente maduro. Filosofia demais pra pouca mesa de bar…

Mas, quando o assunto é maturidade, acabo sempre concluindo que maturidade demais às vezes se converte em maturidade de menos. Algumas pessoas têm a péssima mania de achar que sabem de todos os segredos da vida, e como agir em todas as situações e se esquecem que muitas vezes essa lógica não serve para os demais, tornando-se verdadeiras mestras na arte da chatice e da inconveniência. E o mundo está cheio desses chatos que acham que entendem muito da vida da gente mas não sabem de porra nenhuma, com o perdão da palavra!

Já dizia Sócrates que só começamos a entender de fato as coisas quando percebemos que não sabemos o que imaginávamos saber. E eu poderia parar por aqui, mas continuo e deixo meu protesto por relações mais humanas e menos exatas, afinal, um mesmo parâmetro nem sempre serve para duas regras.